É ok não saber para onde se está indo

Estude, namore, aprenda o idioma dos negócios, gradue-se, noive, arrume um emprego, compre uma casa, case, tenha filhos, faça uma carreira de sucesso, etc, etc, etc. Poderíamos acrescentar diversas outras normas nesse modelo, tradicional e devidamente adequado para aquilo que o ser humano tanto almeja: uma vida feliz. É, mas parece que as coisas não são bem assim.

Muita gente já começa a vida com as coisas fora do lugar, de cabeça pra baixo. Pode ser o seu caso, eu não sei. O meu, em partes, foi. E eu vim aqui só para dizer que não há nada de errado e de impossível em ser feliz daquela forma-padrão citada no primeiro parágrafo, mas, por favor, entenda que essa não é a única maneira. Somos pessoas com possibilidades de vida tão diferentes, remotas, fragmentadas, plurais, que é simplesmente inconcebível a ideia de que uma única lógica de modelo de vida seja resultante em felicidade.

Para falar a verdade, a felicidade, veja bem, nunca será o resultado das coisas. A felicidade, na verdade, é o processo, e isso não é uma grande novidade, embora muitos se esqueçam. Particularmente, eu chego à essa conclusão quando reflito sobre o meu percurso da graduação. O que aconteceu naquele momento da minha vida foi tão profundo e transformador que um diploma, antes tão esperado, se tornou muito pequeno frente às minhas realizações diárias. Naquele momento da minha vida eu cresci como ser humano e cresci espiritual e intelectualmente.

Ainda assim, a vida prega peças e tudo pode mudar de repente. Você pode não ter tido ainda uma experiência transformadora, ou talvez tenha tido e ainda não tenha se dado conta. De qualquer forma, é possível perceber que existem diversos modelos não-convencionais de felicidade. A felicidade pode estar na adoção, numa vida sem casamento, na dedicação à uma causa humanitária (ou em qualquer outra causa que se julgue nobre), na realização profissional que não tem a remuneração como critério primordial de sucesso, etc.

Mesmo assim, sabemos que nem todas essas possibilidades estão ou são tão claras. Tem muita gente perdida por aí, agora mesmo. É o meu caso em certos aspectos, pode ser o seu caso em outros. Ninguém nasce com objetivos definidos. Ninguém está livre de, quando decididos, um súbito desejo ou despertar acabe por mudá-los. Mas nunca se esqueça: objetivo é o fim de um processo, e não é nele que está a felicidade.

A vida não para mesmo que você não tenha nenhum alvo, nenhuma perspectiva do que fazer. Isso pode parecer muito, muito ruim. Mas não é. É ok não saber para onde se está indo, acredite. Mesmo andando sem direção na vida (por pouco ou muito tempo), um processo está acontecendo. Todos os dias pessoas irão cruzar o seu caminho. Todos os dias uma situação nova será coloca diante de você. Todos os dias você vai ouvir o chamado de um objetivo, e você terá o livre-arbítrio de agarrá-lo ou deixá-lo ir mais uma vez. Não tem problema. A nossa vida só precisa ser interessante, provocativa a nós mesmos, inquietante, mas nunca a ponto de ser um fardo. Precisa ter valido a pena pelas pegadas que deixamos para trás.

Existem muitos méritos diferentes que podemos alcançar. Enquanto todo mundo está focado em ter uma família, casar, fazer dinheiro, ter carro e casa, nem sempre esses mesmos se preocupam com o autoconhecimento, com os vínculos duradouros de uma amizade, com as culturas e seus pontos de vista e tantas outras coisas tão importantes quanto aquelas primeiras. Quem está disposto a encontrar a felicidade lá fora sem procurá-la primeiro em si mesmo?

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