Capítulo 5 — O Rei dos Piratas e o Grande Espadachim

Eí! Por aqui! — Algum marinheiro gritou — Não o deixem escapar!! — Em seguida, o corredor ficou infestado de homens.

Cadê a espada do Zoro? — Luffy perguntou enquanto fugia. Seguia levando o almofadinhas preso pelo colarinho.

Eu falo!! Mas para de me arrastar!!! — Helmeppo implorou.

– Pronto, fala. — Luffy disse ao subitamente parar de correr e olhar diretamente para os olhos do seu refém.

Ok, eu falo. — Helmeppo disse enquanto se borrava de medo — Está no meu quarto… E nós já passamos por ele…

– Porque não me disse antes?! Agora vou ter que voltar! — O pirata falou irritado. Liberou sua raiva com um soco.

Argh! Você me bateu de novo!!

Então os marinheiros os alcançaram.

Eí! Parado aí! Renda-se!! — O líder do grupo de resgate ordenou.

Eu não. — Luffy disse simplesmente. E com um movimento rápido, se colocou atrás de Helmeppo, e o fez de escudo humano — Se quiser, podem atirar! — Começou a correr na direção dos homens.

Droga!! Ele tá usando o Helmeppo-sama como escudo… O que fazemos? — Os marinheiros falaram. Logo em seguida, o intruso já passava por eles rapidamente. Não fizeram nada.


– Aaaahh!!! Aaaahh!!! — O garoto de cabelos roxos gritava, deitado ao chão, sem conseguir esconder a dor — Me acertaram!!! — Tocou o ombro esquerdo e olhou seus dedos vermelhos e úmidos — É sangue!! Estou sangrando!!! — Seus olhos arregalados não conseguiam acreditar no que viam — Eu vou morrer!!

– Pelo menos você ainda tá vivo… — O caçador de piratas falou — Aproveita e fuja logo daqui. Eles estão vindo pra cá.

– Não!! Eu… Ah, é mesmo! Eu preciso te desamarrar…! — Koby disse entre um suspiro de dor e outro.

Não se preocupa comigo. Daqui a um mês vão me soltar. Por isso, vai logo… — Zoro disse pra tentar dissuadir o garoto.

Não vão te soltar não!! — Koby falou desesperado enquanto tentava se levantar a todo custo –Eles pretendem te executar em três dias!!!

– Do que você está falando?! — Zoro perguntou atônito — Aquele idiota filhinho de papai prometeu que iria me soltar se eu sobrevivesse um mês…

– Que promessa, que nada! Ele nunca teve a intenção de cumpri-la!! — Koby disse exasperado — Foi por causa disso que o Luffy-san Bateu nele! Porque ele traiu a confiança de uma pessoa direita como você!!

– Como é que é?!

– A marinha está contra vocês dois! Por isso, por favor! Depois que eu o soltar, ajude o Luffy-san!! –Koby ainda sentia-se fraco pela falta de sangue. Suava muito — Eu devo a minha vida a ele! Não vou pedir que você se torne um pirata, mas o Luffy-san é mesmo muito forte! Vocês dois juntos, conseguiriam fugir dessa cidade tranquilamente! Por isso vão em frente! — Finalmente conseguiu se levantar. Quando olhou por cima do ombro do prisioneiro, avistou a marinha entrando.

Parados aí! — Um dos marinheiros gritou. Toda a tropa apontava rifles aos dois — Pelo crime de rebeldia contra o Capitão Morgan, temos ordens de executá-los imediatamente!!!

Zoro engoliu o ar e Koby começou a chorar desesperado.

Logo em seguida, o próprio capitão da base apareceu.

Cerquem a base! Não deixem aquele moleque de chapéu de palha escapar de forma alguma! –Morgan gritou essas palavras alto o suficiente para que todos os marinheiros da base pudessem ouvir. Sua voz ecoou por um raio de mais de 500 metros — Muito engraçado… — Dessa vez ele falou se dirigindo aos seus mais novos prisioneiros, que permaneciam sob a mira de seus homens –Vocês três planejavam o que? Um golpe de estado? — Concluiu com desdém — Roronoa Zoro, eu conheço a sua fama e é melhor não vacilar comigo. Sua força diante do meu poder, é o mesmo que nada!! — Pausou durante um tempo — Preparar armas homens!!

