A salvação nos becos da Cidade
A noite estava clara e fresca, devido à chuva que acabara de cair. Em um beco suspeito ecoavam passos de alguém caminhando ao longe. Eles se aceleravam e ficavam cada vez mais audíveis, entre latas de lixo e gatos que saiam assustados o som de pés batendo no chão molhado tomava conta do lugar. O que era um vulto no escuro agora estava visível na noite silenciosa. O vulto que se aproximava carregava algo nos braços, algo precioso, já que parecia segurá-lo demasiadamente colado ao corpo. Tomando o máximo cuidado para não balançar muito, pois era frágil e muito importante para o destino do mundo.
O vulto agora era também distinguível, usava uma capa de viagem longa e um capuz a lhe esconder o rosto. Ainda correndo virou em uma esquina escura parando atrás de uma caçamba de lixo. Ofegava, escorregou para o chão, com o coração à boca e já sem sentir as pernas. Seu nome era Lai não que fosse importante àquela altura, nada mais importava a não ser o embrulho. Enquanto sua mente trabalhava furiosamente tentando achar uma saída ela apurou os ouvidos para qualquer ruído. O beco tinha silenciado, só os gatos e o barulho de ratos correndo era audível além de sua própria respiração.
Segurou o embrulho com força contra o corpo e decidiu tentar seguir com cuidado. Era preciso não deixar pistas dali para frente, faltava pouco. Tomou o cuidado para não pisar em nada, e ao levantar tirou capuz revelando um olhar assustado.
Mais uns metros e estaria salva, nada poderia machucá-la ali.
Era só oque ela conseguia pensar.
Contava apenas com a sorte e esta abandonou lhe justo naquele momento.
Um vulto surgiu no fim da rua. Aquele cheiro familiar de perfume misturado à bebida veio a seu encontro, ela encarou o vulto. Quem ela mais temia aparecera e desta vez não poderia fugir. Acabaria ali a última esperança da terra. […]
Mas não é aqui que nossa história começa. Ela começa muito antes. Antes mesmo do mundo ser ‘mundo’…