Como transformar seus filhos em seguidores.

No mundo corporativo, muito se fala em liderança. É preciso ser um bom líder para se obter os melhores resultados, criar equipes eficientes, angariar seguidores.

Sua família o segue?

Grandes líderes empreendedores não só levaram seus projetos ao topo, como também gravaram seus nomes na mente de milhares de pessoas. Bill Gates,Michael DellMichael EisnerJack Welch,Louis Gerstner, quem não conhece esses caras?
Bill Gates foi co-fundador de uma empresa que, nos anos 2000, se tornou a mais valorizada do mundo. Esse feito se torna ainda maior quando se leva em consideração o fato de que ela só foi fundada em 1976, ou seja, era uma jovem de pouco mais de 25 anos. Estamos falando da Microsoft.
Na década de 90 outra empresa se destacou de forma astronômica. Com ações alcançando valorização de 89.000%, conseguiu superar suas concorrentes e aumentar sua fatia de mercado. O responsável? Ele mesmo, Michael Dell, presidente e fundador daDell.
Na GE, Jack Welch multiplicou por 5 sua receita. De $25 bilhões para $130 bilhões.

Na política também houveram grandes líderes. Martin Luther KingNelson MandelaAbraham Lincoln. Todos conseguiram fazer com que milhares, ou milhões de pessoas se sacrificassem em nome daquilo que acreditavam.
Martin Luther King alimentou seu sonho de liberdade e igualdade, lutando contra as injustiças e a segregação racial. Em nome desse sonho, milhares de pessoas lutaram ao seu lado. Nelson Mandela também lutou por liberdade e igualdade, obtendo apoio de um continente inteiro. Seus nomes estão gravados na memória.

E como não falar das religiões? Cada uma delas, ou pelo menos as que eu conheço, possui seu líder máximo. MaoméAllan KardecJesus Cristo.

Mas e na vida familiar? Também existe liderança? Sim, claro!

Então você deve estar dizendo:
"Eu sou um bom pai. Meus filhos me obedecem. Em minha casa sou eu quem manda e todos me respeitam. Então eu sou um bom líder."

É... veja bem... talvez você esteja enganado.
Quando você diz a seus filhos o que eles devem fazer, eles o fazem por respeito, medo ou por que confiam em você?
Quando você conversa com sua esposa (ou marido), ele ou ela presta atenção no que você está dizendo ou apenas finge que presta? Ela ou ele se interessa pelo que você está falando ou apenas fica imóvel, esperando que você conclua?

Sua família o admira? Apóia seus projetos, suas idéias, seus sonhos? Sua família confia em você, te procura quando precisa de um conselho, de uma orientação? Seus filhos te procuram quando querem contar suas realizações? Aquela nota boa na prova, aquele golaço no jogo de futebol?
Quantas vezes você precisa "dar uma ordem" até que ela se cumpra? Mais de duas? Talvez 3 ou 4? Espere, você precisa dar ordens?

Se não soube responder a estas questões, ou se respondeu "não" para a maioria delas, então, talvez, você não passe de um provedor. Ou, quem sabe, nem isso.
Lembra daqueles caras que eu citei lá no começo? Martin Luther King, Mandela, Lincoln, Bill Gates... então, aqueles caras fizeram coisas que são lembradas até hoje. As pessoas falam deles, escrevem sobre eles, reproduzem seus textos, suas falas, suas rotinas. As pessoas querem "ser eles". São seguidoras.

Isso quer dizer que você deve fazer coisas grandiosas hoje para se tornar um líder em sua casa? Não! Todos esses caras fizeram grandes coisas, mas todos começaram com as pequenas coisas. Pequenas ações que, ao longo do tempo, se tornaram grandes.

Talvez você, ao longo do tempo que já se passou, não tenha se dedicado muito a conversar com seus filhos. Digo conversar mesmo, sem críticas, sem sermões. Apenas uma boa e divertida conversa sobre qualquer assunto. Ou talvez você não tenha prestado muita atenção às coisas boas que sua esposa (ou marido) tem feito por você e sua família ao longo do tempo e, assim, não tenha demosntrado sua gratidão de forma tão clara. Já experimentou dizer "muito obrigado" após chegar em casa e perceber que está tudo organizado? Ou agradecer pelo almoço que lhe foi servido? Já experimentou fazer um elogio à boa cozinheira (ou cozinheiro) que lhe preparou esta comida tão gostosa?

Para construir a admiração das pessoas por você, basta que se atente às pequenas coisas. Basta que demonstre sua preocupação com elas, seu respeito, sua admiração, seu reconhecimento. Todos nós gostamos de estar junto de pessoas que nos apóiam, nos ouvem quando precisamos falar sobre nossas dificuldades.