– Eu… Não posso morrer assim… Ainda tenho muita coisa pra fazer! — Zoro falou por entre os dentes.– Eu ainda tenho que cumprir uma promessa!! — E então lembrou-se…


– Iaaah!!! — O garotinho de cabelos verdes gritou ao cair no chão e sentir uma enorme dor na testa. Ao lado dele, duas espadas de bambu estavam jogadas ao solo. Perto dele, uma garota de curtos cabelos escuros e que se vestia como um garoto, permanecia em pé com sua espada de treino em punhos.

Nessa época, o caçador de piratas não devia ter mais do que 10 anos.

Kuina é a vencedora!! — Uma voz adulta falou — Mais uma derrota para o nitou-ryu* de Zoro! Com essa são 2.000 vitórias para Kuina e zero para Zoro!!

Que decepção! — A garota vencedora falou, em tom depreciativo, para Zoro — Você continua muito fraco… Nem parece homem!

Eí!! O Zoro não é fraco, não!!! — Um dos garotinhos que assistiram a luta falou em defesa — Ele é o mais forte do nosso dojo!! Mais forte até do que os adultos!!

– Ah é? Mas é mais fraco do que eu. — Kuina disse, enquanto colocava sua espada de bambu no ombro e se preparava para ir embora — Do que adianta usar duas espadas se só sabe perder?! Os perdedores devem ficar quietos! — falando isso, deixou o local.

– Droga! Que raiva dessa Kuina!! — Zoro resmungou — Garota insuportável! Fica se achando só porque é filha do mestre do dojo!

– Perdeu de novo? — Uma voz amistosa surgiu inesperadamente perto dos garotos — Que pena Zoro, você é tão forte…

– Mestre! — os garotos exclamaram ao perceberem de quem se tratava — Você não está treinando sua filha escondida, né?! Isso não vale!!

Não, não! Eu não faria isso! — O mestre do dojo respondeu calmamente.

Droga! Então porque eu não consigo derrotar essa garota?!! — Zoro exclamou exaltado.

Veja bem, Zoro… — O mestre falou enquanto se abaixava para ficar ao nível dos olhos do garoto –A Kuina é um pouco mais velha que você…

– Mas mestre! Eu derroto até alguns adultos!! — Zoro rebateu — Quando eu crescer, quero atravessar os mares e ser o espadachim mais forte do mundo!! Não posso começar perdendo para ima garota!!!

Ao ouvir isso, o mestre abriu um leve sorriso.


Era madrugada de lua cheia e enquanto a maioria das pessoas dormiam ou descansavam, uma garota suava enquanto manobrava sua espada de bambu.

Eí Kuina! — Zoro gritou interrompendo a garota — Eu te desafio a lutar com espadas de verdade, sem ser as de treino! — O garoto trazia duas espadas com ele, uma em cada mão — Você tem uma espada de verdade aí, não tem?!

– Você quer lutar? — Kuina falou em tom de desafio — Tudo bem.

Os dois jovens sacaram as espadas de suas respectivas bainhas e se colocaram em posição de combate. De um lado, Kuina segurava sua espada com ambas as mãos, pronta para aparar e desferir golpes poderosos. Do outro, Zoro empunhava uma espada em cada mão, preparado para lançar e aparar uma seqüencia de movimentos rápidos e precisos.

Apesar de ainda serem muito jovens e de usarem estilos diferentes, ambos eram espadachins competentes e mortais.

