NINJA 2013

Retrospectiva Multimídia


Nos últimos anos uma série de revoltas e movimentos explodiram as ruas e se espalharam pelo mundo.

Articulados nas redes, derrubaram presidentes e ditadores, colocaram em xeque o mapa político do Oriente Médio, afrontaram o sistema econômico em seu próprio quintal, fizeram tremer governos com ampla aprovação popular, mas, acima de tudo, deixaram ao estado, aos partidos e as grandes corporações uma mensagem clara: vocês não nos representam.

As instituições, como estão configuradas, não souberam e não saberão lidar com essa geração hiperconectada. Os jovens não aceitam mais a versão oficial. Opinam, debatem, participam e criam suas próprias verdades. Não votam, apenas. Não escutam, somente. Pulsam por participação.

Esse diálogo represado uma hora haveria de se tornar mar de gente.
Bem vindos a 2013..


Fórum Social Mundial, Tunísia — 28 de Março

Marcha pró-Palestina durante o Fórum Social Mundial, nas avenidas da Tunísia.

Foram 5 dias de cobertura e conspirações públicas no maior encontro global de ativistas. Textos, fotos, entrevistas, transmissões diárias na PósTV e, mais importante: o começo de uma construção coletiva de uma rede internacional de jornalismo independente.


O crime compensa, Marabá — 04 de Abril

Manifestantes do Movimento Sem Terra (MST) invadem BR após julgamento na cidade de Marabá (PA)

Um dos casos mais emblemáticos na luta do ativismo sócio-ambiental — o assassinato de Zé Claudio e Maria teve seu julgamento realizado no início do ano, em Marabá, interior do Pará. Estivemos in loco, cobrindo ao vivo o veredicto que absolveu o suposto mandante do crime e perpetuou um rastro de impunidade nos crimes contra os militantes e movimentos sociais do interior do país. Foram 3 dias de julgamento e incontáveis horas de conversas e debates com ativistas, familiares do casal e todos os envolvidos na trama da Missão Marabala. Conheça a história completa aqui.


Prelúdios, Porto Alegre — 04 de Abril

Milhares de manifestantes vão as ruas de Porto Alegre contra o aumento da tarifa ainda no mês de Abril

Anunciando o que viria a ser o rastro de pólvora de mobilização popular das últimas duas décadas no país, Porto Alegre se levantou ainda em Abril contra o aumento da passagem de ônibus, que ultrapassava os R$ 3,00.

Por volta de 8 mil pessoas foram às ruas em diversos pontos da cidade, conquistando a redução da tarifa e estimulando o movimento que viria a tomar as ruas de Goiânia e São Paulo nos meses seguintes. Saiba mais.


Copa sem Dendê, Salvador — 05 de Abril

Após o anúncio da proibição da venda de Acarajé próximo ao estádio da Fonte Nova durante a Copa do Mundo, em Salvador (BA), as baianas foram às ruas contra a FIFA e sua arbitrariedade sobre território tão tradicional. As baianas entregaram um documento ao assessor da presidente Dilma, solicitando a abertura dos portões da copa às Baianas.


Beijos políticos, atos públicos.

Jean Wyllys e Larte Coutinho se beijam após encerramento das atividades da Primeira Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, na Praça Rosa, em São Paulo
Beijo lésbico como forma de protesto durante culto de Marcos Feliciano na cidade de Belém, PA

A chegada do pastor Marco Feliciano em Belém teve uma recepção especial, com beijo lésbico durante sua missa.

Enquanto isso, em São Paulo, um célebre selinho encerrava a 1ª edição da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, presidida pelo cartunista Laerte Coutinho com a participação de Jean Wyllys.

Os beijos não representaram somente a pauta LGBT, mas cristalizam a disputa pelos Direitos Humanos no Brasil, que envolve questões relativas a desmilitarização da Polícia, o genocídio da juventude negra, a legalização da Maconha e a descriminalização do Aborto.

Erros da Copa — 27 de Maio

Infográfico interativo sobre a Copa do Mundo e as violações dos Direitos Humanos.

Em parceria com a Agência Pública, preparamos um infográfico animado que expõe os danos e a violação dos direitos humanos causados pela Copa do Mundo na capital carioca. A animação é resultado de estudos e pesquisas nas áreas de moradia, esportes e finanças com dados de valores de investimentos e empresas envolvidas. Clique aqui para navegar pelo infográfico.


