ELEIÇÕES DO DCE E O QUE QUEREM AS ESQUERDAS ACADÊMICAS?

Com o fim das eleições para o DCE da UFBA e com a possível recondução da ‘Mandacaru’ [agora renomeada para “Nós por Nós”], fica um questionamento válido: o que houve com as Esquerdas Acadêmicas nestas eleições para deixar o Diretório nas mãos de uma chapa tão pouco representativa?

Muitos amigos e colegas de esquerda me repreenderam por ter votado e apoiado a Integra-Chapa 03, diziam eles que era uma “chapa de Direta” — como se ser de direita fosse um defeito que jamais poderia ser aceito junto às Universidades — e repetiram, quase que como um mantra, que era preferível a Chapa 01 (Nós por Nós) ser reconduzida que a Chapa 03 vencer. 
O Grupo da UFBA no facebook chegou a ter quase que uma dezena de postagens no mesmo dia em oposição ao Integra. 
Da forma como as demais chapas se comportaram, aparentou-se que quem viria disputando reeleição eram os Não-Alinhados que compunham a Chapa 03 e não os partidaristas da 01.

É importante se atentar ao movimento de declínio das forças progressistas em todo o país. Em última análise, todo declínio nasceu da manutenção sem base. Aprofundando, é claro, veríamos os motivos desta perda da base, como se dissolveram seus correligionários, em que momento os movimentos de esquerda se descolaram da realidade prática e etc., no entanto, é nesta falta de autocrítica [e, quando feita, opera-se com extrema arrogância e desonestidade intelectual] e no abandono da análise materialista que os progressistas perderam terreno.

Não se faz oposição enquanto os valores forem os mesmos que a da Chapa adversária, ou, em outras palavras: a única chapa que diferia da ‘Mandacaru’ em todos os gêneros, e não só em métodos ou retórica, era a Integra. Logo, deve-se atentar que as demais chapas de Esquerda infelizmente ainda não conseguiram criar uma alternativa ao petismo. Isso não significa que a chapa 03 estivesse correta, no entanto, demonstra que as demais estavam, sim, erradas. 
Continuam a orbitar em torno de uma força política esgarçada que pouco tem a oferecer enquanto perspectiva política e acadêmica. A chapa 02, por exemplo, parecia ter saído de um laboratório, afinal, aparentava ser clone daquela que se dizia combater.

Não entrando no mérito de ter ocorrido ou não fraudes na eleição, o que aconteceu na UFBa segue apenas a lógica de que a consciência das esquerdas universitárias apenas seguem o dualismo de Arlquim e Pierrot: a falsa consciência de um e a consciência pérfida do outro. 
Não tentaram demonstrar alternativas à tentação totalitária de dominar o DCE, não se criticou o caráter despótico dos governistas, nem mesmo se denunciou a usurpação do DCE por um grupelho que trata a coisa pública como coisa deles. Foram apenas alternativas à impopularidade da “Nós por Nós”. Se colocar como linhas auxiliares, mesmo que inocentemente, de uma chapa tão esvaziada demonstra como o modelo de organização de esquerda está vias de superação.

A fragmentação das identidades destes movimentos leva-os a apenas se mobilizarem contra um falso inimigo comum. É como se o pensamento contrário fosse um perigo iminente não só às suas certezas — o que deve ser bom — mas também ao Real que permeou suas certezas; para essas chapas, ao fim, a Chapa 03 representava o desmonte de concepção de mundo deles. 
É neste apego aos postos de Poder que, com boa ajuda de exageros, as esquerdas abandonam qualquer possibilidade de buscar fazer políticas criando focos de organização civil e poder no corpo estudantil sem necessitar de uma instituição que falseia a representatividade.

Todos aqueles que uniram-se para barrar o crescimento de uma chapa oposicionista acabaram ajudando na recondução de uma patota que pouco ou nada tem a oferecer às demandas dos estudantes. Devem agora se questionar se será este modelo a se manter. O medo de uma chapa não-alinhada ganhar deve ser o de perceber que os debates políticos podem — e devem — ser feitos para além das estruturas partidárias. Por azar, com a vitória da Chapa 01 temos a chance de assim fazê-lo fora das estruturas do DCE. Se as Esquerdas não podem representar a mudança, outra escola de pensamento assim fará.

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