Bob Dylan e os limites da literatura
Gonçalo Mira
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ó Mira, então vais buscar uma definição de literatura a um dicionário comum? Além de não ser o melhor da língua portuguesa. Haja visto a definição que o Maussaud Moisés dá em Dicionário de Termos Literário:

“Problema fulcral e permanente, situado na base de todas as controvérsias críticas teóricas, o conceito de “literatura” tem sido amplamente examinado, sem conduzir a resultados definitivos.”

“Primitivamente, o vocábulo designava o ensino do alfabeto ou das primeiras letras, ou do que hoje em dia seria a gramática ou a filologia. Com o tempo passou a significar “arte das belas letras” e, por fim, “arte literária”.

Daqui discorre Moisés por mais alguns significados estabelecidos em outras décadas. E diz assim, mais à frente:

“Tal amplitude semântica, de resto, entranhada na etimologia do vocábulo, tinha razão de ser: desde a origem a Literatura condiciona-se à letra escrita, impressa ou não. Refere-se a uma prática que só pode ser verificada quando produz determinado objeto: a obra escrita. De onde não lhe pertencerem as manifestações orais, ainda que de cunho artístico; enquanto não se registram em documento, inscrevem-se mais no espaço do Folclore, Religião, Antropologia, etc., que nos domínios literários. Em suma: a literatura subentende o documento, o texto, manuscrito, impresso, datilografado, digitado, em papel, lâmina de metal, de papelão, disquete, etc., destinado antes à leitura que à audição.” em Maussaud Moisés, Dicionário de Termos Literários, Editora Cultrix, São Paulo, 2004, pp. 264/265.

Já comentarei isto de seguida.

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