Cigarettes and Fireflies

Quantos dias se passaram desde o ultimo inverno?


O silêncio se tornou uma constante.

O telefone já não toca mais, talvez nunca sequer tenha tocado, eu não me lembro mais. Já nem sei mais por quanto tempo estou aqui esperando por alguém para dividirmos um chocolate quente e quem sabe um cobertor — mas no fundo, eu já sabia que não viria ninguém.

Quanto tempo se passou sem eu nem perceber?

Sinto como se esse momento já tivesse se repetido umas outras mil vezes na minha vida. Acordo todas as manhãs preso nesse mesmo dia, entre pernas abertas de desconhecidos e garrafas vazias. Acendo um cigarro, e tento apenas sobreviver mais uma vez a essa maldita rotina.

O sol ofusca meus olhos, talvez na inútil tentativa de me lembrar que ainda estou vivo, de que talvez ainda exista algo lá fora que possa me fazer ir além das velhas janelas sujas do meu quarto.

Mas eu não quero pensar nisso, pelo menos não hoje, pelo menos não agora.

Olho no espelho e não vejo mais nada, nada além de um rascunho mal feito de quem eu já fui um dia. De alguma maneira, sem perceber, o tempo tinha se encarregado de corroer tudo o que um dia havia em mim.

A única coisa que me sobrou naquele momento era uma vontade descomunal de querer gargalhar alto, mais tão alto, a ponto de poder ouvir toda a solidão contida na minha voz misturando-se ao eco daquele silêncio ensurdecedor que a tempos consumia a minha mente.

Como foi que eu cheguei até aqui? Perdido infinitamente na infinita busca de algo, na falsa esperança de que, quando eu acordar no dia seguinte, tudo estará bem.

[…] Watching the days burning out like a cigarette, just a few drags to go. You built me up and you broke me down, somehow
Like what you read? Give Fernando Montuan a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.