Foto: Arquivo pessoal

Respire Fundo

Mais comum do que você imagina, o transtorno de ansiedade afeta 9,3% da população brasileira, preocupações excessivas, insônia e tensões, saiba como devemos identificar e tratar a ansiedade

Michele Costa
Aug 29, 2017 · 4 min read

O Brasil é o país que possui a maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são aproximadamente 18 milhões de brasileiros com o transtorno. A ansiedade seria uma preocupação excessiva ou expectativa apreensiva, que persiste, e possui um difícil controle. Alguns sintomas que atingem o ansioso são a inquietação, a fadiga, a irritabilidade, a dificuldade de concentração, tensão muscular, a insônia, dores de estomago e, até mesmo, o ato de roer as unhas. Como saber quando as preocupações passaram do ponto?

A psicóloga Franciele dos Santos (CRP 08/24703), que atende na área de orientação psicanalítica, explica como é desencadeado esse transtorno. De acordo com ela, é preciso saber diferenciar as formas de ansiedade: a normal e a patológica, esta última merece uma atenção e cuidado, para não prejudicar a vida pessoal “As ansiedades patológicas têm suas raízes ligadas a conflitos individuais de cada pessoa sendo eles conscientes ou inconscientes, gerados nas relações com o mundo” problemas internos, como os familiares, afetivos, vida acadêmica e relações profissionais, que não foram resolvidos, podem vim ser algumas das causas para a ansiedade.

No dia a dia viver com ansiedade tem consequências, como nervosismo e aceleração cardíaca, pode afetar tanto sua vida pessoal, quanto a profissional. No trabalho, por exemplo, a preocupação em terminar uma tarefa pode impedir que a pessoa se concentre e realize o processo, gerando um momento de crise. A jovem Andressa Santos, afirma passar por isso constantemente “Nos momentos de crise, eu perco toda a minha concentração, não consigo completar as tarefas com êxito, acabo evitando o contato com pessoas, principalmente as que eu não tenha uma amizade no ambiente de trabalho.”

A maioria das pessoas, demora muito para procurar um tratamento, por receio de como sera julgada “Já comecei a fazer terapia com um psicólogo, mas, fui poucas vezes, porque não me sinto segura de conversar com pessoas que eu não tenho certa intimidade e afetividade. Além disso, ainda não encontrei palavras para tentar explicar a real situação que eu passo. ” diz Andressa.

Na clínica, onde a psicóloga Franciele trabalha, a ansiedade é uma queixa comum, de homens e mulheres, mas apresenta dominância entre jovens e adolescentes, fase em que os indivíduos ficam inseguros consigo mesmos e o futuro, e tem a autoestima comprometida.

Conforme Franciele, o ideal é procurar ajuda profissional, pois, o isolamento e a perda de autoestima são algo muito comuns no ansioso “A pessoa com transtornos graves de ansiedade se vê na grande maioria dos casos, incapaz, com medo de tudo e todos, principalmente do julgamento das pessoas” tais atitudes de introspecção, podem desencadear um quadro de depressão. Quando o transtorno do ansioso, ainda não atrapalha sua vida cotidiana, a melhor forma de lidar com isso, é procurar atividades que deem prazer. Contudo, caso sinta que de alguma maneira isso está afetando sua vida, a melhor opção é procurar a ajuda profissional.

A enfermeira Maíra Charal, trabalha no Hospital Psiquiátrico de Maringá (HPM), ela conta que o hospital atende um número considerável de pacientes com ansiedade, a maioria deles com outras patologias, que acaba levando os pacientes a outras condições de saúde física e mental, e até mesmo o abuso de substancias ilícitas. A melhor forma de tratamento indicada são as terapias ocupacionais e coletivas, acompanhada de medicamentos necessários, mas Maíra afirma acima de tudo, o quanto é importante ouvir o outro “Nós enfermeiros buscamos sempre ouvir, e tentar entender porque a realidade de um paciente com ansiedade é diferente da nossa. Às vezes uma simples conversa pode resolver muita coisa. ”

Franciele, explica que a melhor maneira de lidar com pessoas ansiosas, é estar realmente ali, acolher e manter a calma, demonstrar que se importa, ajudá-la a encontrar um ritmo menos acelerado de respiração, segurar sua mão, dizer : eu estou aqui, não se preocupe. Até que lentamente ela possa encontrar o mínimo de alívio para o sentimento de aniquilação e insegurança que pode estar passando.

A principal ajuda a uma pessoa com ansiedade, é saber ouvir sem julgá-la, pois a forma como cada pessoa sente é diferente, saber respeitar os limites da pessoa ao nosso lado é essencial, “Comentários pejorativos, ironias, murmurinhos e olhares de desaprovação, definitivamente não contribuem em nada. Tratar a pessoa como um ‘pobre coitadinho’ também não. Todos nós sem exceção, estamos sujeitos a passar por alguma limitação em nossas vidas a qualquer momento, e nem por isso deixaremos de ser quem somos. ” diz Franciele.

Youtuber Gabrielle Piferro relata em seu canal “Sou Penso Ajudo” como é viver com o Transtorno de Ansiedade

)
Michele Costa

Written by

20, Journalism student.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade