
Espaços híbridos.
O ano de 2016 está sendo chamado de O ano da realidade virtual, isso quer dizer que finalmente temos tecnologia par tornar viável o sonho que nasceu em meados da década de 50. Acredito que quando a realidade virtual encontrar a realidade aumentada, viveremos uma revolução cultural.
O termo culture de Edward Tylor, diz que cultura “é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes, ou qualquer outra capacidade ou habito adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. É uma visão antropológica do significado de cultura, pois aplica o termo cultura à trama total da vida humana numa dada sociedade, à herança social inteira e a qualquer coisa que possa ser adicionada a ela. Qual quer criança normal pode ser educado em qualquer cultura, não existe limites geográficos e nem biológicos. Aforma de agir do ser não está limitada pelas suas funções biológicas, o comportamento dos indivíduos dependem de um aprendizado, de um processo que Laraia chama de endoculturação. “Um menino e uma menina agem diferentemente não em função do seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada”. Nós somos a única especie que desenvolveu cultura e com ela rompemos com nossas próprios limitações físicas e as impostas pelo meio ambiente, só não superamos ainda a morte.
Como eu já falei em Cidade 3.0, estamos caminhando para um espaço hibrido entre o virtual e o físico, a nossa relação com a cidade e com seus habitantes vem sendo modificada com o desenvolvimento de novas tecnologias que superam as barreiras geográficas, as implicações dessa aproximação fazem modificações profundas no entretenimento, educação, política e economia. Dentro dessa concepção de cidade 3.0, podemos trançar um paralelo entre tecnologias que veem sendo desenvolvidas e que em um futuro próximo serão os predecessores de uma nova cultura que será incorporada ao nosso dia a dia.
O projeto Tango da Google, um smartphone que consegue mapear o mundo à sua volta em 3D, com ele você consegue fazer um mapeamento rápido da sua casa e incluir um objeto na sala, só para saber como ficaria aquele sofá do lado do som antes de compra-lo, dá para fazer mapeamentos de prédios inteiros e até ajudar a deficientes visuais a andar por locais desconhecidos sem a ajuda de ninguém. Esse é um exemplo de projeto que representa um grande potencial da realidade aumentada.
Com o desenvolvimentos dessa tecnologia de mapeamento, aliada ao poder de imersão dos óculos de realidade virtual, já podemos imaginar a criação de uma interface do mundo físico, semelhante ao que já foi proposto pelo Google Glass. Poderemos superar os limites impostos pela nossa propiá percepção e observar os diversos mundos que compõem nossa realidade.
Vivemos um destes raros momentos em que. a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado. — Pierri Levy.
A pesar da tecnologia ser uma ferramenta, e eu aqui tratar dela de um ponto de vista antropológico, na prática ela não é isenta de ideologia, temos sempre que questiona-la, quem as produz ? para quem ? e de que forma essa produção acontece ? Temos hoje tecnologia o suficiente para alimentar a todos, mas ainda ha quem passe fome, por que ?
Quem se interessar por realidade virtual indico o excelente Braincast 180 -A Realidade Virtual Contra-Ataca.