Aqueles que pisam descalço: a yggdrasil das gerações.

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.
De acordo com os nórdicos, a árvore yggdrasil é o eixo do mundo. Seu tronco se divide entre os nove mundos da cosmologia nórdica e é responsável por ligar mundos e fundos, basicamente. Em suas raízes se encontra o Niflheim, o mundo da escuridão profunda, em seu tronco temos o mundo material dos homens, Midgard e no topo teremos Asgard e Valhala, o “paraíso” daqueles que morrem com honra em batalha.
Independente das peculiaridades de cada plano (podemos chamar isso de plano?Podemos. O texto é meu mesmo) todos tem yggdrasil em comum. Eis aí o ponto de equilíbrio do mundo nórdico.
Existe, entretanto, outro ponto de (des)equilíbrio muitíssimo curioso por aqui — aí também, ali também, lá também…- que é o curioso sintoma do “agora vai”. Cada nova geração quer fazer tudo diferente. Sempre(o primeiro passo para não ser diferente é querer fazer exatamente tudo diferente). O indivíduo geralmente bate no peito dizendo que vai fugir dos padrões, quebrar essa “mesmice” e inovar. Sabe como é, né? Com ele agora vai!
Esse nosso ponto de (des)equilíbrio é sempre o sinal de fumaça que antecipa os primeiros erros. Assim como yggdrasil atravessa os nove planos, essa mentalidade atravessa gerações e mais gerações. Toda geração quer fazer tudo diferente e tudo sempre permanece igual. De tanto querer mudar, não se muda mais.
Se eu acho que a mudança é importante? Acho. Sempre? Não. Com alguma constância? Depende.
Mudar por mudar é o lema. É o poder do tédio agindo sobre a mente dos jovenzinhos que mal aprenderam a pedir e já querem exigir. De costas para tudo e de frente para a imensidão os seus olhos virginais chegam a resplandecer até que a realidade vem. E aquele cara que queria mudar o mundo vai se enrolando no casulo, ficando igual a todos os caras que queria mudar o mundo e abraçar o novo. E talvez, quem de fato faça algo diferente seja aquele indivíduo que nunca tenha cantado mudança, nunca tenha gritado pela diferença e simplesmente tenha caminhado, lentamente, passo por passo e feito. Falou menos e fez mais. Afinal, geralmente quem grita é porque não está fazendo e, quem está fazendo não tem como gritar.
