O pão

Desde cedo, ouvi as pessoas falarem muito bem do pão. Na Igreja, o padre fala que o pão é o corpo de Cristo. Em casa, ouvimos que nossos pais trabalham para por o pão de todo dia na mesa.

Se pensarmos bem, no nosso dia a dia, o pão chega antes do sol. Os padeiros acordam de madrugada, colocam a massa no forno e enfrentam uma temperatura infernal para tirar um pão quentinho, do jeito que o pessoal da fila em frente ao balcão acordou cedo para ter.

Eu já comi pão de várias formas. Com manteiga, queijo e presunto, maionese e ketchup, doce de goiaba e outros doces, com resto da carne moída do almoço, com creme de galinha e até pão com pão. E, quando o pão envelhece, não tem problema, coloco no forno e faço torradas.

Quando vou jantar fora, o pão vem de entrada. Gosto de colocar o azeite no prato, jogar um pouco de sal em cima e esfregar o pão aberto. Como tanto que quando o prato chega, já não tem espaço para a comida. Mesmo assim, eu empurro para dentro. Vou ter que pagar por ele mesmo.

Para mim, a parte mais gostosa do pão é o miolo. A casca também é gostosa, quando está crocante. Quem eu quero enganar? Eu gosto de tudo do pão. Até mesmo os farelos.

O pão na mesa é sagrado, mas no meu corpo, que filho da puta. Para começar, a porra do pão é o chefe da gangue do Fast Food. Uma turma sem piedade que se formou só para matar os inocentes.

Maldito pão. Por causa dele, hoje sou um homem com tetas, ronco por causa do sobrepeso e preciso comprar roupas com a medida para quem tem 1,90 de altura. E, adivinha, só tenho 1.61.

Antigamente, as mulheres chamavam os homens bonitos de “pão”. Mas hoje, com a dieta do low carb em alta, não se engane. Se alguma mulher chamar você de pão, não é que ela está querendo você. Pelo contrário.