Foto: Deborah Ellen, Liga do Funk

Tássia Reis e Mandinga Jazz esquentaram a Casa Fora do Eixo

por Thaís Tostes, da Mídia NINJA

O segundo Domingo na Casa de 2016 rolou ontem, recebendo a terceira edição paulista da festa carioca TropikAll Vibez. O evento que chega com tudo neste ano em que o Fora do Eixo completa uma década de existência mixou o afrofuturismo da cantora Tássia Reis; o jazz fusion da banda uruguaia Mandinga Jazz; o favela trap, favela bass e global bass do M Shavozo; o som pesado do duo Two Kpz (formado pelos músicos Bout e Lyrio); a identidade sonora da Bad$ista; e a potência frenética da bass culture do Kawo (projeto assinado pelo produtor Hanier Ferrer, idealizador da TropikAll).

Foto: Mídia NINJA

Kawo deu play na ocupação dos ares da festa, às 16h, mandando numa controladora Traktor, posicionada sobre uma “mesa-nave” multicolour toda espelhada, o peso de sons como “O bonde não para”, do MV Bill, “Um bom lugar”, do Sabotage, e “Quem vem lá”, de Rashid e Kamau. M Shavozo pegou a mesa-nave e as caixas estouraram com o refrão “Eu vou roubar uma nave lá da Nasa”, da música “Furdun no espaço”, de WendellSiilva. O set de M Shavozo, monstro do favela bass, também rolou uma versão muito louca de “Baile de favela” (do MC João) e de “Tem que ser monstrão”, do Bill.

Foto: Mídia NINJA
Fotos: Mídia NINJA

Bad$ista chegou pesada na controladora, mantendo a galera no pique do fluxo iniciado por Kawo e Shavozo. Na sequência, o pub da Casa Fora do Eixo de sampa foi ao chão com a produção do Two Kpz — arrasadoramente pesada, deliciosamente envolvente, cariocamente poderosa!

Foto: Mídia NINJA

Tássia Reis, que assumiu o palco por volta das 22h, mostrou seu vozeirão em sons como “No seu radinho”, que diz: “Se eu tocar no seu radinho, vai ser tão bom! Confia em mim! Posso preencher todo o espaço!”. E preencheu, mesmo! O pub da Casa Fora do Eixo ficou pequeno para o som que a artista classifica como “Música Preta Brasileira”.

Foto: Mídia NINJA
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Fotos: Deborah Ellen, Liga do Funk

A Mandinga Jazz, que fechou a noite, é a harmonia psicodélica de sete integrantes e fez sua primeira turnê pelo Brasil, que foi finalizada ontem, no Domingo na Casa. Seu show promove ao público uma verdadeira sinestesia, pois, além de fazer uma fusion do jazz com outros estilos musicais, a banda adiciona ao palco (na parede!) a projeção furta-cor de imagens (inesperada, assim como pede o jazz, e assinada pelo VJ Felipe Bellocq). Mandinga jogou nas caixas algumas de suas tracks de candombe, estilo musical afro-uruguaio que é considerado, pela ONU, patrimônio oral e imaterial da humanidade. O som que a Mandinga fez na terceira TropikAll Vibez em Sampa dialogou muito com o som das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Tássia abriu o show do Mandinga, e a festa, nesse momento, virou algo como um mix de rap-jazz-afro-uruguaio.

Foto: Mídia NINJA

— Essa turnê não seria possível sem o apoio do Fora do Eixo. É muito importante para a cultura desse continente que existam redes como esta. Ela faz tudo ser possível. Tudo custa dinheiro; e muitas coisas ficam difíceis, principalmente para bandas independentes. O Uruguai ainda não tem uma organização como a Fora do Eixo e esperamos que uma rede assim exista lá também! — disse Bellocq, em entrevista à Mídia Ninja.

Fotos: Mídia NINJA

A Casa Fora do Eixo de São Paulo fica localizada no número 282 da Rua Scuvero, no bairro Cambuci, no Centro. O Domingo na Casa é um projeto semanal colaborativo de artes integradas que acontece desde 2011. O evento abre espaço para shows de artistas locais e de outras cidades. Entre em contato: casasp@foradoeixo.org.br