De Gezi para o mundo, Turquia — 01 de Junho

Milhares de manifestantes nas ruas da Turquia

Fomos ver de perto mais de um de milhão de pessoas ocuparem as ruas e praças da Turquia. Depois de um protesto contra o corte de árvores do último ponto verde de Istambul para a construção de um shopping na Praça Taksim manifestantes do país ocuparam a região com um acampamento que barrou a construção do novo empreendimento. O protesto cresceu e se tornou uma manifestação da sociedade civil contra o atual governo, do partido islamita Justiça e Desenvolvimento, que controla a justiça, o parlamento, a polícia e a imprensa


As Ruas de Junho — Com um histórico de ocupações das ruas e o crescimento da indignação popular, o aumento das tarifas do transporte público inicia uma forte mobilização popular em diversas capitais do Brasil. Em pouco tempo a mobilização ultrapassa a pauta específica do transporte, assim como as fronteiras dos grandes centros urbanos.


Topo do Congresso Nacional, em Brasília, ocupado por manifestantes no dia 17 de junho.

Ficamos nus. O poder se ajoelhou perante as ruas. Mudou completamente sua abordagem e discurso, tomado pelos desejos que aglutinavam milhões em segundos pelas redes sociais. Centenas de prefeitos revogaram o aumento das passagens e a própria presidenta, Dilma Rousseff, numa guinada rara da esquerda estabelecida, pronunciou em rede nacional — algo inédito no mundo — a legitimidade dos movimentos das ruas anunciando assim uma nova Constituinte para o País.

Avenida Paulista, em São Paulo, tomada por manifestantes de diferentes grupos, partidos e formações políticas durante as marchas de Junho.

Tirando essa breve passagem, o tratamento do poder se estabeleceu de outra maneira: bombas, gases e cacetadas.

A repressão, que esquentou o debate sobre a desmilitarização da Polícia Militar nas redes, e que foi também um dos combustíveis desse longo e intenso mês. Se nas ruas era a PM quem açoitava, no campo da disputa de imaginários a velha mídia trabalhava para confundir e cooptar as massas. Sucesso, em parte. Quando os engessados veículos passam a apoiar as manifestações setores mais conservadores da sociedade se dirigem as ruas, com o mesmo ímpeto conquistador dos que nela vivem há séculos. Do movimento Passe Livre ao Black Bloc, nós estávamos ao vivo..

Milhares de pessoas acompanharam as narrativas das ruas brasileiras pelas transmissões ao vivo via smartphones.

A Guerra de Memes, São Paulo — 18 de Junho

“Na esquina da Paulista com a Consolação, repousava inviolado um display da Coca-Cola celebrando a iminente Copa das Confederações. Repleto de latas de refrigerante, ostentava o slogan: “Vamos colorir o Brasil.” Alguém deu a ideia: “Vamos colocar fogo?” — Bruno Torturra

Por uma pequena janela de 400 pixels do servidor japonês twitcasting, mais de 50 mil pessoas viram a sequência final: o incêndio do display, a chegada da PM, o bate-boca com os policiais sem identificação. Ao sair do ar, a transmissão alcançara mais de 100 mil visitas.

Transmissão ao vivo na Avenida Paulista no dia 18 de Junho reuniu mais de 100 mil pessoas a partir do link de um único celular.

Violência, monopólio do estado?

Policiais Militares observam passagem de manifestação em São Paulo.

“Os Black Blocks, mas não só eles, todos os que sofrem o poder no corpo — jovens negros das favelas, população de rua e agora ativistas e midialivristas — colocam de forma muito explícita uma questão decisiva para todos nós: o monopólio da violência pelo Estado. E toda a pauta política que isso implica: do fim das mortes nas favelas até a total desmilitarização da polícia e a neutralização do poder de morte dessa instituição” — Ivana Bentes

Manifestante é atingido na cabeça por estilhaços de bomba de efeito moral.

A repressão policial, intrínseca aos atos de rua, foi fator decisivo para o crescimento do movimento, que passou de uma pauta específica — os 0,20 centavos — para um debate amplo sobre direitos humanos, participação e novos processos políticos.

