A arte da perda

Essa crônica foi publicada no jornal de Marilena-PR no dia 08/07/2011. Fazem só 6 anos, mas relendo ela agora me veio toda inocência que eu tinha. Como estou com febre e sem jeito pra escrita essa semana, te convido a ser inocente junto comigo em 2011.

A Arte da Perda

Nathan Oliveira

Quando somos crianças ganhamos um monte de coisas e acabamos perdendo tudo por ai. Saímos por ai brincando e perdendo tudo pelo caminho. Perdemos bonecos, carrinhos, bolas. Sempre que íamos brincar voltávamos sem alguma coisa. Eu me lembro de um boneco meu, o Jerônimo, que coloquei em uma caixa (ou pelo menos achava que tinha colocado) e depois quando fui ver tinha perdido. Tantas aventuras que passei com o Jerônimo, e onde ele esta agora? Deve estar vivendo suas aventuras com outros.

Crescemos um pouco e bonecos e bonecas já não nos interessam tanto. Nessa fase ganhamos um uniforme e um lugar pra ir todo dia, novos amiguinhos e uma professora — de cara bem feia geralmente — a quem às vezes chamamos de tia. Mas não perdemos a mania de perder. Perdemos algumas canetas, borrachas, lápis. E a cada ano vamos perdendo alguns amiguinhos. Perdemos até a tia de cara feia.

Com o passar dos anos continuamos indo todo dia no mesmo lugar, mas agora sem vontade. Ganhamos varias matérias diferentes cada uma com um professor ou professora — geralmente com caras melhores. Ganhamos um monte de pessoas de brinde, umas amigas outras nem tanto, e passamos anos ganhando com elas jeitos e manias e acima de tudo rindo (já repararam que na escola rimos de tudo?). Mas passam-se os anos e perdemos as matérias (ufa), e também as professoras com caras melhores, e começamos aos poucos a perder também os amigos e os que nem eram tão amigos assim. Igual quando éramos criança. Voltamos um dia pra casa no fim do ano e cadê eles?

O tempo voa (como diria senhora minha mãe), e nós sem perceber direito perdemos o que os adultos diziam ser os melhores anos de nossas vidas. Agora somos adultos e ganhamos uma coisa que antes queríamos, mas que agora já não achamos tão boa assim: a maioridade. E com ela as responsabilidades. Mas mesmo responsáveis que somos continuamos com a mesma mania de quando éramos crianças, saímos perdendo tudo por ai. Só que dessa vez é bem pior! Perdemos coisas importantes, pessoas importantes, com uma facilidade que só as crianças tem. Perdemos amores, perdemos amigos, sentimentos e sonhos que nos eram tão importantes.

Escrevendo isso agora me lembrei de 4 gravatas, algumas cartas, um DVD, um celular, e algumas pessoas que perdi nesses últimos anos e que realmente eram importantes pra mim. Mania chata essa nossa. E você o que anda perdendo ultimamente?

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