Carta tardia

Olá Vovó,
Como está? Faz tempo que não aparece por aqui! Estamos todos com saudades da Senhora. Como estão o Giuseppe, Giovane? Estamos com saudades deles também. Dia desses eu me peguei lembrando de sua última visita. Foi no natal. Todos reunidos ao redor da mesa… a ceia… o Giane. A Senhora lembra daquele cachecol violeta que o Giane te deu? Nossa, como era lindo (risos)! Giane… tão difícil falar sobre ele né, mesmo depois desses 7 anos. Ele sempre foi seu neto preferido, todos nós sabíamos. Ele era um amor de pessoa, nós o amávamos. Ainda amamos. Perder o Giane foi muito doloroso para todos nós. Ainda mais tendo sido daquela forma… a senhora sabe… suicídio é algo difícil de compreender. Creio que a senhora foi a que mais ficou abalada né. Depois que soube do enforcamento, foi embora e não veio mais nos visitar.
Estamos todos sentindo muito a sua falta vovó. Mamãe, papai e eu. Este ano faremos uma ceia de natal (a primeira depois da morte do Giane) e gostaríamos que a senhora viesse ficar conosco. Por favor vovó, venha.
Com amor, sua bisneta Suzane.
Ps.: Por favor, por favor, por favoooooor venhaaaa!

- Capitão!

- Sim, o que há?

- Veja — O detetive Hall entrega uma carta, escrita à mão, ao capitão de polícia. — Encontramos esta carta no bolso da Senhora.

- Me dê! — o capitão rapidamente passa os olhos sobre a carta, escaneando-a. — Já avisaram à família?

Hall abaixou a cabeça e molhou os lábios com a ponta da língua.

- Ainda não, capitão. Solicitei a retirada do corpo… o senhor sabe. Já estava pendurado lá há alguns dias. A corda já estava arrancando a pele do pescoço. Deus do céu!!

- Pobre senhora.

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