Onda Vermelha — 20 de Junho

Militantes são expulsos de manifestação por portarem bandeiras partidárias na Avenida Paulista. A entrada dos partidos de esquerda nos protestos ficou conhecida como “Onda Vermelha”
“Cada centímetro de chão sendo disputado, os clássicos versus os acordados. Bandeiras foram arrancadas, rasgadas e queimadas pelo direito de não suportar o outro. Movimentos negros, sem-teto, sem-terra e partidos de esquerda viram de perto o poder de fogo da ‘white democracia’, que rotula, nega e persegue a diferença,
em prol do bem comum.

Igualmente violenta foi a disputa das cores, com as ruas rigorosamente tomadas por uma massa verde e amarela, em grande parte hostil a qualquer lábaro que não o nacional. E em grande parte motivada a expulsar da rua os partidos e movimentos sociais que, temerosos de uma cooptação da direita, da mídia ou da inconsciência civil, reivindicavam a rua como seu território. Pela contramão da Paulista, literalmente, chegou a reação, um bloco autodeclarado “onda vermelha”.

Em pouco tempo foram hostilizados, em sua grande maioria, por virgens de passeatas que acreditavam estar diante de um revolucionário “basta”. Apartidários, em geral mal informados, eufóricos, imbuídos de um sentimento fresco de propósito cívico, repetiam o meme preferido da grande mídia: “O gigante acordou.”

Da esquerda pra direita: revista canadense AdBusters, revista Fórum e o livro Cidades Rebeldes. As imagens do NINJA são de livre distribuição.

Dos pixels aos prints

Revistas, publicações internacionais e livros. O NINJA distribuiu imagens das ruas de Junho para centenas de plataformas e veículos de todo mundo. Tudo de graça, em creative commons.


“Um mundo de dúvidas e incertezas. Cada depoimento uma verdade. Chegar no Cairo, mais especificamente na Praça Tahir, e passar a perceber olho-no-olho os milhões que até ontem ocupavam as praças exigindo a derrubada de seu presidente é um desafio enorme.”

Em julho enviamos um correspondente do NINJA para acompanhar de perto as movimentações políticas no Egito — acesse o post completo.


Black Bloc. As mulheres egípcias foram e continuam sendo alvo de ataques durante os protestos e grandes concentrações no Egito, conheça a história completa.

A segunda onda protestos recentes no Egito estourou assim que a poeira de Junho começou a assentar no Brasil. Não tivemos muito tempo para pensar ou planejar, mas enviamos um correspondente das ruas brasileiras direto para a Praça Tahir, no Cairo.

O país vivia atos públicos massivos — os números oficiais rondam 30 milhões de pessoas nas ruas do país — que culminaram na derrubada do presidente eleito Mohamed Morsi, com uma mão suspeita do Exército, controlador de grande parte da economia e das decisões políticas do Egito.

O nível de respeito e diálogo entre os grupos em disputa nas ruas começava a se reduzir para patamares perigosos. O acirramento dos clashes (batalhas) nas madrugadas começava a gerar dezenas de vítimas fatais por dia. No ínicio, uma disputa entre civis, depois uma intervenção bélica cada vez mais presente do Exército e da Polícia levou os egípcios a se questionarem se estavam diante de um golpe ou a continuação da revolução.

Um golpe a ou a continuação da Revolução? — Vídeo do coletivo de mídia independente Egípcio Mosireen.
[Clique no box para ver legendas em Português]
Homem escala monumento na praça Tahir, palco histórico das grandes mobilizações e disputas na cidade do Cairo.

O Papa é Bope, Rio de Janeiro — 21 de Julho

Chegada do Papa na cidade do Rio de Janeiro. Foto: Luiz Roberto Lima

Os protestos, os peregrinos, a disputa midiática e política entre evangélicos e cristãos. O colossal desfile de fé, de contradições, vista grossa e hipocrisia. Cobrimos a vinda do papa latinoamericano ao Brasil com opiniões e imagens distantes da subserviência da imprensa e do Estado que, nesse ponto, são tudo menos laicos.

Frio, chuva e muita fé pra ver bem de longe a figura branca e sorridente de Francisco. Peregrinos de todas as partes do mundo se dirigiram para a cidade de Aparecida.

