É a ultima vez que escrevo sobre você. (mentira)

Da primeira vez que a tive comigo senti a necessidade de falar tudo sobre mim. Um sinal, um aviso pra se afastar. Eu sempre estraguei as coisas mais simples e fáceis de dar certo, por que com ela seria diferente, não é? Pois bem, a abracei em frente à porta de seu apartamento e comecei a falar sobre mim. No fundo queria mesmo era gritar: NÃO SE APAIXONE! COM O TEMPO EU FUI ME ESTRAGANDO EMOCIONALMENTE PRA CARAMBA! EU PENSO DEMAIS, EU FUJO DEMAIS, POR FAVOR, NÃO SE APAIXONE! Era tarde demais pra ela. Era tarde demais pra nós dois.

Ela me olhou com o olhar baixo e sorriu. Você não precisa me explicar nada, foi tudo o que ela disse. Tinha algum tipo de tristeza nela, uma tristeza que eu não conseguia entender.

Quando entendi, eu a ajudei. Ajudei com tudo, tudo que você possa imaginar. No fim fiquei com o tempo a me domar. E agora ouso perguntar: onde eu fui parar nisso tudo? É a primeira vez que me pergunto isso. Eu sempre aguentei tudo, foi o que a vida me ensinou, aguentar sem nunca fazer perguntas nem tentar entender, porque de um jeito ou de outro é mais fácil assim. Ou era.

Hoje, já que perguntei, não tenho a menor ideia de onde fui parar. De verdade, eu não sei. Eu sei onde as coisas estão e porque estão. Eu sei onde estão meus amigos, sei onde estão meus parentes, sei até onde ela está, e como sei. Mas todo dia me procuro pelos cantos da casa como aquela chave que some bem na hora de sair de casa.

Eu tentei avisar, eu tentei explicar. Mas ela tinha coragem, e às vezes, tudo o que se precisa é coragem. Então tomei carona na sua coragem e nos seus braços fiz minha casa. Bordei futuros e escrevi linhas tortas com e sobre ela. Eu já não tinha mais ambições nem necessidades constantes, afinal, foi toda uma sequência de expectativas adiadas e de vários ‘quase’ presentes em tudo. Mas mesmo assim, podia sentir ela respirar. Ela não era meu norte, mas com certeza era meu sul.

E não é por ela ter estragado as musicas que eu mais gostava e mostrei pra ela, ou os livros que eu amava. Nem por ela ter destruído pra mim a cidade que eu mais gostava, nem por ter acabado com as frases e ‘tiradas inteligentes’ que eu falava e riamos juntos e que agora não consigo usar sem lembrar dela. Ou por ter destruído os emoticons que usávamos e que era uma espécie de código só nosso. Não, não é por nada disso. Mas é por eu ter me perguntado. É por não ter conseguido ir embora em paz. É por ter me perdido desse jeito. É por ter avisado. É por não ter percebido que ela era triste por ser bem pior que eu.

“Você é a melhor pessoa que conheci na minha vida”. Ela disse isso e foi embora. Mal sabe ela que eu só era assim por causa dela.

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