
Respire Fundo
Mais comum do que você imagina, o transtorno de ansiedade afeta 9,3% da população brasileira, preocupações excessivas, insônia e tensões, saiba como devemos identificar e tratar a ansiedade
O Brasil é o país que possui a maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são aproximadamente 18 milhões de brasileiros com o transtorno. A ansiedade seria uma preocupação excessiva ou expectativa apreensiva, que persiste, e possui um difícil controle. Alguns sintomas que atingem o ansioso são a inquietação, a fadiga, a irritabilidade, a dificuldade de concentração, tensão muscular, a insônia, dores de estomago e, até mesmo, o ato de roer as unhas. Como saber quando as preocupações passaram do ponto?
A psicóloga Franciele dos Santos (CRP 08/24703), que atende na área de orientação psicanalítica, explica como é desencadeado esse transtorno. De acordo com ela, é preciso saber diferenciar as formas de ansiedade: a normal e a patológica, esta última merece uma atenção e cuidado, para não prejudicar a vida pessoal “As ansiedades patológicas têm suas raízes ligadas a conflitos individuais de cada pessoa sendo eles conscientes ou inconscientes, gerados nas relações com o mundo” problemas internos, como os familiares, afetivos, vida acadêmica e relações profissionais, que não foram resolvidos, podem vim ser algumas das causas para a ansiedade.
No dia a dia viver com ansiedade tem consequências, como nervosismo e aceleração cardíaca, pode afetar tanto sua vida pessoal, quanto a profissional. No trabalho, por exemplo, a preocupação em terminar uma tarefa pode impedir que a pessoa se concentre e realize o processo, gerando um momento de crise. A jovem Andressa Santos, afirma passar por isso constantemente “Nos momentos de crise, eu perco toda a minha concentração, não consigo completar as tarefas com êxito, acabo evitando o contato com pessoas, principalmente as que eu não tenha uma amizade no ambiente de trabalho.”
A maioria das pessoas, demora muito para procurar um tratamento, por receio de como sera julgada “Já comecei a fazer terapia com um psicólogo, mas, fui poucas vezes, porque não me sinto segura de conversar com pessoas que eu não tenho certa intimidade e afetividade. Além disso, ainda não encontrei palavras para tentar explicar a real situação que eu passo. ” diz Andressa.
Na clínica, onde a psicóloga Franciele trabalha, a ansiedade é uma queixa comum, de homens e mulheres, mas apresenta dominância entre jovens e adolescentes, fase em que os indivíduos ficam inseguros consigo mesmos e o futuro, e tem a autoestima comprometida.
Conforme Franciele, o ideal é procurar ajuda profissional, pois, o isolamento e a perda de autoestima são algo muito comuns no ansioso “A pessoa com transtornos graves de ansiedade se vê na grande maioria dos casos, incapaz, com medo de tudo e todos, principalmente do julgamento das pessoas” tais atitudes de introspecção, podem desencadear um quadro de depressão. Quando o transtorno do ansioso, ainda não atrapalha sua vida cotidiana, a melhor forma de lidar com isso, é procurar atividades que deem prazer. Contudo, caso sinta que de alguma maneira isso está afetando sua vida, a melhor opção é procurar a ajuda profissional.
A enfermeira Maíra Charal, trabalha no Hospital Psiquiátrico de Maringá (HPM), ela conta que o hospital atende um número considerável de pacientes com ansiedade, a maioria deles com outras patologias, que acaba levando os pacientes a outras condições de saúde física e mental, e até mesmo o abuso de substancias ilícitas. A melhor forma de tratamento indicada são as terapias ocupacionais e coletivas, acompanhada de medicamentos necessários, mas Maíra afirma acima de tudo, o quanto é importante ouvir o outro “Nós enfermeiros buscamos sempre ouvir, e tentar entender porque a realidade de um paciente com ansiedade é diferente da nossa. Às vezes uma simples conversa pode resolver muita coisa. ”
Franciele, explica que a melhor maneira de lidar com pessoas ansiosas, é estar realmente ali, acolher e manter a calma, demonstrar que se importa, ajudá-la a encontrar um ritmo menos acelerado de respiração, segurar sua mão, dizer : eu estou aqui, não se preocupe. Até que lentamente ela possa encontrar o mínimo de alívio para o sentimento de aniquilação e insegurança que pode estar passando.
A principal ajuda a uma pessoa com ansiedade, é saber ouvir sem julgá-la, pois a forma como cada pessoa sente é diferente, saber respeitar os limites da pessoa ao nosso lado é essencial, “Comentários pejorativos, ironias, murmurinhos e olhares de desaprovação, definitivamente não contribuem em nada. Tratar a pessoa como um ‘pobre coitadinho’ também não. Todos nós sem exceção, estamos sujeitos a passar por alguma limitação em nossas vidas a qualquer momento, e nem por isso deixaremos de ser quem somos. ” diz Franciele.