“URGENTE! Repórter NINJA preso pela tropa de choque carioca por transmitir a manifestação. Ele segue #aovivo no camburão..”
— 22 de Julho

“Tentaram derrubar nossa transmissão ao deter um, dois, três NINJAS. Mas eles não entenderam que não é uma câmera, um repórter… é uma rede. Podem até derrubar um. E assim surgem outros 1000"
Filipe Peçanha dá depoimento para redes de comunicação de todo país após ser liberado por transmitir as manifestações ao vivo.

Durante a chegada do Papa no Brasil fomos perseguidos pela Polícia Militar. Com infiltrados em meios aos manifestantes — os conhecidos P2 — e acompanhando a transmissão que ocorria ao vivo em mais de um link diferente, a PM prendeu dois NINJAs que estavam ao vivo, gerando forte comoção popular em frente a delegacia que pedia a soltura não apenas de ambos, mas de outros 10 presos de forma arbitrária no mesmo dia.

A fuga da contra-narrativa

Bruno Teles corre de policiais após estourar conflito com manifestantes no dia da chegada do Papa no Brasil. Bruno foi imobilizado, eletrecutado e levado para DP sem qualquer prova. Foto: Ana Carolina Fernandes

Na mesma noite, o estudante Bruno Teles é preso por portar explosivos em uma bolsa que nunca carregou. É julgado e punido moralmente pelo Jornal Nacional sem direito de defesa. Bom noite, Brasil.

Bruno dá seu depoimento de dentro da DP para o NINJA através de um Iphone

Em depoimento à Mídia NINJA, Bruno pede, de dentro da 9ªDP, no Rio de Janeiro, para que os midiativistas enviem vídeos com as cenas em que foi perseguido injustamente.

O material, devidamente coletado e editado, é divulgado nas redes sociais e revela a infiltração de agentes da polícia como origem do tumulto na manifestação. Bruno, que já estava no presídio de Bangu, tem seu Habeas Corpus aceito e é liberado.

Vídeo realizado a partir de montagem de diversas filmagens do momento da prisão de Bruno no dia da chegada do Papa do Rio de Janeiro.
“Ao contrário do que tinha sido divulgado em várias notas oficiais das Policias Militar e Civil, Bruno Ferreira Teles não portava explosivos no momento da prisão” — William Bonner, no Jornal Nacional.

Blasfêmia, Rio de Janeiro — 28 de Julho

Ativistas independentes realizam performance durante a Marcha das Vadias. Foto: Cale Merege

Chegaram quase de manhã. Eufóricas, afogueadas, suadas. Quem as visse, decerto as confundiria com qualquer moça de hoje em dia, sem desconfiar que eram seculares. “A Santidade pelo menos oferece esse privilégio,” disse Teresa de Ávila, ajeitando o vestido de veludo amarelo que costumava vestir quando recebia as autoridades que buscavam seus aconselhamentos políticos e filosóficos. Vaidosa? Não, ciente de sua beleza e intelectualidade.

Veja o ensaio na íntegra.


Ocupa, resiste e espalha

De Belém a Porto Alegre, câmaras, prefeituras, assembleias legislativas, praças e outros espaços foram ocupados para sofisticar o debate sobre as insatisfações que levaram às marchas.


Câmara Municipal de Belo Horizonte — Julho
Câmara Municipal de Porto Alegre — Julho
Câmara Municipal de Belém — Julho
Assembléia Legislativa do Espírito Santo — Julho
OCUPA CABRAL Casa do Governador Sérgio Cabral, Rio de Janeiro — Julho
Palácio dos Bandeirantes, São Paulo — Julho

Conheça nosso especial sobre as Ocupações no Brasil.


“Eu fui educada pra ser uma burguesinha otária.
Quando completei 16 anos saí de casa e fui morar sozinha na favela — Rocinha, Vidigal e Cidade de Deus — ao mesmo tempo comecei a trabalhar com vendas em um banco.

Via aquela gente soberba, milionária, já vi muita coisa bizarra. Quando chegava em casa via a polícia agir de maneira fascista com a população pobre. Chegar até aqui foi um processo. Ja tive ideia socialista, ja tive ideia anarquista, tudo estudado pela internet.”

