JOGAR FUTEBOL TALVEZ NÃO SEJA A MELHOR ESCOLHA

Athos Mazzoni com 18 anos no campo de futebol. (foto:arquivo pessoal)

Os destaques dos campeonatos brasileiros são os jogadores que marcam um gol marcante no jogo, e arrancam gritos de uma torcida que não perde uma partida de futebol. Na seleção brasileira, podemos ver os nomes daqueles no qual, mostraram seus talentos na carreira como Hulk, Daniel Alves, Lucas Lima, entre outros, são os convocados para jogar a Copa América nos Estados Unidos.

Eles conseguiram chamar a atenção, e foram reconhecidos, ou na infância, através de alguém, e acreditaram na sua capacidade. Mas, e quando acreditamos naquilo que queremos, mas nem sempre os sonhos dão certo?

Assim aconteceu com Athos Mazzoni, ex-jogador de futebol que frequentava o estádio do Primavera, na cidade de Indaiatuba, e obteve muitas conquistas ao longo de sua carreira. Desde os 7 anos, ele reunia com os amigos na praça Ruy Barbosa para brincar de bola.

“A forte ligação com os gramados é um legado da família. Acompanhei meus tios jogando ou ajudando o Esporte Clube Primavera. Participaram da equipe em 1927, quando o clube foi fundado”, afirma. Com isso, se iniciava os estudos, mas por motivo espontâneo, assumiu sua posição desde pequeno de assumir a responsabilidade em sua vida.

“Continuar a jogar não estava em meus planos, e pedi para minha mãe Olympia parar os estudos, porque queria trabalhar. Assim, voltei a jogar futebol, e ingressei na categoria Juvenil do Primavera”.

Naquela época, a cidade de Indaiatuba era pequena e não tinha recursos para definir um jogador profissional, o destaque dependia somente da criança. As afirmações certas disso vêm do seu grande amigo, Carlos Pech. “Hoje, os jogadores que estão em campo e começaram nas escolinhas, foram aprendendo mais, naquele tempo era tudo improviso, você era bom ou ruim. Naquela época tinha muitos talentos no time do Athos, cinco deles já eram observados pelos olheiros e principalmente o treinador Tuia incentivava muito ele, pelas suas boas habilidades de jogador,” explica.

Partida de jogo do Primavera contra o Paulistano. (foto:arquivo pessoal)

Aos 14 anos, no seu aprimoramento nas jogadas, passou a fazer parte da categoria amadora, e os primeiros destaques começaram a ser descobertos pelo clube. “Em 1954, proporcionando ao clube, título de Campeão Amador da cidade e de Bicampeão em 1956 e com isso, o futebol foi traçando fatos em meu dia a dia, aumentando o meu amor por futebol”, declara.

Imprevistos antes dos jogos pode parecer problema, mas não para Athos. No ano de 1964, houve uma decisão famosa para o time disputando com a equipe habilidosa do Cisa. Como o Primavera corria risco de perder, Laércio Miranda, diretor do clube, deu uma ‘laranjada’ para todos os jogadores. ”Levou todo mundo para tomar injeção no hospital antes do jogo. Não sabia que existia isso, esse tipo de droga, e voltaram com o corpo ‘elétrico’ e conseguiram ganhar o jogo”, diz Carlos.

Carlos e Athos na Stalden Chocolates (foto: Camila da Silva)

Chegou a disputar o campeonato amador do estado, em jogos amistosos contra times de expressão como Olaria do Rio, Portuguesa Santista,entre outros. Pelas suas técnicas no campo, conseguiu realizar o grande sonho de jovens sonhadores: foi aprovado para treinar no time do Corinthians por 30 dias e iria ser contratado.

Ele explica a motivação que o levou a não participar de times grandes. “Apesar de receber convites de outros grandes times, continuei no Primavera que, afinal era o time de toda família, e era minha segunda casa”.

Comparando-se com os jogadores de hoje, a questão financeira está exposta nos anúncios publicitários como Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo, passando a ‘ilusão’ de todo jogador ser milionário. ”A parte financeira impera muito, antigamente não tinha muito dinheiro. Não existe mais amor pela camisa, trocam com frequência de time e não estão satisfeitos com o salário”, afirma Carlos.

Athos declara com satisfação como o futebol teve domínio em sua vida, mesmo que não seja mais lembrado. “Percebo o quanto o futebol esteve na minha vida, na rua, no quartel e no Primavera, cuja camisa defendi durante 17 anos. A bola em si é um elemento fascinante, é um brinquedo sedutor, mágico, que adiciona poesia e lirismo na sua relação com o homem”.

O futebol já não era mais sua profissão favorita, mas o seu talento foi marcado no tempo. A partida se encerrou, mas começou um caminho novo e desafiador. Começou a se dedicar na culinária, e fundou o restaurante D.Pedro II, diferenciando de todos os outros na cidade, especializado em comidas diversas, no qual as pessoas almoçavam e jantavam, e tinham pratos especiais de finais de semana e feriados.

Pelo seu jeito gentil, o futebol trouxe grandes amigos, e momentos inesquecíveis que lhe fizeram repensar na vida que levaria. O mundo do futebol vai além de ser bom jogador, precisa de escolhas que influenciam na sua personalidade , nem tudo é como a mídia mostra.

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