Foto: Duda Salabert

ONG em BH oferece cursos gratuitos para transexuais

Entre as opções há cursinhos preparatórios para o Enem, aulas de idiomas e supletivo

Por Aline Beatriz

O projeto TransVest oferece cursos gratuitos no centro de Belo Horizonte para travestis e transexuais, com o intuito de auxiliá-los a ingressar na faculdade e incluir no mercado de trabalho.

“O Transvest é uma ONG que objetiva combater a transfobia e incluir, por meio da educação e da arte, travestis, transexuais e transgêneros na sociedade. A instituição surgiu das mãos de professores voluntários que sentiram a necessidade de democratizar suas práticas pedagógicas e levar uma educação emancipadora a essa população historicamente alijada do espaço escolar”, conta Duda Salabert, professora e idealizadora do TransVest, que completa um ano.

João Maria, ex-aluno da TransVest, conta que a ONG lhe proporcionou uma experiência única. “O TransVest me possibilitou acreditar novamente. Lá eu encontrei pessoas com experiências de vida que eu podia trocar, encontrei a amizade e o respeito. Além de muitas oportunidades, como cursos de idiomas, fotografia, preparatório para o ENEM, oficinas de artesanatos, ocupação de espaços, excursões, atendimento psicológico, assistência social…

Percebo que a minha vida se transformou totalmente desde aquele primeiro dia de aula.”, finaliza.

Também ex-aluna, Tiffany Maria, foi uma das primeiras alunas e conheceu a ONG por meio de uma amiga. “Fiz o curso o ano todo. Tudo que sou hoje, devo ao TransVest, me ajudou muito como pessoa e contribui para meu crescimento educacional. Inclusive, fui aprovada em Direito pela UNA, mas não comecei o curso por causa de uns documentos”, relata.

No começo muitos alunos chegaram com históricos escolares traumáticos, marcados por violência física e simbólica. “Percebemos que os estudantes vinham de experiências escolares traumáticas, que revelam como a sala de aula tradicional configura-se para travestis, em inúmeros casos, um ambiente hostil por ter de maneira implícita e explícita a transfobia presente. O Transvest, ciente dessa triste realidade e acreditando na educação como motor transformador de uma sociedade, busca fazer da prática pedagógica ferramenta de afeto”, afirma a coordenadora.

Dea acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, 90% deste público trabalha com prostituição no país. Além disso, estima-se que a taxa de suicídio de um indivíduo trans seja dez vezes maior do que um indivíduo não trans.

Visibilidade

Para o psicanalista e professor da UFMG, Pedro Castilho, ONGs como a TransVest, trabalham na capacitação de minorias e mostram que esses indivíduos também têm direitos. “Elas trabalham o empoderamento desses grupos e tentem garantir seus direitos na sociedade”, explica.

“Além disso, elas proporcionam uma ocupação desses indivíduos na sociedade que é estruturada em torno da família, do homem, da mulher e dos filhos. Dessa forma, a ONG contribue para uma visão diversificada, principalmente no caso da TransVest, que trata a questão dos gêneros e defendendo o fato de que transexuais são indivíduos que possuem direitos”, finaliza Duda.

Como participar e ajudar?

Atualmente o TransVest conta com 100 matriculas. Para se inscrever no curso basta mandar uma mensagem na página no Facebook, ou ligar no número 31 999 222 666.

Os alunos recebem ajuda psicológica e alimentícia na ONG. “Além do suporte pedagógico e artístico, oferecemos cestas básicas, apoio psicológico e jurídico para as pessoas trans. Pagamos também as passagens e os lanches de nossas alunas. Por não ter apoio do governo, vivemos de doações. Para ajudar nosso projeto, é importante contribuir com o nosso financiamento coletivo”. Explica Duda Salabert.