A PRISÃO DE CUNHA, A LEI E O FUTURO

Adianto que, desde o exato momento em que fui informado da prisão preventiva de Eduardo Cunha não fiquei feliz. Não havia ali nada de espetacular - era óbvio que isso aconteceria - e, pior, dada as últimas semanas, esta prisão cheira a golpe.

Primeiro, gostaria de falar exatamente sobre o campo simbólico que permeia a decisão do juiz-midiático Sérgio Moro. 
As esquerdas nacionais se especializaram em atomizar as reivindicações, as lutas sociais e as pautas complexas. Reduzimos o ataque ao presidencialismo por um congresso corrupto em "Fora Cunha"; condensamos a defesa da democracia contra o golpe em "Fora Temer". Personalizamos tanto a política que referendamos a base que permitia a nossa derrota no campo político. 
Cunha foi cassado, intimado e preso. O que mudou para as esquerdas?

Agora, as leis. Nunca antes na história desse país, um tribunal criou tantas vezes um estilo único de se fazer justiça. A "heterodoxia" da República de Curitiba aponta ao domínio das idiossincrasias em relação ao texto legal. 
Por exemplo, vamos ser claro: NÃO HAVIA MOTIVOS PARA EDUARDO CUNHA SER PRESO HOJE. Desculpa desapontar meus amigos de Facebook, mas, dado o texto e sua interpretação objetiva, a situação do ex-deputado não se encaixa naquilo que a lei prescreve para a "prisão preventiva".

Os motivos elencados para justificar o recolhimento do réu apontam sobre o passado, ou seja, sobre situações pelo qual ele é investigado. Ou seja, ele está sendo condenado previamente sem o devido processo legal? 
Não é a primeira vez que o Juiz Sérgio Moro toma decisões dessa natureza, talvez, e assim observo, seja essa a natureza dele.

Então, já que a lei não é tratada de forma objetiva, devemos nos perguntar como eles enxergam as leis. Por óbvio, a Lava-Jato têm em seu escopo jurídico o campo das convicções. Opera com base nas subjetividades e larguezas hermenêuticas de seus ideólogos, sejam eles Carl Schmitt ou a Operação Satiagraha.

O estrago que a Lava-Jato, com todo seu jeitão pessoal, causa no país não se limita ao desmoronamento da classe política (que virou mito. A classe política se mantém forte, sem qualquer grande estrago, apenas se criminalizou a corrente de pensamento progressista), mas sim ao esfacelamento do ordenamento jurídico. 
Sem objetividade jurídica, com convicções que ultrapassam as provas, fatalmente caminharemos à barbárie. 
E o alvo todos conhecemos: São as esquerdas, mas eles, assim como nós, só que com muito mais competência, personalizarão na figura do ex-presidente Lula. 
Relembro Badiou: a coerção econômica, por vezes vem disfarçada de razão jurídica.

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