Into Your Mind
Prologue
As cores estavam tão intensas naquele fim de tarde, que parecia dar vida à aquelas árvores e ao imenso campo em que elas estavam. Um misto de verde com laranja se espalhava entre o azul do pequeno lago. Apenas o som do vento arrebatando as folhas das árvores ecoava por todo o ambiente. Talvez este vente quisera contar qualquer coisa, mas ele sempre trazia o silêncio.
_ Mas onde estão as estrelas? — Aquela voz feminina quebrou toda a paz causada pelo silêncio, mas trouxe consigo sua doçura.
_Ainda não está na hora, talvez mais meia hora e poderá dançar sob o brilho da lua, minha Cute. — Outra voz quebrou o silêncio, mas sem doçura. Uma voz masculina, grave como os acordes de um baixo, que mostrava em sua ofegância o cansaço do rapaz. — Eu ainda estou cansado Isa, então não posso acompanhar-te nesta dança.
Isa era uma garota linda, estava usando uma coroa de flores e uma blusa do Pink Floyd, que era tão grande que cobria seu corpo como se fosse um vestido. Seus lábios rosados e seu sorriso tímido davam alegria a quem visse. Ela parecia uma ‘chibi’ com aqueles olhos grandes e seus incríveis um metro e cinqüenta e poucos centímetros de altura e seu incrível cabelo levemente ondulado, que descia pelos ombros.
_Reygel, posso até dançar sozinha, mas quero seu abraço para sempre! — Isa dizia ao mesmo tempo em que se jogava contra Reygel que estava deitado no gramado em frente a uma cabana de madeira.
Reygel era mais alto que Isa, possuía pouco mais de um metro e setenta centímetros. Seus olhos cansados demonstravam que não dormia à alguns dias. Possuía cabelos cacheados até os ombros, uma barba rala que deixava em destaque seus lábios avermelhados. Reygel era de aparência magra, mas os poucos músculos que possuía davam um ar de lutador.
_Mas você acha que ele vai voltar? — Isa, agora deitada com a cabeça no peito de Reygel, pergunta, desfazendo seu sorriso radiante.
O vento, agora mais frio que antes, fez com que Isa se contraísse toda contra Reygel, de forma a se esquentar, enquanto Reygel não mudara a expressão após a pergunta da garota.
_Não importo que ele volte. Agora estarei sempre ao seu lado. Não sei se ele ainda existe, mas sou mais forte contigo.
Reygel abraçou Isa com força, como se seus braços fossem asas se fechando e protegendo a garota. E toda aquela paz os fez adormecer.
Act 1
***Algum tempo atrás***
Isa dormia em uma cama macia como o veludo, mas seu rosto expressava pânico. Sua pele estava pálida como a neve e seus lábios, tão sem cor que não apresentavam ter vida. Estava em uma cabana na floresta a alguns dias, sob pedido de Reygel, um cara que ela conhecera alguns meses atrás num show de rock. Reygel se apaixonara por Isa apenas por estar junto a sua presença que irradiava uma esperança que ele tão pouco conseguia imaginar que existia. O que ele não esperava era que Isa tivesse um problema um tanto quanto sério, conhecido como paralisia do sono, que faz com que a pessoa passe por um momento de terror durante o sono. Decidiu ajudar, e por isso se encontrava na cabana em que Isa estava.
Foi chamado pela irmã, que se encontrava ali até o momento, mas após sua chegada, Reygel pediu que se retirasse para começar com algo que parecia com algum tipo de ritual. A irmã de Isa apenas acenou com a cabeça, virando-se e indo pelo caminho que Reygel chegara.
Após ajeitar uma segunda cama ao lado da cama de Isa, ele se deitou enquanto sussurrava algumas palavras ao vento. Era dia, talvez dez da manhã, mas como era mais um dia de inverno, o frio só ajudava a pegar no sono rápido.
Act 2
***Sonho***
Reygel estava em um ambiente que lembrava a estrada de tijolos amarelos da história do Mágico de Oz, porém sem cor. A estrada, que se estendia ao infinito, era prateada deixando-a em destaque na penumbra. O som de água pingando em um lago, ou coisa do tipo, era o único som que se escutava.
Após muito tempo parado, Reygel conseguiu soltar um suspiro, que de tão profundo, quebrou aquele silêncio estranho. Parecia alguém que acabara de sair de um rio após estar se afogando. Ajoelhou-se para poder respirar melhor e recuperar seu fôlego. Ao mesmo tempo, vozes começaram a ecoar por todo lado dizendo: “O que você faz aqui?”, “Por que está aqui?”, “Como conseguiu entrar?”, “Quem é você?”, “Por quê?”, “Por quê?”.