O duelo começou quando de súbito, ambos pularam para frente na tentativa de encurtarem a distância entre as lâminas. Ao se aproximarem, o barulho produzido pelos inúmeros choques entre as duas espadas de metal, foi ouvido ao longe. Tamanha a velocidade de ambos, se faz impossível dizer ao certo o que acontecia. No entanto depois de algum tempo impreciso, os barulhos cessaram e duas espadas voaram para longe do embate. Zoro recuou para desviar de mais um golpe e caiu ao chão desequilibrado. Kuina se lançou por cima dele e desceu verticalmente sua espada. A ponta da lâmina se cravou no chão a menos de um centímetro da orelha esquerda de Zoro.

Com essa, são 2.001 vitórias. — A garota falou ao desencravar sua espada do chão.

Droga! Droga! Droga! Que raiva!!! — Zoro resmungou pra si mesmo, e então levou as mãos ao rosto para esconder as lagrimas que começavam a sair de seus olhos.

Não fica assim… — Kuina falou tristemente, mesmo tendo acabado de ganhar — Quem ter que ter raiva aqui sou eu…

– Hã? — Zoro exclamou sem entender. Dessa vez ela não parecia estar debochando dele.

As meninas, quando crescem, ficam mais fracas do que os homens… — A garota continuou falando enquanto se sentava ao chão perto de Zoro — Isso significa que daqui a pouco tempo, vocês todos vão me superar… — Dobrou os joelhos e apoiou os braços neles- Eu sempre ouço você dizer que quer ser o espadachim mais forte do mundo. Mas sabe o que meu pai diz? — Cada vez sua voz ficava mais triste — Que uma menina jamais poderá ser a espadachim mais forte!! Eu tenho inveja de você Zoro… — Lagrimas começaram a descer pela sua bochecha — Eu tenho inveja por você ser homem! Porque eu também queria ser a melhor do mundo!! Eu tenho raiva até do meu peito que está começando a crescer… Eu queria tanto ter nascido homem… — Kuina desabafou finalmente.

Calma aí! — Zoro gritou exaltado — Você me vence e fica chorando desse jeito?!! Isso não é justo!! Você sempre foi uma meta pra mim!! Esse papo de homem ou mulher… Se um dia eu te derrotar, você vai vir com essa mesma ladainha?! Vai fazer parecer que não foi por mérito meu?!! Então porque eu tô treinando como um louco pra te derrotar?!! Para de falar besteira garota!

– Zoro… — Foi a única coisa que Kuina conseguiu falar por entre as lágrimas.

Agora me prometa! Um dia, eu ou você, um de nós dois será o melhor espadachim do mundo!! Vamos competir pra ver quem vai ser!!!

– Seu bobo… — Kuina esboçou um sorriso e secou suas lágrimas — Você sabe que você é um fracote. Mas tá prometido!

Então os dois jovens apertaram as mãos para firmarem o pacto.

No entanto, na manhã seguinte Zoro recebeu a notícia mais triste de sua vida. Kuina havia caído da escada de sua casa e morrido.

Droga!! Você se esqueceu da promessa de ontem?! — Zoro gritava no velório, enquanto era segurado pelos adultos ali presentes. Nunca havia ficado tão irritado em toda a sua vida. Sua intenção era ir até o corpo da garota e forçá-la a acordar — Tá fugindo de mim, é, Kuina?!

– Como… O ser humano é frágil, não… Zoro? — O mestre falou, inconsolável, ao chegar perto do garoto.

Mestre… Eu posso ficar com a espada dela? — Foi a única coisa que Zoro conseguiu falar.

Sim… Claro… — O pai de Kuina respondeu. E então pegou a espada de bainha branca que jazia perto do corpo da garota e entregou à Zoro.

Mestre! — Zoro falou ao lagar suas duas espadas no chão e receber a mais nova espada, como se fosse um verdadeiro tesouro — Eu vou ser forte por mim e por ela!!! — O garoto trincou os dentes e começou a chorar pela primeira vez desde que recebera a notícia — Vou me tornar o melhor espadachim do mundo, pra que meu nome chegue até ela nos céus!!!


