Fake a selfie, fake a life

Era apenas uma sensação que se assemelhava a um incêndio e talvez fosse, um incêndio que as circunstâncias e até eu mesma criei em minha mente ao decorrer dos anos. As noites de insônia, nicotina, café e remédio para dormir apenas renderam conversas reveladoras sobre pessoas e que por algum motivo eu me sentia atraída pela história, não necessariamente eu precisaria beijá-las ou até mesmo apenas fazer sexo casual, olha bem não estou falando sobre sexo necessariamente, obvio que algumas histórias foram contadas depois de uma certa intimidade. Eu sempre estive buscando conhecer as pessoas e suas histórias mesmo que eu depois simplesmente sumisse, seria como se eu dissesse “Olá, vamos ter um tempo agradável, eu posso alegrar seu dia mas não prometo ficar,okay?”, eu não sou mais a mesma que simplesmente sumia sem avisar, isso é cruel.

A questão central disso é sobre como nos pegamos próximos de alguém e simplesmente isso deixa de existir, eu ainda não sei se a globalização de fato é algo 100% bom. As relações humanas tornaram algo que vai além do ego e da indiferença e quem sou eu para falar sobre isso?! Eu lembro que aos 14 eu me via cercada de pessoas de todos os cantos e ainda assim conseguia administrar um tempo com meus amigos da vida real, o fato é quase ninguém sobrou além daqueles que estavam mais próximos da minha realidade. E chega um ponto em que nada disso faz mais sentindo, que você simplesmente não quer mais tomar um copo de tecnologia como se fosse um viciado se tratando com metadona ou um depressivo tomando suas pílulas da felicidade. Há uma falsidade nessa interação toda, uma aproximação não tão real do que seria uma matrix. Vamos lá, criamos uma vida falsa, acontecimentos falsos e até desafios falsos para simplesmente fugir da loucura diária que nos cerca na vida real, como se usar drogas e outras X coisas não bastassem.

Eu sinto falta de poder falar “sinto sua falta,vamos sair hoje, meu dia foi cansativo…” e muitas outras coisas que antes eu falaria sem ter medo que a pessoa ignorasse ou simplesmente tratasse isso com desdém, talvez nesse quesito as relações fossem mais reais, sem precisar criar um protocolo todo de como você deve se expressar. Todas as histórias que tenho guardado e escutado me serviram de algum forma e eu me afastar dessa forma depois que me torno próximo é cruel e infeliz, seria um hobbie escroto ou apenas uma forma de distrair a mente enquanto ESCUTO( escutar, não simplesmente ouvir) os problemas alheios. Meu objetivo foi sempre escutar sem julgamentos e sem opiniões. É um mundo líquido já dizia Zygmunt Bauman, onde eu posso simplesmente excluir alguém em um clique e posso preencher esse espaço com outros e outros, afinal 7 bilhões de pessoas, por que não? As pessoas vêm e vão afinal. Talvez um dia eu mude e escolha ficar em um lugar só, com os pés no chão e com pessoas confiáveis. O mundo não é bonitinho convenhamos, às vezes é necessário desapegar e simplesmente deixar de ser.

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