Foi no Ocupa Cabral o nascimento de Emma, black bloc de 25 anos, que se transformou em referência da tática com suas atitudes e discursos nas transmissões ao vivo ou com o grande acesso da grande mídia.
post original.

Foto: Ana Carolina Fernandes


Crianças da favela da Rocinha correm pelo Túnel Zuzu Angel durante ato em protesto ao desaparecimento do pedreiro Amarildo

Filhos de Amarildo, Rio de Janeiro — 30 de Julho

O caso de Amarildo de Souza, pedreiro de 43 anos, morador da Rocinha, tomou projeção nacional devido à falta de respostas rápidas e concretas do governo do estado a seu desaparecimento.

O trabalhador foi detido e levado para a UPP da comunidade no dia 14 de julho durante uma operação da PM. Sua família não voltou a vê-lo.

O caso representa um marco na relação da sociedade brasileira com os direitos humanos. Amarildo virou letra de funk e fortaleceu o debate sobre a desmilitarização da Polícia Militar, o fim da violência nas favelas e o genocídio da população negra e pobre.

Funk do Amarildo — utilizado nos protestos e atos públicos após seu desaparecimento

Roda Viva, São Paulo — 05 de Agosto

Em debate, a crise da mídia comercial e a ascensão de um novo jornalismo articulados em rede, independente e ativista. Silêncio, pede o diretor. O RodaViva vai entrar no ar em 10, 9, 10..

Pablo Capilé e Bruno Torturra no centro do programa Roda Viva, da TV Cultura em agosto de 2013.
“O jornalismo não é mais refém da turma do mesmo de sempre. Ele hoje tá na mão de quem acredita na reinvenção”— Revista Fórum
“Ao afirmarem, sem constrangimento, que a Mídia Ninja está engajada em um projeto progressista, inclusivo e “de esquerda”, os dois entrevistados fazem desvanecer a fumaça da falsa imparcialidade da imprensa” — Observatório de Imprensa
“Using social networks as a platform, Ninja has broken news on police infiltrators and wrongful arrests — forcing the mainstream media into sheepish follow-ups.” — The Guardian
“Roda Viva com Mídia NINJA destaca descompasso entre velha mídia e a nova realidade” —Jornalismo B

Merda na Globo — 31 de Agosto

Manifestantes retiram placa da Rede Globo na sede da Emissora em São Paulo e jogam estrume no prédio.

Durante protesto, manifestantes atiraram fezes humanas e retiram logo da Rede Globo na sede da emissora, em São Paulo (SP). A democratização dos meios de comunicação e a luta pelo Marco Civil da Internet se tornaram pautas centrais por todo país após Junho. Acesse o post original.


“É uma violência simbólica proibir o uso de máscaras. Dia 07 de setembro todos deveriam ir às ruas mascarados!”
— Caetano Veloso, Black Bloc

Acesse o post original.


Estado de Fúria — 07 de Setembro

Manifestantes são atingidos por bomba de efeito moral durante repressão da Polícia Militar de São Paulo.
Foto: Drago/SelvaSP

Um dos episódios mais explosivos desde o início das jornadas de Junho, o Sete de Setembro teve o black bloc como ator central de uma trama envolvendo abusos políciais, prisões arbitrárias e a repressão sistêmica da população pelo estado.

O curta metragem “Sete de Setembro” do coletivo 12pm Photographic foi um marco na produção audiovisual do perídodo.

…porquê quis.

A arbitrariedade da ação da Polícia se cristaliza também nas infelizes palavras do Capitão Bruno, do Batalhão de Choque de Brasília. “Porque eu quis” se tornou a piada infame do abuso de poder.

Vídeo: Nós, Temporários.

Todos contra todos, Síria — 9 de Setembro

O fotógrafo Gabriel Chaim, colaborador do NINJA, mergulha no conflito da Síria e nos conta sobre os principais acontecimentos no país, assim como o dia-a-dia de quem vive e sofre com as mazelas da Guerra.
Acesse o ensaio completo.


Série de fotografias de Gabriel Chaim em sua imersão pelos conflitos na Síria em 2013

“A própria população síria, que detonou a revolta de forma espontânea e autônoma, e participa ativamente da luta há mais de dois anos, está cada vez mais envolvida num jogo de ideologias e jogos políticos no qual parece pouco importar o seu destino, suas diversidades e suas escolhas específicas.

