Crônicas Ocultas

Khalegrin. O grande dragão azul.

“As estrelas vão cair quando a humanidade mais precisar de salvação, porém a salvação só virá àqueles que merecem a terra a que pertencem.”

-Khalegrin, meu irmão, precisamos que cuide de uma humana, por mais estranho que esse pedido seja ela corre grande perigo sozinha. E nós podemos precisar dela no futuro.
-Humanos sempre correm perigo Gael, sabe que não tenho mais condições de proteger ninguém, eu estou cansado. Além disso humanos nunca sabem o que querem e não respeitam nada. Lutei antes por eles mas eu não me arriscaria novamente, sei do que são feitos…
Gael estava perdendo a paciência com o irmão, sua reclusão já durava milênios e ele nem sofreu a perda de todos poderes como os outros dragões. Pela primeira vez o Tempo perdeu para a impaciência.
-O que está insinuando? Sabe que foi Ilae quem os fez! Um presente para SEU FILHO!
Ao que Khalegrin respondeu com mais raiva: -IDIOTA! O MEU FILHO SABE QUE ERROU TAMBÉM. OS OUTROS NÃO REPETIRAM A IDIOTICE QUE ELE FEZ. E AGORA VOCÊS TODOS ESTÃO AÍ, PRESOS. VITIMAS DO CAPRICHO DE UMA CRIANÇA! E PEDEM QUE EU CONSERTE OUTRA VEZ SEUS ERROS? EU NÃO VOU ME SACRIFICAR POR TÃO POUCO DESTA VEZ!

Gael perdera a paciência que lhe restava, realmente temia pela vida da garota.
-POIS SAIBA IRMÃO QUE SE EU PUDESSE ME SACRIFICARIA POR ELA, MIL VEZES E SE PRECISO MAIS MIL. É NOSSA ÚLTIMA ESPERANÇA E ENFATIZO QUE ISSO INCLUI VOCÊ TAMBÉM, MAS VOCÊ SE TORNOU INCRÉDULO DEMAIS, EGOÍSTA DEMAIS. Gael parou para respirar um instante, sem seus poderes continuar uma briga com Khalegrin seria estúpido e o Dragão do Tempo era demasiado meticuloso para se deixar exaltar assim.
-É… acho que terei de lhe comprar. -disse Gael respirando fundo.

Ele pegou um livro, de escala humana, púrpura e todo empoeirado que estava sob uma de suas escamas da barriga contemplou-o por alguns segundos, colocou a mão sobre a capa e sussurrou algumas palavras antigas.
-Eu não vou ficar aqui discutindo com você, se dê ao menos o trabalho de conhecer a garota e eu lhe concedo o Livro de Stavros. Era uma proposta tentadora, para não dizer indecente. O livro continha os segredos de todas as magias e Khalegrin não via magia há muitos anos. Sentia falta de criar coisas belas, estrelas novas, cometas, constelações inteiras. Ele que já foi o Pai dos Céus havia perdido todo o brilho no olhar. Tudo o que ele mais desejava era criar uma única estrela nova e Gael sabia disso. O livro continha magias elaboradas e poderia ser a resposta para recuperar seu poder, ele não poderia recusar a chance de ver aquele brilho novamente. O nascimento de uma estrela não era apenas belo, o sentimento de ser dono de tamanho brilho e beleza eram a definição de felicidade para Khalegrin.
-Eu aceito sua oferta Gael, mas irei apenas conhecer a garota. Nada mais lhe garanto sobre a segurança dela.
-É o suficiente, contudo você acabará por protegê-la, por tudo que ela é e não por mim.
-Que seja. Disse Khalegrin dando as costas a seu irmão.

Irmão idiota — ele saiu pensando- Nunca vai entender o que eu tive que passar. Tenho que me lembrar que Gael não vê o tempo como os outros, é inútil discutir minha reclusão. Não fiquei num vórtice temporal como os outros. Para mim os dias passaram lentos e penosos e ele devia se lembrar disso. Já que se diz tão bom irmão. Khalegrin voltou para sua caverna, esquecendo completamente de qualquer garota humana. Passou as semanas seguintes em seu ritmo habitual, buscando tesouros, se alimentando e tentando recuperar alguma energia para poder fazer magia.

Até que um grito feminino ecoou pela floresta…

*esse conto é uma continuação (link aqui) e é também uma das minhas peças escritas que o Inácio Feanor aparentemente mais gosta, ele usa o nome do dragão em tudo quanto é canto. Escrevi ambos na época do cursinho.

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