
Sabe o que é ficar um mês sem conversar com aquele amigo que você mais ama que fique por perto. E não estou falando de uma amizade prejudicial, que você diz, já vai tarde. Estou falando de algo bom. Aquela pessoa que de tão legal, você nem sabe como se tornou seu amigo. Realmente essa amizade fazia bem para você. E de repente você a troca por coisas inúteis, que mais fazem você perder tempo do que ganhar. Coisas que mais roubam seu tempo do que coisas que fariam o seu tempo valer.
Um dia você acorda e está sentindo uma saudade que você não sabe explicar do que é. Uma nostalgia boa que te faz ir fundo nos seus sentimentos, espremer a memória pra saber se foi um sonho bom que você teve essa noite e não se lembra ou o que quer que seja.
Até que ao longo do dia, você se dá conta que na verdade esse sentimento conveniente à qualquer estação, é como você se sentia quando estava com àquele amigo.
Uma mistura de euforia e tristeza. Euforia porque você realmente sabe que aquela amizade valia a pena, e tristeza porque foi você que sem mais nem menos deixou essa amizade pra lá para seguir carreira solo na estrada da vida, e que agora querendo ligar, não tem coragem de fazer.
Quantas vezes não é assim o relacionamento que temos tido com Jesus. Quando precisamos, O amamos, nos dedicamos em passar tempo na presença dele, derramando sobre ele nosso amor, nosso clamor. E ai passam-se os dias -nossa demanda é atendida, e sem perceber vamos deixando Jesus de lado até que a próxima necessidade surge nos fazendo alarmar e lembramos de um amigo que fez tudo por nós.
“Depois, eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se o seu coração; por isso, se esqueceram de mim.” Oseias 13:6
Quando Deus falou em Oseias 2:14 “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.” Ele falava sobre isso, nossa tendência ao fracasso nesse relacionamento, e a necessidade de Ele mesmo com amor furioso nos trazer de volta. Sabendo disso nos deixou a porta aberta para sempre retornar.
“Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento.” Oseias 11:3–4
Quantas vezes nos pegamos assim, querendo voltar, mas preocupados com o nosso futuro. Será que vou ser aceito, será que serei recebido, será que posso ser novamente amado? Nas dúvida e incerteza.
Uma mistura de incredulidade com falta de fé em si mesmo. Afinal não dá para crer que alguém como eu pode ser levado a sério por um Deus tão ocupado como Deus é.
Nesse momento as palavras parecem nem valerem de nada. São só um monte de palavras de um coração cheio de nada na verdade, correndo o risco de que essas palavras sejam como agulhas finas e penetrantes no coração do meu amado, o ferindo, tamanha a hipocrisia que escorre dos meus lábios. Amargo né. Mas é a verdade. Também não sou a sincera, tão pouco e essas palavras mesmo já são o doce veneno da mentira. E me humilhar agora é vergonhoso demais. E devo tomar cuidado para que isso também não soe como hipocrisia.
É difícil, mas tem horas que até para se humilhar não somos achados dignos, não o fazemos direito, ou certo. Achamos que a motivação é errada. Por um instante, engano a mim mesmo achando que engano meu amado com possível lágrimas de crocodilo.
Mas depois de dias sem nem dar um alô, dizer que está com saudades não me soa muito digno. Mas o que fazer? Evitar até o fim? Mas como? Não posso ficar longe dele. Eu errei, e não devo persistir nesse erro. Seria permanecer errando. Calma. Pare. E pense. Se não há sinceridade nesse momento, a menos seja sensato. E enfrente o caminho que está por vir. O do quebrantamento.
Tem momentos que devemos agir assim. Como que anulando a nós mesmo, ops.. não deveria ser assim em todo momento? Ok. Mas não é fácil fazer isso sempre, na verdade, talvez nem sequer lembramos disso na maioria das vezes. Só quando o problema é muito grande, quando o caso é sério.
Está ai uma boa aplicação para o orgulho. Ele nos cega a ponto de não nos deixar ver a saída: “O caminho mais longo é o mais curto para chegar em casa.”
Eu gostei dessa frase desde a primeira vez que a li. É a mais pura e simples verdade. E o caminho aparentemente curto é o nosso. Enquanto que o mais longo é o do Pai. Que vem cheio de Graça e Verdade, e não damos conta da grandeza disso. Quando penso nisso meu espirito até se perturba dentro de mim. Ele fica alvoroçado.
Principalmente por que eu não consigo expressar com palavras humanas tudo que significa. Mas ele sente e vibra com essa verdade. A paixão reacende e eu posso dizer com meus lábios as palavras mais doces que se tornam as mais amargas dentro de mim. “Me perdoa Jesus, eu preciso de ti(…)!
Pronto. Em um segundo todo a fortaleza da sua alma se desmorona como um castelinho de areia levado pela onda do mar. E você se vê no espelho da alma, o quanto que é errado nos seus pensamentos tolos e miseráveis a respeito de si mesmo e de Deus.
Era o orgulho. Mais uma vez distorcendo sua visão a respeito do Pai. Só que mais uma vez, em sua infinita misericórdia, Ele nos salvou dessa condição, e soprou com seu vento de graça sobre nós, dissipando toda nuvem negra da ignorância que insiste em vir sobre nós.
O que nos resta então, é ir até Ele, o Grande Eu Sou, desarmados do eu, quebrados do orgulho, cheio de arrependimento e quebrantamento, famintos por seu amor e compaixão, somente podendo adora-Lo na beleza de sua santidade.
“Converte-te, ó Israel, ao SENHOR, teu Deus; porque, pelos teus pecados, tens caído. Tomai convosco palavras e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Expulsa toda a iniquidade e recebe o bem; e daremos como bezerros os sacrifícios dos nossos lábios.” Oseias 14:1–2
“Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.” Oseias 14:9
“Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo.” Salmos 27:4
Que essa canção sirva de trilha para sua meditação após a leitura.
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