Minha geração enlouqueceu

Enlouquecemos, e não há como voltar atrás!

Toda minha geração e as que vêm depois de mim, essa galera entre 25 e 35 anos, esse pessoal enlouqueceu. Nós temos metas completamente impossíveis, temos trabalhos que em outros tempos seriam divididos para duas pessoas. Mal temos 30, e aparentemente, somos um fracasso se não falamos duas línguas, viajamos para fora do país nas férias, se não temos uma vida amorosa de cinema, se não somos gerentes, se não ganhamos mais que nossos pais. Enfim, surtamos na nossa busca pelo impossível.

E não ficamos só nisso, temos essa dificuldade imensa de aceitar que somos centauros, meio digitais, meio off-line. Somos a geração do meio entre aqueles que já nasceram mergulhados em tecnologia e aqueles que precisaram aprender com ela depois de adultos, somos, provavelmente, a última geração que precisou de curso de informática, acreditamos que merecemos o mundo, que é nosso por direito só porque nascemos…. Como manteríamos a sanidade assim? Não dá, não tem como.

As palavras da minha carreira profissional são “proatividade” e “resiliência” que no mercado de hoje significa, preveja o que você tem que fazer, sem que ninguém precise te indicar e aguente as pressões que virão quando você cometer algum erro, respectivamente. E nós aceitamos isso, de cara feia, reclamando, tendo pequenos surtos nervosos no trabalho, mas aceitamos, desde que um dia, possamos ser nós a exigir proatividade e resiliência de alguém. Obviamente isso é loucura, surtamos.

O mercado de trabalho mudou, muito, minha geração vai pegar um pouco dos dois jeitos de trabalhar, o novo, o da tecnologia, o do home-office, e o tradicional, de bater ponto, de bloquear redes sociais, de proibir o uso de celular no trabalho (sim, já trabalhei em lugares assim). É como viajar 10 anos no tempo a cada vez que se muda de trabalho, e não fomos feitos para isso, como qualquer ser humano que encara uma aventura antes da hora, enlouquecemos nela.

Eu espero que essa loucura tenha cura, que aprendamos a lidar com as pressões, com as mudanças, com as próximas gerações, com as gerações anteriores, espero que consigamos fazer isso antes que essa loucura se torne hereditária, já pensou, outra geração achando que o mundo não lhe dá o suficiente, que precisa de mais, não iriamos muito longe. Mas, a principal característica da nossa espécie é a adaptação, então estou otimista, o que pode, perfeitamente, ser outro sintoma da loucura geracional que também me afeta.