– É esse o quarto? — Luffy perguntou para Helmeppo, ao abrir uma das portas e entrar em um cômodo — Ah! Achei! Tem umas espadas ali no canto! — Disse, sem esperar um resposta, ao perceber algumas espadas apoiadas próximas a janela do quarto. Foi até elas. Ainda arrastava Helmeppo pelos braços — Mas tem três espadas aqui… Qual é a do Zoro? — Luffy perguntou novamente para o seu refém. Não obteve resposta. Olhou pra baixo e viu que ele tinha acabado de perder os sentidos — Ah, qual é? Vai desmaiar agora seu mariquinhas? — No entanto, logo depois, algo chamou sua atenção. Alguém estava gritando lá embaixo no pátio de execução. Resolveu olhar pela janela — Ué, o que será que tá rolando lá no pátio? — Então viu que algo estava para acontecer. O capitão da marinha acabara de dar a ordem de preparar as armas para a execução. Luffy só teve tempo de amarrar as três espadas as costas, segurar o parapeito da janela com ambas as mãos, recuar alguns metros fazendo o seus braços esticarem, pular e deixar que a força elástica de seu corpo o arremessasse janela a fora, na direção do totem aonde Zoro estava preso e prestes a ser fuzilado. Ao começar a voar, gritou — Gomu-gomu-no… Rocket!!!

– Atirem!! — Capitão Morgan ordenou aos seus homens, sem nem ao menos perceber que uma janela, a dezenas de metro de altura, acabara de se quebrar.

Ao receberem a ordem, as dezenas de marinheiros que estavam ali, miraram perfeitamente nos dois rebeldes e lançaram uma salva de tiros precisos. Se as balas houvessem chegado ao destino, certamente o caçador de piratas e o aspirante a marinheiro já estariam mortos. No entanto, numa fração de segundos inimaginável, um terceiro elemento surgiu entre os marinheiros e os alvos.

Vindo do alto, um garoto de chapéu de palha aterrissou feito um cometa no pátio. Ao chegar ao chão, ficou parado em pé com os braços e as pernas abertas, servindo de um perfeito escudo para aqueles a quem ele queria defender. Alguns centésimos depois, dezenas de balas se cravaram por todo os seu corpo. No entanto, o que ninguém jamais poderia imaginar, era que as balas não perfuraram sua pele. Porque ao invés rasgar a carne de Luffy, a munição simplesmente empurrou-a para trás algumas dezenas de centímetros, até perder a potencia e depois fora expelida quase na mesma força em que entraraTudo isso, graças ao corpo elástico que o garoto tinha.

. Ao saírem do corpo de Luffy, as balas voltaram na direção dos marinheiros causando um grande tumulto. Muitos foram atingidos, mas nada sem graves danos aos marinheiros, devido a potencia reduzida da munição. Outros tantos fugiram devido a tamanho susto que levaram e por temerem que aquele garoto estranho tivesse mais algum truque bizarro na manga.

Há, há, há, há, há! Balas não funcionam em mim!!! — Luffy se divertiu ao ver o espanto de todos.

Caramba!!! Como você fez isso?!! — Zoro perguntou estupefato.

Koby talvez teria perguntado a mesma coisa, mas devido a um misto de espanto com a cena e de cansaço por ter sido atingido, simplesmente caiu no chão desmaiado.

Fácil. Afinal, eu vou ser o Rei dos Piratas! — Luffy respondeu animadamente. E então tirou as espadas que estavam presas em suas costas e estendeu-as na direção de Zoro — Toma! Qual delas é o seu tesouro? Não sabia e acabei trazendo as três.

– São todas minhas, porque eu uso o estilo santou-ryu, o estilo das três espadas. — Zoro respondeu, ainda preso ao totem de execução

Se você lutar agora contra a Marinha, junto comigo, vai virar um bandido. — Luffy apontou os fatos para o caçador de piratas — Ou você pode morrer amarrado aí. O que prefere?

– Isso é chantagem! Mas tudo bem… Se a outra opção é morrer, eu prefiro… — Hesitou um pouco antes de dar sua palavra final — Eu prefiro ser um pirata!



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