Como parar de usar shampoo (Parte 2) : No Poo & Co-Wash

No último texto expliquei os princípios da fisiologia da pele e do cabelos, além de uma breve introdução sobre os métodos alternativos de limpeza dos fios: no poo, low poo, water only.

Este texto irá se aprofundar nas técnicas de no-poo. 
Por que começar com o no-poo? 
Porque todos os produtos autorizados para no-poo são autorizados para low-poo. Já o inverso não se aplica.

No-Poo: o que é?

O termo no poo foi cunhado no livro “Gurly Girl, The Handbook”, publicado nos Estados Unidos em 2011 (dá para encomendar na Livraria Cultura). Como o nome do livro em si já fala, a técnica foi criada focando nas mulheres de cabelos cacheados. “No” vem de “sem” em inglês, e “poo” é um diminutivo de shampoo usado para nomear a técnica: sem-shampoo.

Os primeiros produtos no-poo foram lançados antes do livro, ainda em 2002, pelo próprio salão, o DevaCurl. Hoje eles tem registrado como marca o termo no-poo nos Estados Unidos.

O princípio: Não usar shampoos, ou seja, tensoativos aniônicos.

Co-Wash: o que é?

Co wash é uma técnica básica para os praticanes de no- poo. A limpeza dos fios e do couro cabeludo é feita usando produtos condicionadores.

No entanto, é importante procurar produtos condicionadores adequados, para que não deixem resíduos nos fios, e que tenham algum grau de substância tensoativa, para facilitar a limpeza. Ao invés da espuma, o que limpa os fios é uma boa massagem e boa escovação junto do uso do condicionador. A maior parte dos condicionadores possuem agentes surfactantes (os tensoativos) de menor poder limpante, mas o suficiente para a limpeza de cabelos não-oleosos.

Mesmo que você não queira fazer no-poo, você pode usar o co-wash em dias que seu cabelo não está muito sujo, e que o objetivo é uma limpeza mais superficial, como depois de praticar esportes. É uma maneira de não retirar toda a oleosidade natural do cabelo, principalmente para os fios cacheados, e ao mesmo tempo promover hidratação.

Se você tem um problema específico, como caspa, pode juntar óleo essencial de melaleuca (tea tree) ao condicionador, que além de limpar você pode usar o co-wash para tratamento e saúde capilar.

Os profissionais dos cabelos não costumam recomendar essa técnica para quem tem cabelos oleosos, porque não irá limpar bem o couro cabeludo, mas eu acho que vale a pena tentar. Inclusive, pode-se adicionar óleo essencial de alecrim ou capim-limão para auxiliar na redução da oleosidade.

Como fazer?

Com os cabelos molhados (mas não encharcados), passar condicionador no couro cabeludo e em todo o fio. Massagear bastante, pentear, deixar agir por alguns minutos, e depois, enxaguar.

Co-Wash com “condicionadores” caseiros

Mas além dos condicionadores, há outras receitas possíveis para se fazer co-wash, mas eu ainda não consegui bons exemplos.

Costuma-se usar muito vinagre, limão e bicarbonato de sódio para a limpeza dos fios.

O bicarbonato de sódio é alcalino e abre as “escamas” da cutícula. Ele possui propriedades limpantes, mas por ser alcalino, em geral usa-se um ácido na seqüência, o vinagre ou o limão, para selar as cutículas.

No entanto, esse processo de lavagem do cabelo em meio alcalino (bicarbonato) e enxágue com meio ácido (vinagre ou limão) faz com que os fios passem por um processo parecido com o da tintura a cada lavagem: abrir as cutículas, e fechar as cutículas. Uma americana explica melhor como ela destruiu o cabelo dela usando essa técnica.O que não quer dizer que você não possa usar esses dois produtos, mas não é porque é natural que não irá causar danos.

Tem gente que usa argila misturada com óleos como agente limpante. Raspas de juá. Jaborandi. Suco de babosa. Leite de aveia. Borra de café. Gel de linhaça. Chás outras infusões.

