Foto: Katie Mähler / Cobertura Colaborativa

I Marcha das Mulheres Indígenas

“Quem somos? Somos mulheres que faz da luta melodia.
Somos as que retomamos a terra roubada, as que insistem na festa
sem se esquecer que permanecemos em guerra”

Foto 1: Natalia Gomes / Cobertura Colaborativa | Foto 2: Katie Mähler / Cobertura Colaborativa | Foto 3: Douglas Freitas / Cobertura Colaborativa

Somos mulheres colorida
Somos um arco íris de cores,
Lutamos e dizemos não a violência
pra manter nossos valores.

Os valores que eu falo
É a essência cultural,
Fazemos nossos debates
Respeitando a organização social.

Mulheres estudantes
E também da militância
Já dizia nossos líderes
Diga o povo que avança.

Mulheres indígenas, negras
Mulheres tradicionais,
O que inspira nossa luta
São as forças ancestrais.

Foto : Lia Bianchini / Cobertura Colaborativa

Somos mulheres do cerrado
Das veredas, caatinga e pantanal
Mulheres camponesas ou pescadora artesanal,
Tem mulheres parteiras benzedeiras, tem indígenas politizadas
Fazemos o enfrentamento ainda que não sejamos belas e recatadas.

Não somos recatadas
Muitas vezes não somos e nem estamos no lar
Nós temos um pé no chão da aldeia
E o outro do lado de cá.

Tentaram tirar nossas pinturas do rosto,
Nossas terras não nos deram mais,
Nos chamaram de preguiçosos e ainda de incapaz,
Porém não desanimamos, ai que lutamos mais.

Foto 1: Nadia Nicolau / Midia NINJA | Foto 2: Lia Bianchini/ Cobertura Colaborativa | Fotos 3 e 4: Natalia Macedo / Cobertura Colaborativa

Mais de 1500 anos se passaram
Continuamos a resistir,
Mesmo tentando pintar Brasil de cinza
Resistimos pra colorir.

Pois não se consegue desbotar
pele e almas coloridas,
Assim como não consegue apagar
Nossas histórias já vividas.

Foto 1: Leo Otero / Cobertura Colaborativa | Foto 2,3 e 4: Natalia Gomes / Cobertura Colaborativa | Foto: 5: Katie Mähler / Cobertura Colaborativa / Foto 6: Lia Bianchini / Cobertura Colaborativa
Foto 1: Lia Bianchini / Cobertura Colaborativa | Foto 2: Katie Mähler / Cobertura Colaborativa

Em tempos tão sombrios
Precisamos alimentar de mais arte e poesia,
Pois temos a capacidade de fazer da luta melodia.

É na força da pintura presente no pigmento
Urucum tempera a comida
E nós mulheres temperamos
O movimento.

Resistiremos até a última indígena
Pois nós mulheres somos sementes.

Foto: Matheus Alves
Foto: Juliana Pesqueira / Cobertura Colaborativa
Foto 1 e 2: Katie Mähler / Cobertura Colaborativa

Texto por Célia Xakriabá, primeira mulher indígena a formar parte da equipe do órgão central da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, foi coordenadora da Educação Escolar Indigena e criou uma lei e resoluções específicas da escola indígena junto com povos de Minas Gerais.

Além da pauta da educação, Célia também tem forte atuação com mulheres, buscando chamar atenção para a ausência históricamente das mulheres indígenas nas posições de poder e políticas e estimulando a busca e retomada do protagonismo das mulheres indígenas em espaços institucinais.

Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação — http://catarse.me/midianinja

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