A crítica é perigosa porque fere o precioso orgulho do indivíduo, alcança o seu senso de importância e gera ressentimento. (Dale Carnegie);

Você costuma criticar seus familiares? Seus filhos, esposa (ou marido)? Muitos dizem que as pessoas devem saber lidar com críticas, pois elas são comuns. Bom, nas palavras de Dale Carnegie, "qualquer idiota pode criticar, condenar e queixar-se - e a maioria dos idiotas faz isso". Se você quiser provocar ressentimentos duradouros, quem sabe até limitar o potencial das pessoas que estão do seu lado, continue com as críticas. Mas, como já dizia Thomas Carlyle:

Um grande homem demonstra sua grandeza pelo modo como trata os pequenos.

Invés de criticar as pessoas, tente ressaltar suas qualidades. Demonstre que você confia nelas. Saiba que nem o próprio Deus, em sua grandeza, não se propõe a julgar os homens até o final de seus dias.

A crítica, além de ter um grande potencial de ferir pessoas, também pode trazer sentimentos de culpa e arrependimento para a pessoa que crítica.

Em um texto publicado originalmente noPeople's Home Journal e reproduzido no livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, W. Livingston Larned descreve o efeito que uma atitude de crítica constante pode gerar em um pai. Leia o texto.

O pai perdoa

por W. Livingston

Escute, filho: enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto, os cachinhos louros molhados de suor grudados na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há poucos minutos atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E, sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama. Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir à escola, ralhei com você por não enxugar direito o rosto com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos. Gritei furioso com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão. Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas. Você derramou o café fora da xícara. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para pegar o trem, você se virou, abanou a mão e disse: "Chau, papai!" e, franzindo o cenho, em resposta lhe disse: "Endireite esses ombros!" De tardezinha, tudo recomeçou. Voltei e quando cheguei perto de casa vi-o ajoelhado, jogando bolinha de gude. Suas meias estavam rasgadas. Humilhei-o diante de seus amiguinhos fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras - se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai! Mais tarde, quando eu lia na biblioteca, lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos? Quando afastei meu olhar do jornal, irritado coma interrupção, você parou à porta: "0 que é que você quer?", perguntei implacável. Você não disse nada, mas saiu correndo num ímpeto na minha direção, passou seus braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram se apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. A seguir retirou-se, subindo correndo os degraus da escada. Bom, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. Que estava o hábito fazendo de mim? 0 hábito de ficar achando erros, de fazer reprimendas - era dessa maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o fato é que eu esperava demais da juventude. Eu o avaliava pelos padrões da minha própria vida. E havia tanto de bom, de belo e de verdadeiro no seu caráter. Seu coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e de dar-me um beijo de boa noite. Nada mais me importa nesta noite, filho. Entrei nja penumbra do seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, envergonhado! É uma expiação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã eu serei um papai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei minha língua quando palavras impacientes quiserem sair pela minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: "Ele é apenas um menino - um menininho!" Receio que o tenha visto até aqui como um homem feito. Mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, certifico-me de que é um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você, exigi muito.

Lembra quando falamos sobre as razões que levam seus filhos a obedecerem? Se era por respeito, medo ou confiança? Pois então, no fim das contas, sabemos que sempre se pode ameaçar as pessoas e as obrigar a fazer o que queremos. Quando se fala em filhos, isso é comum (infelizmente). Mas quando se é um líder, não é preciso obrigar ninguém a nada, muito menos os filhos. Eles vão querer fazer o que você precisa que seja feito. E para isso você só precisa engrandecê-los. Reconheça os pontos fortes, as virtudes, as habilidades manuais e intelectuais que seus filhos possuem. Tenho certeza que eles são bons em alguma coisa.

Ao reconhecer suas qualidades e, não só isso, confessá-las, falar sobre elas, divulgá-las em voz alta você estará fazendo com que seus filhos se sintam grandes. E eles o agradecerão por isso. Agradecerão cumprindo com as tarefas, colaborando com a organização da casa, arrumando e organizando as próprias coisas. E isso vale para todos os membros de sua família. Sua esposa ficará grata quando você reconhecer o quanto ela é inteligente, assídua, organizada. Seu marido ficará grato quando você reconhecer o quanto ele é bom na cozinha, em trabalhos manuais, o quanto é criativo. Todos temos qualidades que podem ser exaltadas e elogiadas. Seja generoso(a) em seu elogio e econômico em sua crítica.

Pequenas coisas amigo. Pequenas coisas, pequenos gestos e palavras podem torná-lo em grande líder para sua família. Claro que todos estes pequenos gestos e atitudes devem ser feitos com sinceridade. Sei que não é fácil mudar certos hábitos, mas acredite, ao proporcionar uma mudança dentro de si mesmo e adotar estas atitudes de liderança, você se tornará um exemplo a ser seguido por seus familiares e assim, ganhará seguidores fiéis.

Não se esqueça:

Elogie;
Não critique;
Agradeça;
Reconheça;
Seja um exemplo.

Obrigado!

Imagem: https://www.flickr.com/photos/brunoschuveizer/

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