Acredito que das técnicas mais interessantes para o no-poo, seja o co-wash usando plantas.

Deixem suas receitas caseiras nos comentários!
Achei algumas ideias de chás no blog da Tiny Campos.

Quem deve fazer?

Os cabelos crespos e cacheados são quase sempre beneficiados pelo combinado das técnicas de no-poo/co-wash.

As pessoas que tem caspa, cabelos oleosos ou outros tipos de doenças ou sensibilidades no couro cabeludo, podem testar a técnica, mas atentos a melhora ou piora nos sintomas.

O co-wash pode ser benéfico para quem tem cabelos oleosos reduzir o número de lavagens com shampoo. Para quem tem caspa, o condicionador com óleo essencial pode facilitar a aplicação.

Cabelos tingidos também se beneficiam da técnica, por não abrir tanto as cutículas e reduzir a perda dos pigmentos com a lavagem usando sabões comuns.

O cronograma capilar e o no-poo

Uma das coisas que se fala muito no mundo do no-poo é o cronograma capilar. O cronograma capilar é dividido em 3 etapas: hidratação, nutrição e reconstrução. O tema é conhecido de frequentadoras de salão e pessoas que realmente cuidam dos cabelos. Eu nunca tinha ouvido falar, até cair no tema do no poo.

O princípio é que 90% do cabelo é composto de queratina, e o resto são lipídeos, glicogênico, ácido glucâmico, água e minerais. Esses elementos vão saindo do fio pelo tempo e pelas exposições do cabelo. Se você nada no mar ou em piscina com cloro, esses elementos vão se perdendo. Se você faz tinturas ou outros tratamentos químicos nos cabelos, a situação pode ser ainda pior.

Por isso, quem costuma frequentar os salões está mais habituada/o a saber como tratar dos fios no cronograma capilar. Outra questão é sobre o comprimento dos fios.

Quem tem cabelos curtos, não precisa se preocupar muito com isso, porque a medida que os fios vão envelhecendo e perdendo proteínas, óleos, e minerais, ele também é cortado, o fio é quase sempre novo. Os fios longos é que precisam de mais cuidado.

Os praticantes de no-poo não usam shampoo, mas costumam usar produtos para hidratar, nutrir ou reconstruir os fios. Há opções industriais e caseiras.

Hidratação: tem função de repor a água dos fios.
Nutrição: é a devolução dos lipídeos aos fios. Importante para cabelos com frizz ou porosos. Usa-se óleos ou manteigas vegetais. Auxilia a reduzir o volume.
Reconstrução
: Implica em repor a queratina aos fios. É usado para trazer força e devolver o brilho. Pontas duplas e fios elásticos são outras características dizendo que o cabelo pede reconstrução. Os produtos usados são ricos em proteínas ou aminoácidos.

Não necessariamente, todos os cabelos precisam das três etapas, ou não precisam que sejam feitas na mesma freqüência.

Transição capilar

Outro termo que você precisa entender do meio “no-poo”, é a transição capilar, que é o processo de recuperação dos cachos por pessoas naturalmente cacheadas que se submeteram a alisamentos ou outras técnicas para deixar os fios lisos. Quem faz transição capilar, em geral, acaba abraçando a técnica de no-poo. Veja algumas fotos aqui.

O que me incomoda na técnica

A necessidade de andar com uma lista de substâncias químicas no bolso, autorizadas ou não na técnica, cada vez que você vá comprar um produto de beleza para os cabelos. Eu, que sou viciada em ler rótulos e entender de composição de produtos, me canso com as listas. Além de que, acaba sendo um processo um pouco dogmático, no sentido em que não se entende de fato os processos químicos de ação de cada produto.

Fora as listas, há substâncias químicas polêmicas que são autorizadas no cuidado no-poo dos cabelos, como os parabenos.

Atenção

Em muitos blogs, eles reiteram o fato de observar o corpo, e se necessário, lavar o couro cabeludo com shampoos sem sulfatos de tempos em tempos. Dermatites e seborréia podem surgir em caso de limpeza insuficiente.

Respeite seu tempo, respeite seu corpo!