A estupidez orgulhosa de si mesma: eleições 2016

Quando acabou a eleição de 2012, com Jussara Márcia (PT) eleita com 73% dos votos válidos, era uma quase unanimidade a ideia, entre a oposição, de que o candidato derrotado se tornaria a “maior referência política do município”. Bom, como a unanimidade não sou chegado, sempre desconfiei até mesmo da capacidade do mesmo ser… político. O tempo mostrou que referência ele não é, líder não pode ser e político apenas se imagina. Mas, não deixa de ser uma boa escada.

O messianismo político, sempre, sem nenhuma ressalva, é a fabricação genérica de uma imagem dirigida por marqueteiros ou pelos desesperados. No caso diasdavilense, foi uma luz no fim do túnel para os desesperados, renegados e esquecidos. O maior problema dos “messias” que surgem na política de período [eleitoral] em período [eleitoral] é que os mesmos se sustentam com propostas que os precederam. 
É como se o passado vestisse nova roupa e viesse bater à sua porta. Lindo, não?

Ora, entre a eleição municipal de 2012 e a de 2016 houveram as eleições presidenciais em 2014. Com a eterna promessa se candidatando à deputado estadual. Ele achou que ganharia? Não. Se candidatou por quê, então? Simples, para aumentar, digamos, sua capilaridade eleitoral. No entanto, parece que o dito cujo é resistente a aprender com os erros. Sem conseguir agregar em torno de si a oposição, isolou-se dos demais, aumentando o hiato entre as forças que protagonizam a posição de combate à gestão. 
Vale notar, apesar de ter sido o deputado estadual mais votado do município, em comparação com a eleição anterior ele teve um leve recuo dos votos. Sem forças orbitando ao seu redor, sem aumento gradual de votos e sem identidade política restou-lhe apenas a satisfação de ter disputado com os demais uma eleição que aliou-se consigo mesmo.

O episódio mais trágico é também o mais cômico: a “eleição” para a presidência do PSDB. As aspas se aplicam apenas pelo simples fato de não ter havido eleição. Uma decisão que esmagou a soberania do partido desceu de Brasília para cá, e puff, em um passe de mágica o vereador [agora no PDT] Jr do Requeijão era destituído junto com a executiva municipal e sucedido pelo eterno candidato. Logo, ficou claro, ele não era apenas inábil politicamente, também era descomprometido moralmente.

Em debate com um pré-candidato matense pela rádio Sauipe Fm, eu disse que isso era “esmagar a soberania municipal”. A resposta é de que é “normal uma instância superior indicar as lideranças estratégicas”. É mesmo? Vamos ver o que diz o estatuto do Partido:

trecho do estatuto do Partido da Social Democracia Brasileira

Fica claro que, se normal for este tipo de decisão autoritária, que passa por cima da convenção, ela está em desconformidade com o estatuto e, pior, sem qualquer lastro moral.

Eu tenho uma tese para que tantas trapalhadas sejam feitas, mesmo quando há uma iminência de acertos; todos agentes políticos acham que há um destino devidamente projetado com os quais eles devem seguir e participar. Vale lembrar a eles uma das melhores frases de Friedrich Engels e um de seus adversários intelectuais, Whalter Borgius, ao comentar sobre o caminhar histórico dos homens: “suas aspirações entrecruzam-se e, em todas essas sociedades, reina, precisamente por isso, a necessidade cuja extensão e forma fenomênica é o acaso.”
Política é uma questão de timing, não de projetos inábeis.

Um dos motivos que alçam estes “propósitos naturais” é o povo. Como se fossem uma massa única e bem uniforme, as “conversas” em bairros periféricos, geralmente na casa de pré-candidatos à vereança, apenas demonstram o caráter atrasado e pouco inteligente com que se trata a política.

As Democracias Liberais, ao curso do tempo, abrem mão da política-ideológica para aderir a uma política-administrativa que apenas ajuda no afastamento da população de todo o estamento burocrático. Dias d’Ávila não é sorteada neste sentido; apenas é afetada pelo sistema a qual se insere. 
Isso significa que a candidatura logo não tem responsabilidade com a renovação? Não. Pior! O candidato — e as moscas que o cercam — são irresponsáveis exatamente por não ser condutor de renovação política. Não digo administrativa, falo do próprio procedimento eleitoral. 
Acho-o fraco politicamente, não creio que vá vencer a disputa. Entretanto, é pela certeza de derrota que tenho a convicção de que ele perde a oportunidade de se renovar.

Daqui a alguns anos, as eleições 2016 será lembrada como a eleição em que mais houveram perdas de oportunidades políticas. Insistentes em errar, não percebem que “mais vale o processo que o resultado”! Aparentam serem estúpidos — apesar de não sê-los — e estarem satisfeitos de assim parecer.