Raposa Ruiva

O s antigos diziam que a Raposa é o único animal que saúda o sol, se curva sobre as patas traseiras e estica as patas dianteiras, em reverência. Ela faz isso durante anos, se transforma, e pode andar entre os homens, sem despertar a atenção, até que seja cativada.
No extremo Oriente, diz-se que a raposa possui o elixir da vida. Se esse elixir é estar diante do espelho que mostra as intenções do coração, a sinceridade do inconsciente, a raposa de fato se transforma e não é percebida, desperta os mecanismos de defesa mais cruéis: nos coloca diante de nós mesmos, e nos dá vida, então ela têm o elixir. Ela nos cativa, e ficamos sem norte, mas acontece só se a cativarmos primeiro.
“Tu te tornas eternamente responsabilizado por aquilo que cativaram em ti.” — Raposa de O Grande Príncipe.
Estonteante pôr do Sol que aquece a alma perene, a sua obra de arte de vastas cores dão propósito a minha admiração platônica por ela. Ela que me deu tanta angústia só por existir. Vejo o alaranjado de seus pêlos ruivos flutuando com a brisa amarga do ser, e ela me fita com seus olhos esverdeados, me deixando sem rumo. Tenho que me aproximar, mas parece que tudo está perdido, parece irreal, parece um sonho. Fico longe com a minha incerteza. Calcada em orgulho, confundo com serenidade, e em medo, com a certeza. Eu quero saber o porquê. Por que de estar perto e não falar, de estar longe e sonhar. Me fale o porquê do Sol, me fale. Tua beleza é incomparável Sol, mas ao olhar pra ti, tu me cegastes. Ela é Louca e Intocável, Luminosa e Inconstante, Amável e Nociva. De onde vem essa amor, se não a tenho? Me responda, Sol. Ela segue o que tem que ser seguido, mesmo triste não tem medo de mudar seu destino. E chora. Chora em busca de um abraço. E tu a dá Sol, do Espírito ao Corpo, o refrigério para a alma. Sol, não vês? Nunca saiu uma lágrima de mim se não por te olhar. Onde está o meu abraço? Talvez nunca chegue. Mas espero o nascer do dia, Sol, espero em ti, pois não confio na lua, ela muda a intensidade das ondas do mar da fúria do meu ser, ela rouba o teu brilho por enquanto está longe. Só confio em ti Sol. Só choro por ti. Só amo por ti.
-Sr. Raposo
Texto por Jonatas Pontes: Acredita que a sua falta de fé é perturbadora, mas pede perdão pela incredulidade. Filho de Deus, amante da música e estudante de Psicologia.
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