O maior esquadrão marginal de todos os tempos

O futebol e a vida

Todo brasileiro sonha em ser jogador de futebol. Todo garoto brasileiro imita os jogadores do seu time do coração quando brinca com os amigos. Eu 
brincava de ser Cleber Santana.

Torcer pro Santos nos anos 2000 foi um misto de sentimentos. Aprender a ser a estrela da festa de 2002 a 2004, para depois aprender a ser underdog com um time mais tímido que os grandes rivais.

Nesse meio tempo, comemoramos títulos estaduais mesmo com elencos limitados, com esquemas bem armados e jogadores chave. Um deles era dono de uma pancada na perna direita. Não havia chute mais forte que o dele, e entre 2006 e 2007, não havia goleiro que respirasse aliviado quando o Santos tinha uma falta pra cobrar.

Brincando de bola, troca de passes, bola pra lá e pra cá, ajeita pra quem chega batendo e “Cleber Santaaaaana”.

Pernambucano, que ao vencer no Santos credenciou-se a rodar os caminhos onde a bola pode levar. Da Espanha ao Flamengo, até chegar em Santa Catarina. Dono do meio campo do Criciúma, se encontrou na Chape. Era o líder do time mais notável da história do grande clube. Sim, a Chapecoense é grande.

É grande e é marginal. É do interior mas competiu de igual pra igual com alguns dos maiores clubes do continente. É clube empresa, mas é o clube de uma cidade apaixonada. É tudo isso, e não vai deixar de ser.

Cada morte (e cada vida) carrega uma história. Essa é só a minha. A vida é só um detalhe. Um amontoado de narrativas criadas por sonhos e guiadas por nossa perseverança em persegui-los, que por sua vez definem a intensidade que vivemos. Esses caras viveram com tudo o que podiam. Tanto os atletas quantos os profissionais da imprensa que emocionaram os marmanjos por todo o Brasil a cada vitória. “É o espírito de Condá”, dizia Deva Pascovicci depois das defesa monumental que selou a classificação pra final inatingível.

O maior feito da história do clube. Feito. Tudo o que podia ser feito, foi. Onde era possível chegar eles chegaram. Mereciam muito mais. E sempre merecerão. O futebol imita a vida, mas as vezes a realidade intercede na epopeia fictícia da vida da bola. Nós criamos personagens, heróis, zebras, azarões, mas infelizmente uma vez ou outra somos obrigados a lembrar que fora do estádio também existe vida e tudo o que gira em volta dela.

#ForçaChape