Eu só quero descansar um pouco.

Eu só quero descansar um pouco, de verdade, descansar no teu peito o cansaço de toda essa vida.

Meu amor, posso te chamar assim? Eu nunca chamei ninguém assim, isso nunca coube em mim. Eu sempre fui de certa forma um rio tentando achar um lugar pra se despejar e como não encontrei, transbordei em mim, por isso me desculpe, por favor.

Desculpe se eu demorar, se tiver incompreensão, alguma recusa, alguma indiferença que você não vai entender, desculpa solidões, se não te der claridade ou emoção no começo, se sempre estiver imerso de alguma forma no passado, me desculpe. Me faça ser agora, por favor.

Meu amor, tenho entendido de algumas formas diferentes, e não muito fáceis confesso, a necessidade que tenho de você. Tenho procurado ser melhor de alguma forma, tenho tentado me manter de pé enquanto o mundo gira rápido e não tenho onde segurar. Tenho tentado não entrar em hiato novamente e tenho travado todas as minhas brigas em silencio. Quando nos encontrarmos me abrace, por favor, não ligue se eu ficar estranho ou indiferente, só me abrace.

Não vou esconder, estou tão desacostumado com toda essa necessidade que às vezes me perco, eu com toda a minha racionalidade e frieza me perco nisso de pensar e sentir, de precisar muito do que sempre tive, mas agora se fez em falta.

Meu amor, hoje eu me vi só, mas só do que eu merecia, por isso venha e atrapalhe todo esse meu plano friamente desenhado e armado de ser tão impessoal, de fingir que não sinto nada, e assim mesmo sem perceber, me faça acreditar que tudo isso teve realmente algum sentido. Arranque essa meia lua do meu rosto e me faça gargalhar.

Eu só quero descansar um pouco, de verdade, descansar no teu peito o peso de ter que ser alguém.