Bowie e a Moda Genderless

Além de gênio da música e responsável por hits que influenciaram gerações, Bowie deixou um legado incontestável no mundo das artes, cinema e no universo fashion. Sem o menor medo de ousar, questionar, quebrar paradigmas e de se reinventar, Bowie foi além figurinos e maquiagens exageradas. Ele definitivamente estava à frente de seu tempo e ajudou a construir as bases da moda genderless.

A História

No final dos anos 70, David já ousava com seus looks e caminhava para a neutralidade de gêneros, antes mesmo do mundo da moda despertar para essa nova era.

Em 1972, David assumiu seu alter ego, Ziggy Stardust, um rockstar vindo do espaço que cantava sobre um futuro decadente em The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spider from Mars. Bowie sempre demonstrou fascínio pela androginia. Sua paixão por cabelos longos, maquiagem, pantalonas, vestidos e bolsas demonstravam muito bem isso.

Fora do padrão

Para Bowie, no entanto, essa rejeição da masculinidade convencional não era apenas sobre gênero — era fugir ao que significava ser humano. Em uma entrevista, ele comentou “Eu sempre tive uma necessidade repulsiva de ser algo mais do que humano.’’

A ideia principal da moda genderless, é propor um olhar além da estética e desconstruir padrões que há muito tempo foram enraizados na sociedade e em nossas mentes. Masculino ou feminino pouco importa, o principal é se sentir bem com o próprio corpo, ter autoridade sobre si e se sentir livre para fazer as próprias escolhas. Isso soa familiar?

Influência Fashion

Tamanho o legado, Bowie até hoje inspira coleções de grandes marcas como Vogue, Armani, Dior e Givenchy. Em 2013, virou tema de exposição no Victoria & Albert, em Londres. A mostra contou a história de sua brilhante carreira por meio de fotografias, objetos, roupas e até os cenários mais marcantes dos seus shows. E nem precisamos falar que os looks foram o destaque dessa exposição. O camaleão do rock mundial também foi homenageado na coleção de alta costura da Dior, assinada por Raff Simons no verão de 2015.

Não podemos deixar de mencionar o tapa-olho de Bowie que virou um símbolo do glam rock, e juntamente com o visual pirata e o raio, tornou-se sua assinatura oficial e serviram de inspiração para diversos editoriais de moda, como o da Vogue Russia em 2013.

Genderless hoje

Grifes mundiais e nacionais também apostaram suas coleções no sem gênero. LAB, Armani, Prada, DKNY e Gucci são algumas das que se inspiraram na moda sem regras. Jaden Smith, recentemente, posou para um editorial de coleção da Louis Vuitton, onde aparece ao lado de quatro modelos, usando peças desfiladas nas passarelas por mulheres.

LAB
Gucci

Jaden também anunciou o lançamento de uma marca de roupas com looks sem gênero, a MSFTS. E comentou que a marca é para ”todas aquelas meninas que querem usar roupas masculinas e meninos que querem usar saias sem serem condenados”.

Nós da Muv também acreditamos que as decisões sobre o corpo de cada um e sobre a forma como cada pessoa escolhe expressar sua individualidade deve caber a ninguém mais que à própria pessoa. A gente acredita que diversidade de sexualidade, gênero, cor e ideias não é apenas algo a ser respeitado, mas algo a ser louvado, pois é essa diversidade que transforma o mundo. Por isso, vamos lançar em dezembro nosso primeiro modelo genderless, nosso primeiro passo rumo a uma nova era de expressão individual, o primeiro de muitos.

Certamente, ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas devemos reconhecer que estamos caminhando para uma mudança em relação a libertação dos padrões feminino e masculino no mundo da moda, onde ela é feita para vestir corpos independentemente de gêneros.

In Bowie We Trust!