A SANHA TOTALITÁRIA DO GOLPE

Marx dizia que “a emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores”. Vemos que o golpe perpetrado em 2016 no Brasil nada tem a ver com liberdade com emancipação dos povos; quem cai não é uma tirana, mas sim uma representante democraticamente eleita. Quem triunfa na tarde deste fatídico 31/08 são as elites que, percebendo o esgarçamento do modelo conciliador, abre mão de suas máscaras e atenta contra os trabalhadores.

O Estado Capitalista sempre, ao longo de sua história, usou dois disfarces bastantes convincentes: a ditadura burguesa aberta e a ditadura burguesa oculta, também chamado de democracia. Nesta odisseia pitoresca que ficou sendo conhecida como impeachment, a destituição de valor dos dispositivos próprios da ditadura burguesa oculta nos fazem retornar à ideia de que a Democracia é apenas uma circunstância, não uma regra. A depender de qual maré o barco da República pegar, entregar-se às mãos tirânicas não parece ser de todo ruim.

Ao fim de todo o processo, o sistema político mantém-se intacto, digo até que mais forte. Não puniu-se a corrupção nem o mau funcionamento das instituições, ao contrário, salvaram-se anéis e dedos corruptos e asquerosos. 
Condenamos a honestidade, a coragem e o gênero feminino. Buscou-se criminalizar o pensamento de Esquerda a todo momento [e estão conseguindo], tornar expoentes da política progressista inelegíveis e refundar a República. A tarde de hoje foi apenas um passo na consolidação da nova hegemonia.

Escrevo essas linhas com bastante pesar, já que, infelizmente, percebe-se que nem mesmo os liberais — amantes incondicionais da democracia e das leis, segundo eles próprios — amadureceram historicamente a ponto de suportarem as derrotas. De 64 para cá, os métodos apenas se refinaram, mas a sanha totalitária do golpe continua acesa.

Não há qualquer interesse entre os direitistas que protagonizaram esta farsa na refundação do estamento burocrático do país, pois, para isso, necessitaria do próprio sacrifício. O que se há é a exposição do desejo de governar sem auxílio do povo. Não lembro se fora Gramsci, Marx, Engels ou qualquer outro teórico importante que dissera que, de anos em anos o povo trabalhador ia às urnas decidir quais homens os dominaria, exploraria e esmagaria no parlamento. Quando as escolhas do povo não cumprem a expectativa dos governantes, o congresso os descarta.

Chegamos ao ponto em que há uma ruptura tão grande nas instituições que tudo muda para continuar exatamente como está; O PT é apeado de seu lugar, o povo afastado de suas funções políticas, Dilma entra em stand-by e os Mercados/Especuladores/Escravagistas respiram aliviados: o caminho está livre. A Presidenta eleita disse um “até logo”. Espero que este “logo” não seja tarde demais. A sanha totalitária da Direita está insaciável.

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