— texto: Outras Palavras


Cuba no Brasil, Belém — 14 de Setembro

Em 14 de Setembro, a Base Aérea de Belém recebeu o maior contingente de médicos estrangeiros do programa Mais Médicos. Ao todo, 46 mulheres e 16 homens, somando 63 cubanos. O programa, amplamente criticado pelos setores mais conservadores da sociedade e, portanto, pelos grandes veículos, teve uma recepção calorosa das populações de baixa renda e dos interiores do Brasil.


Povos indígenas de diversas etnias montam acampamento em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, durante a madrugada.
Indígena pesca carpas no lago do Congresso Nacional, no fundo, tropa de Choque do DF.

Parlamento Indígena, Brasília — 03 de Outubro

A Semana de Mobilização Nacional Indígena, coordenada por diversas tribos e povos originários do país inteiro, trouxe 1500 indígenas que acamparam em frente ao Congresso Nacional. O objetivo foi pressionar o Governo contra a PEC 215 e PLP 227, defendidas por ruralistas e representantes dos interesses das mineradoras. Leia mais.

Cacique Raoni, líderança indígena Caiapó de 83 anos durante fala na Semana Nacional de Mobilização Indígena. Veja post original
“Os antigos já guerrearam muito. Eu penso que é em paz que deve se dar a relação dos índios com os homens brancos” — Cacique Raoni

Ditadura 2.0, Rio de Janeiro — 16 de Outubro

Dezenas de manifestantes são presos em bloco pela Polícia Militar do Rio de Janeiro

Ao decidir aplicar, contra manifestantes, a Lei 12.850/13, que trata da definição de Organização Criminosa, as autoridades do Rio de Janeiro demonstram sua inclinação à instauração de um Estado de exceção.
Leia mais.


Beagles reais, São Roque — 18 de Outubro

Na madrugada do dia 17 para o dia 18, ativistas resgataram diversos cães da raça Beagle que serviam de cobaia para testes de laboratório no Instituto Royal, em São Roque a 59km de São Paulo. Um ato de protesto foi realizado em frente ao Instituto, na Rodovia Raposo Tavares, onde foram queimados três carros de afiliadas da Rede Globo.
Leia mais.

Foto: Jardiel Carvalo / Rua Foto Coletivo


Shopping para brancos e ricos, João Pessoa — 23 de Outubro

Manifestantes jogam capoeira em frente ao Shopping Center tambiá, em João Pessoa — Paraíba

Com protesto contra o preconceito marcado para porta do Shopping Center Tambiá, em João Pessoa, estabelecimento fecha as portas uma hora antes da festa começar. O Rolezinho tradição, que sempre fez parte da história de resistência do povo brasileiro, já mostrava sua força. Acesse o post.


“Enquanto o trem não passa” — 11 de Novembro

O Brasil é o segundo maior exportador de minérios do mundo. A mineração é uma atividade com graves impactos sócioambientais.

Com a iminência de um novo código minerador, estimulado pelo lobby das grandes empresas mineradoras, sobretudo a Vale S.A., a equipe do NINJA rodou mais de 4 mil km para conversar com lideranças e documentar a realidade dos afetados pelas atividades no país.


Documentário “Enquanto o Trem não Passa”
17'24

Um dos ponto mais marcantes na história da mineração brasileira é o formigueiro humano estabelecido em Serra Pelada, que publicamos no ensaio fotográfico realizado em 1981 por Rudi Böhm, em cor.

Homem segura barra de ouro na região de Serra Pelada, interior do Pará. Ensaio fotografico de 1981 foi publicado na página do NINJA.
Foto: Rudi Böhm
“No final dos anos setenta, na pequena cidade de Curionópolis, interior do Pará, um vaqueiro encontra uma pepita de ouro. A notícia, rápida e ferozmente, se espalha por toda a região. Começa aí a caçada ao El Dorado. Mais de 80 mil homens com altíssimas expectativas e vindos das mais diversas partes do país chegam à Serra Pelada. Inicia-se assim a história da maior
mineração de ouro do planeta.”
Homens trabalhando em Serra Pelada, em 1981. Foto: Rudi Böhm

Adeus Pacaembu, São Paulo — 19 de Novembro

Foto: Gabriela Batista

Assim como aconteceu com o histórico estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, pode ser a vez do Pacaembu cair nas mãos de alguma grande empresa. Leia a matéria completa.


