Quebradeiras de Coco Babaçu

O movimento de mulheres agroextrativistas que lutam pela existência, foram a Brasília na Marcha das Margaridas, mostrar que existêm e garantir na constituição o livre acesso aos babaçuais


A rotina de entrar na mata para catar o coco de babaçu não é fácil. Carregar, às vezes, 40 quilos no ‘cofinio’ — espécie de balaio — na cabeça, porque é impossível entrar com uma carroça, ou mesmo uma moto, na mata.

O coco é retirado por um movimento de mulheres, que desbravam a mata para encontrá-lo. Os coqueiros são nativos do cerrado e da caatinga e estão, predominantemente, nos Estados do Piauí, Maranhão, Tocantins e Pará, locais onde se consolidou o movimento dessas bravas guerreiras.

Do babaçu se retira as sementes, e dela se faz sabonete, óleo, do mesocarpo do coco faz uma farinha que vira bolo, pizza, chocolate e várias outras iguarias que garantem a sustentabilidade de milhares de mulheres do norte do Brasil.

Muitas vezes, as mulheres são impedidas por fazendeiros de terem acesso ao território tradicional onde estão as matas com os babaçuais. Em torno dos conflitos fundiários, surgiu o Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco de Bababaçu (MIQCB), como uma organização para lutar, principalmente, pelo livre acesso às matas. Explica Rosenilde Costa, enquanto anda em meio às milhares de mulheres campesinas: “O processo de regularização da terra, no nosso país, é muito lento. As terras estão com os criadores de gado; elas estão com as grandes empresas; elas estão com o agronegócio. A nossa luta é para que tenhamos livre-acesso aos babaçuais, para que a gente possa continuar vivendo da nossa produção, do nosso extrativismo. Essa é a nossa profissão.”

Com o objetivo de mostrar que existe, e de lutar pelas pautas que garantem a continuidade da existência dessa cultura peculiar e única, o movimento das quebradeiras se organizou em uma caravana de vários Estados para comparecer à Marcha das Margaridas, em Brasília.

O movimento reuniu cerca de 100 mil mulheres — em sua grande maioria, campesinas — , de todas as partes do Brasil. Francisca Silva Nascimento, coordenadora do MIQCB, participou da comissão que construiu o documento de reivindicação que foi entregue à presidenta Dilma Rousseff. “Foi uma grande emoção, para mim, participar desse grupo que ficou mais próximo dela. Mas, nós viemos aqui para participar da marcha, principalmente para garantir que as nossas reivindicações sejam atendidas”.

A marcha foi uma iniciativa para fazer pressão e estabelecer diálogo com o governo federal, mas o movimento realizou também, dentro do congresso federal o lançamento do “Mapa da Região Ecológica do Babaçu”, um georeferenciamento feito pelas comunidades tradicionais da região que identifica diversos pontos em mais de 25 milhões de hectares da região norte.

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