Reflexões de inverno sobre mudança

Rio, 21/06/2017

Meus olhinhos de hamster em um mirante bonito

Primeiro dia de inverno. Ontem choveu tanto que alagou a cidade. A minha relação com chuva, outono e inverno não é das melhores. Na verdade, meu estado de espírito fica bem pra baixo.

Ontem li um texto por aqui que me lembrou sobre a nossa conexão como seres humanos com as estações da natureza. Mesmo que hoje essa conexão seja muito frágil, por conta de todas as artificialidades que inventamos e que acabam por nos afastar de nosso planeta. Mas eu já tinha lido sobre isso antes.

Cada estação tem suas características principais. No outono e no inverno faz mais frio, chove mais, os dias são mais curtos e as noites são mais longas e ambos também são mais nublados, especialmente no inverno. No outono, as árvores vão perdendo as folhas e no inverno ficam nuas, galhos pelados.

No outono, que começou em março e terminou ontem, eu fui perdendo as minhas folhas também. Garotos com quem transar, medo de viajar sozinha, dinheiro na poupança, garotos com quem flertar, aulas na faculdade, interesses românticos em geral, necessidade de redes sociais e finalmente o medo de estar sozinha.

Em junho, senti vontade de morrer duas vezes. Mas a verdade é que eu estou mesmo morrendo. A jovem que se afundava no fato de ter escolhido a graduação errada para si, que era incapaz de passar meses sem ninguém, que se desesperava com assuntos como dinheiro e carreira e deixava os pensamentos ansiosos a sufocarem. Ela está aos poucos dando lugar a uma jovem mais madura, mais observadora, que faz as coisas que gosta em vez de apenas desejar que pudesse fazê-las.

Desde que passei a plantar minha lua (meu sangue), sinto a conexão com a Terra mais profunda. E com a própria Lua também. As mulheres que menstruam possuem fases marcadas por ela. Quatro fases por mês, além das quatro estações do ano que influenciam a todos.

O que consigo tirar dessas observações e aprendizados é que a vida é feita de fases. Todos sabemos disso, não é novidade. Mas quantas vezes conseguimos entender de verdade o que isso significa? Estamos mudando o tempo todo e com isso o mundo que nos cerca também muda. Algumas coisas são constantes, no entanto, e devemos prestar uma atenção especial a elas.

Eu vejo a vida como uma árvore fincada em algum lugar verde. As estações vão passar ao seu redor, tirando suas folhas aos poucos, dando-lhe novas e até mesmo flores e frutos em algumas épocas. Em outras ela fica aparentemente sem nada, com aparência de morte. Mas até o seu fim, tudo vai se repetir e não adianta ela se apegar a algumas fases e detestar outras, pois isso não impedirá que elas voltem a acontecer. A mudança é constante, assim como a árvore, que é a maior constante de todas.

Ela nos representa, nós que somos a maior certeza de nossas vidas. Depois vem a morte e depois vem a mudança. A vida sempre acontecerá com a gente. Com este corpo, esta mente, esta alma. Acho que quanto mais cedo nós aceitarmos que o que estamos vivendo agora logo mudará, mais “fácil” será ter uma vida mais tranquila e até feliz.

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