Allende está ocupado na Zona Leste

Em meio à crise educacional no estado de São Paulo, me surge uma notícia curiosa. “A escola Salvador Allende está ocupada pelos alunos”. Em seu túmulo no Cementerio General ,em Santiago, Salvador deve estar feliz.

Escola Salvador Allende Ocupada (Reprodução/G1)

Os mesmo jovens secundaristas que criaram o MIR, em 1968, nas fileiras universitárias e até nas escolas (ou Liceos, como são conhecidas as escolas principais no Chile) se fazem presentes nas almas paulistas. Talvez não há razão social semelhante e a luta política é bem distinta, mas ainda é uma luta política.

No Chile pós-ditadura, mas com seus rusgos com o passado, desde os anos 90 discute-se nas escolas e nas ruas o modelo estudantil semelhante ao norte-americano. Existem escolas públicas de ensino, porém inicia-se o processo de deterioração desses locais e os estudantes precisaram tomar as ruas em 2006 para exigir mudanças muito além do básico “Não feche minha escola, Alckmin”. Reforço, o básico.

Filme sobre a revolta estudantil no Chile (Reprodução)

Passamos por processos sociais cada vez mais retrógrados em nosso País e São Paulo não escapa desse quadro. O maior problema é que essa reorganização escolar prometida pelo governo do estado não clareia como serão realocados os alunos e como serão direcionados os profissionais das escolas fechadas. Literalmente, fechando escolas para dificultar o ensino. Não é nada além disso.

A sorte é que a chama da juventude não se apaga em períodos democráticos. A brasa acesa social, apenas com mudanças de temas (já que os de lá não resolvem corretamente), segue nas mãos deles. Que tomem as escolas pela porta da frente e que tenham a fibra de explicar às pessoas o que se vive e o que se estuda. Seus direitos, a história e a cidadania tão colorida nas falas, e em falta nas ações governamentais.

“Adelante, camaradas”, diria Allende se fosse vivo e não o nome da escola. Enfrentem temores. Eles são passageiros, diferentes dos cadeados que fecharão as escolas. Muitas pessoas ficarão sem acesso à educação para o governo fazer sua vontade (ainda muito nebulosa e sem fundamentos).

Que Allende possa ensinar às crianças o que ensinou aos que hoje são velhos.

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