“Nasceu menina. A vida, com seus rituais transformadores, lhe despertou a mulher que tinha dentro da alma. Que pouco a pouco se revelava nas curvas. E mais que ela própria, toda sua aldeia se preparou para o grande momento” — Fábio Chap

Festa da menina moça, Pará — 30 de Novembro

Em novembro, a aldeia Itaputyr — na Amazônia — realizou a Festa da Menina Moça. O NINJA foi convidado para documentar e ajudar a preservar do patrimônio cultural do grupo em texto, foto e áudio.

Rituais na Amazônia são documentados pelo NINJA por convite das lideranças indígenas.

Marco Civil em pauta, Brasília — 3 de Dezembro

O Marco Civil da Internet é uma iniciativa inovadora no mundo que recebeu a alcunha de “constituição da internet”.
O projeto, construído colaborativamente na rede com participação livre e aberta de diversos movimentos, ciberativistas, intelectuais e instituições, busca defender a internet enquanto rede distribuída e livre.

Durante o 5º Congresso Fora do Eixo, em Brasilia, ativistas organizaram uma mobilização para pressionar pela votação do Projeto.
- Post original.


Marijuana Libre, Uruguai — 10 de Dezembro

O Senado do Uruguai aprova uma lei inédita no mundo. A medida prevê a regulação estatal da produção, distribuição e consumo da maconha no país. Basicamente, o governo só não venderá prensado, nem permitirá exploração publicitária em cima do produto.

Fomos cobrir a última marcha da Marijuana Ilegal, a votação histórica e a festa nas ruas do país.


A lei uruguaia é inovadora em vários aspectos, porém parte de premissas já conhecidas e um tanto quanto óbvias para quem se debruça sobre a questão: a maconha é a droga ilegal mais consumida do planeta. É escolha de 80% dos cerca de 200 milhões de usuários de substâncias ilícitas.

Nossos hermanos estão mostrando que, sem valentia, não se resolve problemas de escala nacional.

Clap, clap, Uruguai; finalmente, a planta está livre — leia mais.


Toplessaço — 21 de Dezembro

Uma roda de homens comemora depois que uma menina tira o sutiã em frente ao posto 9. “Mamãe passou açúcar nimim”, diz a camiseta de um orgulhoso heterossexual que se aproxima para tirar uma foto ao lado dela, que o ignora enquanto toma sol.

Sem a presença da polícia, a opressão vem da quantidade de fotógrafos que a cercam como abutres em busca de carne, e gritam, se engalfinham para garantir a foto de seus peitos, como um produto a ser vendido, uma atração turística. Post original.


Tenharim, até o fim — 27 de Dezembro

Indígenas Tenharim tiveram suas casas e pertences queimados e saqueados por fazendeiros e madeireiros do sul do Amazonas. Foto: Gabriel Ivan / Mídia NINJA
“Eu queimo tua casa. Sumo com teus parentes ao achar que você sumiu com os meus. Roubo tua liberdade. Uso o medo. É meu maior trunfo. Abuso. Isolo crianças, não poupo idosos. Planto discórdia e forjo sentimentos. Evoco o ódio e tenho todo o sistema ao meu favor. Adubo a terra com restos mortais e planto papel moeda.”
Anciã Maria Tenharim Cururuí, considerada a biblioteca viva da etnia Tenharim Marmelo, um dos povos indígenas mais antigos do Sul do Amazonas. Foto: Gabriel Ivan/Mídia NINJA

Cercado por reservas indígenas, o sul do estado do Amazonas sofre com a especulação latifundiária desde o início da construção da Rodovia Transamazônica na região, durante a ditadura militar.

A exploração ilegal de madeira e a alta concentração de minérios na região levaram a uma escalada de violência e a perseguição étnica do povo Tenharim, representada pelo ataque a FUNAI — com mais de 11 carros queimados — e ataques diretos à aldeia, com queima de casas e pertences indígenas.
– Post original.

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