Todo homem que eu amei

Todo homem que eu amei me cobrou um pedágio.

Um preço pago por seguir o caminho que eu supostamente escolhi. Uma comissão por um serviço de manutenção que eu não solicitei. Todo homem que eu amei me arrancou alguns pedaços e pavimentou com partes copiadas de si mesmo. Buracos preenchidos de suas preferências.

Todo homem que eu amei me transformou numa colagem das suas próprias expectativas. Cortou, refez e remendou onde achou necessário. Meus vazios como telas brancas. Minhas vontades como peças que podiam ser arrumadas e reorganizadas como desejasse, quando desejasse.

Todo homem que eu amei teve de mim tudo que eu tinha. Me saqueou por inteiro. Todo homem que eu amei deixou para trás uma bagunça inconcebível. Largou sobre mim uma espessa camada dos meus restos desajustados. Me deixou sem encaixe. Me aterrou sob escombros de um amor egoísta que já amava outra.

Todo homem que eu amei me fez menos e se fez completo.


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