A estrada prateada começou a perder o brilho logo onde Reygel estava e, em um impulso súbito, ele se pôs a correr estrada adentro tão rápido que as fivelas de seu coturno batiam umas contra as outras provocando um som parecido com trovões. A estrada brilhava forte quando entrava em contato com seus pés, mas logo se apagava.
Os clarões mostravam vultos sobrevoando por todos os lados. Mas após correr a ponto de sue sangue parecer ácido em suas veias, Reygel avistou uma escadaria, e aquela imagem lembrava a capa de “Stairway to Heaven”. Reygel se lembrou do anjo da imagem e deu um pulo tão alto que foi capaz de alcançar o meio da escadaria. Sabia que estava em um mundo onde poderes não eram de se desacreditar.
_Os olhos vêem aquilo que querem ver. — Reygel sussurrou para si mesmo, ganhando asas, tão prateadas quanto a estrada que já estava completamente apagada. — O maior poder é o que não conhecemos e o limite é o a morte!
Reygel saltou escadaria acima sobrevoando todos os degraus e atravessando o topo da penumbra. Logo quando atravessou, já não tinha mais asas, e uma luz branca preenchia o ambiente desta vez, não possuindo cores. Sua presença naquele local era apenas um vulto, como um borrão de tinta preto em uma tela branca.
_E não importa se estou na luz ou na escuridão, meu poder é ilimitado e meus inimigos me temerão! — Reygel parecia recitar algum tipo de ritual. Após esta frase ele ganhou suas asas novamente, mas como estava em negro como as sombras, parecia um tipo de vulto de demônio. Logo os outros vultos, aqueles que estavam atrás dele, chegaram àquele ambiente, se formando em três cavaleiros negros armadurados.
_Como ousa chegar até aqui? — Um dos cavaleiros pergunta se colocando a frente dos outros, pisando tão forte que suas sombras formavam espetos logo abaixo de seus pés.
_Eu sou minha sombra e minha luz, sou o único capaz de me controlar e o único capaz de me destruir. Qualquer um que possui tal conhecimento possui também poderes ilimitados. Sou filho do nada e para o nada retornarei, mas primeiro vou te libertar da sua mente. — Reygel fez uma pausa, respirou fundo e gritou com toda a força em seu pulmão — Acorde!
O cavaleiro que estava no meio, pareceu entender todas aquelas palavras e se jogou no chão, sentando em posição de lótus.
_Cale-se! — O terceiro cavaleiro ameaçou a correr enquanto gritava. –Você não possui poderes aqui, então será sua morte! — E se jogou contra Reygel que não se moveu.
As duas sombras se fundiram, criando uma enorme bolha de espinhos, como se estivesse ocorrendo explosões dentro dela, mas aos poucos foi retomando forma.
_Posso ver a imensidão de seu poder — O cavaleiro mais à frente diz enquanto a bolha retorna à forma de Reygel. –Você não é um anjo nem um demônio, mas algo que equivale à ambos. Mas e ela? — O cavaleiro apontou para aquele cavaleiro sentado em posição de lótus, que começara a tomar a forma de uma sombra que lembrava Isa.
_Não me preocupo com ela. Talvez seja mais forte do que eu, só precisava de um empurrãozinho inicial e eu estou aqui pra fazer isso. Já você… –Reygel começou a andar em direção do cavaleiro de pé. –Você sabe que é apenas uma fração da minha força, então retorne.
_Talvez não. Acho que aprendi alguma coisa hoje. — O cavaleiro se pôs ao lado da sombra de Isa, que ainda estava concentrada em sua posição. –Se você quer que ela se liberte eu vou ajudar… — Com estas palavras Reygel se espantou a ponto de andar cada vez mais rápido em direção de sua sombra. –Talvez você consiga me prender, mas será que ela consegue?
A cópia de Reyel encostou-se a Isa, fundindo-se a ela enquanto Reygel corria em uma tentativa falha de impedir. Vendo que sua ação era falha apenas abraçou a sombra da garota enquanto sussurrava: “Está na hora de acordar, vamos…”. Abraçava cada vez mais forte enquanto repetia: “Sei que você é forte, você se controla! Aprendeu isso comigo, então acorde!”.
Act 3
***Acorde***
Era fim de tarde quando Isa e Reygel acordaram no chão, abraçados como se não houvesse forma de se soltarem.
***De volta ao tempo***
Reygel acordou, olhando as primeiras estrelas no céu. A lembrança pareceu tomar muito tempo, mas não passaram mais que poucos minutos. Isa ainda estava encolhida em seu peito, e com aquele sorriso tímido no rosto. O vento, que soprava forte, trouxera pétalas de flores junto às folhas das árvores eternizando aquele momento.
>>Felicidade é o momento que desejamos eternizar<<
Nill Corven