Timeline

Photo by Priscilla Du Preez on Unsplash

Tuas fotos sorriem para mim como se me avisassem que você está bem. Qualquer incompletude que deixei parece esquecida. Tu me parece ostensivamente inteiro. Não há qualquer coisa de mim nas tuas caras ou nas paisagens de escolha. Teu melhor ângulo continua o mesmo. Mas o que sobrou de tudo que te falei, das músicas que mostrei, dos filmes que odiei contigo? Num cálculo rápido de meses e anos, decido que, pelo tempo, temos mais história pra contar do que tu com teu novo amor. Desde quando tu bebe gin? Se alguém te pedisse uma história de anos atrás, eu estaria nela — será que tu conta? Listo as séries que esgotamos, algumas drogas que compartilhamos e aquela vez que tu me levou a Paraty. O que sobrou do que trocamos? Eu que te dei essa camiseta naquele dia em que demoramos pra levantar. Tu ainda sorri. Sorri demais, como nunca. Culpo o gin. Culpo a minha necessidade de saber das coisas. Tu me parece bem. Sigo.

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esse texto faz parte do projeto Desvios de Afeto: uma coleção de textos sobre os fins do amor. aqui você acompanha pelo instagram (segue lá? ❤)