Ex-cultura do ser

Breve reflexão sobre o Eu

Me perco nas palavras brutas da vida seguindo: procure nos outros o que eles não tem para você. A ânsia de precisar faz com que você rebusque isso em sua própria vivência e, se precisar, reconstrua isso ao seu próprio molde. Faz tempo que busco as linhas da minha existência presa a de outros. Mas como as memórias, tudo não passa de fotos. Logo, decidi me esculpir. Não de forma grandiosa ou menos qualificada, mas do meu modo. Preso ao meu museu eu decidi ficar. Não vejo mais graça ir na rua para me deparar com esculturas vivas. Decidi virar minha própria arte. Arte recíproca. Do mesmo jeito que você vem até a mim me dar a análise, eu me dou a você como se eu jamais tivesse sido aquilo que sou. Me entregue seus significados e eu lhe dou meus conceitos. A vida não merece estar qualificada ao narcisismo alheio. De qual material é feito? Quem se importa! Hoje eu quero ser aquilo que nunca fui: Eu. Feito da pele de pedra, moldável aos seus costumes, mas com estrutura intacta. De arte: sou objetivo.