Um café por 60 cêntimos dá direito a

Uma imahem que anda a correr por aí (autor desconhedido)

No espaço de duas semanas a imagem acima chegou ás minhas mentions no Twitter. A primeira vez através da Lia e a segunda ontem a partir desta discussão:

O tom do cartaz todo ele grita taberneiro, o que começa logo pelo preço do café: €0.60. Se um café custa €0.60 não pode ser de boa qualidade, muito especialmente com o preço que a matéria prima tem vindo a sofrer nos últimos meses.

Mas adiante, que o que me traz aqui são outros quinhentos.

Um tasco aberto ao público tem que ter uma série de condições para que o mesmo público o frequente. A diferenciação e a selecção natural do tipo de clientela que se quer ter no espaço faz-se através de uma série de factores, sendo os mais importantes o preço, a qualidade do atendimento, a limpeza de todas as áreas, a qualidade das matérias primas, e outros perks que são oferecidos mas que na realidade têm que estar diluídos no PVP de todos os produtos: WiFi, tomadas de electricidade, jornais e revistas actualizados, etc.

A imagem acima a mim só me mostra a cabeça de alguém que continuou a acrescentar serviços aos seus clientes sem ter a coragem de aumentar os preços, entrando no discurso do coitadinho. Para isso não tenho paciência.

O negócio dos tascos hoje em dia não é para amadores: muita gente desconhece que no dia-a-dia de um tasco moderno palavras como “processos”, análise de dados”, “gestão de stocks dinâmica”, ou “protocolos de interacção” são usadas.

No background do que é uma mesa com um café e a última Courier Internacional ou Wallpaper existe um complexo sistema de análise de custo/benefício que vai sendo moldado dinâmicamente.

A tecnologia e os sistemas de informação vieram potenciar tudo isto: sensores de movimento para poupança de água e electricidade, medição de tráfego pedonal, sistemas de reserva com um back-office que permite saber a qualquer momento as taxas de ocupação e as comparar com períodos anteriores permitindo fazer projecções para o futuro. Isto tudo e muito mais.


Posto isto, há o outro lado da moeda. Só quem nunca teve que limpar uma casa de banho de um tasco na época alta é que pode dizer que a maioria dos clientes são civilizados: não são, nem perto disso, levando-me a querer que a maioria vive mesmo numa pocilga. São as casas de banho, são as esplanadas, é o roubo de papel higiénico, de chávenas de café, de galheteiros, de saleiros e pimenteiros, e até de cadeiras.

A ironia de tudo isto é que estes custos, numa organização moderna, estão já previstos em todos os preços. Paga o justo pelo pecador? Sim. Mas no dia em que deixarem de haver pecadores, a malta dos tascos revê os preços. Ou seja, nunca.