Análise de um movimento de direitos

A ação feminista contemporânea torna-se cada vez mais corruptível pela associação para com um esquerdismo decrépito e falacioso, deixando os direitos de liberdade individual feminina para adequar-se a pautas de interesse de um coletivo aristocrático mascarrado com falsa dor e adequação a grupos desfavorecidos como artifício de formação de militâncias servis para se alcançar o poder.

A luta pelo direito à liberdade individual, especificamente feminina que, como nos mostra a história, de fato sofrera maiores impeditivos em sua formação, fora deixada de lado na atual luta “feminista”, a qual tornara-se mais preocupada em tornar as mulheres pseudohomens, querendo lhes atribuir a igualdade de ser e fazer tudo de uma mesma forma que o público masculino e esquecendo-se da própria subjetividade humana, a qual permite transcendermo-nos a nós mesmos e transpor obstáculos de múltiplas maneiras.

Dever-se-ia compreender o ser humano, seja macho ou fêmea, como uma jóia inigualável, a qual apresenta seu brilho específico e lápida a si mesma, todavia não o fazem, lutam tresloucadamente de maneira muitas vezes amoral ou ferindo os direitos de outrem. Ser mulher ou ser homem não deveria ser compreendido como fator determinante para a formação individual, porquanto o indivíduo é responsável por seus próprios atos, sendo a ação o único elemento capaz de significar o ente racional. O ser humano está sentenciado a criar a si mesmo e arcar com as responsabilidades de sua autoformação.

Muitos dos grupos que hoje se dizem “feministas” na realidade não o parecem ser em minha concepção, pois tomam atitudes semelhantes àqueles a quem criticam, os homens que julgam o sexo feminino como impeditivo para se realizar determinadas ações ou com a mesma qualidade com que o fariam. Compreendo que uma atuação que almeja-se a quebra do paradigma de determinação através do sexo e engaja-se a luta pela liberdade individual, independente de fatores externos, seria o melhor caminho a ser trilhado para a formação de uma sociedade mais igualitária e com inclusão econômica, política e social de todos os grupos sem distinção de seus elementos.

Não escrevi este texto para rebaixar a luta pelo direito feminino nem para negar que em nossa sociedade haja ainda preconceitos relacionados ao sexo (pois o há, e em grande quantidade ainda), todavia o faço com o caráter de demonstrar que até mesmo movimentos relacionados a grandes nomes do pensamento, como Simone de Beauvoir, podem sofrer influências externas e distanciar-se de seus objetivos iniciais e decaírem em militâncias irracionais que lutam individualmente encobertos por falsas armaduras que deveriam ser representativas de um coletivo de direitos, mas não o são.

Não solicito que cessem vossas ações, entretanto almejo que o senso crítico faça-se mais forte nos meios que lutam pela liberdade e pela efetivação dos direitos, independente de qualquer fator externo. Desejo prosperidade na luta feminina e que um dia possamos compreender nossas igualdades e diferenças sem julgá-las como empecilhos de convivência e sim como a mão amiga e o braço forte que sustentam a humanidade.

(Este texto não objetiva trazer resposta definitiva sobre o assunto, é ainda demasiadamente superficial para tal, contudo serve como um artifício para se discutir a condução de nossa sociedade e a representatividade dentro dela. Peço, aos que discordarem ou concordarem, que acrescentem seus comentários, para que diversos pontos de vista possam ser observados e possamos ter uma discussão que nos presenteie com conhecimento ao invés de nos vender dogmas, como muitos o tem feito).

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