Estratégia x Tive uma ideia

Dono do produto: “- Estava pensando no produto no domingo à noite e tive uma ideia, vamos fazer uma reunião?”. Quem nunca ouviu isso?

A estratégia de UX não deve servir para brilhar os olhos de POs, gerentes, diretores ou donos de produto, deve servir para resolver problemas reais de usuários reais, obviamente em comum acordo com a rentabilidade do produto. A pergunta é: como o UX acontece antes dessa ideia inesperada em um domingo à noite?

O UX amadureceu, passou de um membro em uma equipe de Devel — O Arquiteto de informação -, evoluiu para dominar a área de research (pesquisas e mais pesquisas), pincelou todos envolvidos no produto, agora o Designer é UX, o Front é UX, o Dev é UX, ensinou como gerentes de produtos devem ter uma ótica de UX, catequizou equipes multidisciplinares a dialogar mais, entrou nas metodologias de processo (LeanUX) e agora ele tem chegado no seu lugar mais nobre: na estratégia.

É totalmente possível montar estratégias de negócio usando todo mindset de UX, basta você tirar os olhos viciados no GA e começar a enxergar quem são as pessoas por trás dos gráficos e claro, fazer todos os interessados no produto enxergarem o valor desse movimento que deve ser totalmente cultural.

Estratégia com UX

Os números do GA nos ajudam a encontrar pequenos problemas que acontecem dentro do contexto do nosso produto, são gaps que foram negligenciados e que de fato tem boas oportunidades de melhoria. No entanto, se você quer enxergar uma oportunidade de inovação verdadeira, o GA ou qualquer outro Web Analytics não vão te fazer conhecer a fundo as demandas dos seus clientes, para isso existem outras análises que cumprem melhor o papel. Aqui vai resumidamente algumas delas:

Business Model Canvas:

Antes de entender mais a fundo as dores dos seus clientes é importante entender o contexto em que seu negócio está inserido, — como ele funciona, quais as propostas de valor que ele pretende entregar -, pra isso o Business Model Canvas age como um facilitador.

Um quadro de modelo de estratégia de negócio com pontos fundamentais para serem preenchidos pelo time de produto e outros interessados. Nele vão pontos como: quais os principais parceiros, atividades chaves, proposta de valor, relação com os clientes, segmento do mercado (“o cliente é todo mundo” não existe!), entre outros. Tudo é preenchido geralmente com post-it e acontece como uma atividade em grupo, todos devem participar.

Mesmo em produtos que já estão no mercado, essa documentação do modelo de negócio é importante para direcionar os projetos e os times. Não ter uma modelo de negócio acessível aumenta o risco de cada um do time ter um visão diferente das suas características, deixando tudo mais complicado e refletindo diretamente na entrega final para o cliente.

Saiba mais sobre o Business Model Canvas.

Empathy map — Personas

Ferramentas, técnicas, modelos, mapas… Nada disso importa se o seu time não estiver verdadeiramente comprometido a entregar valor para seus clientes. Quando esse desejo acontece é possível utilizar técnicas para entender melhor seus usuários.

Coloque um mapa de empatia na frente de gerentes e coordenadores de produto que NÃO tem esse interesse e você fatalmente vai ver a cara de “porque estamos perdendo tempo com isso?”
Agora, se o time está comprometido, você deve fazer um mapa de empatia.
Aqui é onde você vai entender o seu cliente de forma mais honesta e intima, no geral através de um bate papo — não é pesquisa, não é entrevista é um bate papo! É importante manter o foco no objetivo do seu produto, mas também deixar a conversa acontecer, entender a rotina do seu cliente, seus anseios, suas dores e claro, anote tudo.

O GA ainda é importante, é com dados quantitativos que você vai traçar os perfis dos seus clientes mais comuns para você bater esse papo, são deles que informações preciosas devem aparecer.

Faça download do mapa de empatia.

The Value Proposition Canvas

Agora é hora de dar zoom dentro do Business Model Canvas em dois aspectos fundamentais do negócio: O que eu vou vender? (Oferta de valor) e Para quem eu vou vender? (Segmentos de clientes). Esse zoom é importante para entender em quais pontos o seu produto esta realmente sendo relevante para o seu cliente.

Usando também o mapa de empatia você vai fazer um exercício simples de descobrir onde o seu produto esta agindo para sanar um anseio ou atividade do cliente e onde ele não está presente.

Do lado esquerdo o Mapa de Criação de Valor, ou seja, o que o seu produto oferece, neles os campos são: Criadores de ganhos, Produtos e serviços e Atributos analgésicos.

Do lado direito o Mapa de Entendimento da Necessidade do Cliente, neste ponto o mapa de empatia vai ajudar a responder: Ganhos, Atividades do Cliente e Dores.

Compare os campos para encontrar gaps de necessidades ou tarefas que seus clientes não conseguem realizar, essas informações não aparecem em números, mas são de extrema importância para entender quais ações são as mais valiosas pra os times envolvidos no projeto.

Saiba mais sobre o Value Proposition Canvas

Por fim…

Não apoie ideias de domingo à noite, estimule os envolvidos no projeto a ouvir seus clientes e fazer atividades internas que facilitem o uso destas informações. O papel do UX nesse caso é facilitar, tornar possível cada uma dessas etapas.

Então, você, PO, AI, UI, Dev, Front e envolvidos, quando pingar mais uma tarefa na sua lista do Asana ou mais um card no Trello, antes de você correr para entregar essa “tarefa” deve se perguntar: qual foi a estratégia para chegarmos nessa solução?