#ConselhoTutelar — “A série por trás do set” por Rudi Lagemann.

Hoje, às 22:30h, na RecordTV, estreia a 3ª temporada de “Conselho Tutelar”. A série, lançada em 2014, é produzida em parceria com a Visom Digital e faz um recorte denso e realista sobre os casos de agressões e maus tratos sofridos pelas crianças brasileiras.

Sempre inspirado em fatos reais — muito bem fundamentado na construção de um diálogo direto entre realidade/ficção — os 05 (cinco) novos episódios continuarão abordando temas importantes e tabus que compõem as relações familiares, como a pedofilia, por exemplo.

Para abrir os trabalhos de 2018, convidei o diretor geral Rudi Lagemann, pra falar um pouco sobre a trajetória de sucesso da série, o processo criativo em suas diversas etapas e sobre o que podemos esperar dessa nova temporada.

| A série por trás do set |apresenta: Rudi Lageman.

1.) “Conselho Tutelar” chega a sua 3ª temporada, com o mérito de ser a série mais longeva da dramaturgia da RecordTV. Como é pra você assinar a direção geral de um projeto duradouro e de sucesso entre o público e a crítica especializada?

Eu tive muita sorte em ser escolhido pela Diretoria da Record TV para dirigir este seriado. Sorte porque o projeto exigia um tipo de abordagem distinto do que é feito normalmente em TV aberta e isto já é um desafio que todo diretor gosta de enfrentar. E o motivo desta abordagem estética e dramatúrgica ter que ser diferente é que o tema maior do seriado é espinhoso, o da violência contra crianças e adolescentes. O grande desafio que enfrentei como diretor desde o início era apresentar algo que eu não podia mostrar (legalmente falando) pois não posso exibir violência e abusos contra crianças. A lei não permite que você trate deste tema expondo imagens de como ele acontece. Ou seja, era necessário atrair a atenção do público, tarde da noite, para um tema difícil que não poderia ser mostrado. Ao mesmo tempo, não poderia fazer uma série didática, discursiva e explicativa. Era preciso descobrir um modo de unir o interesse público do tema com o entretenimento. Como diretor, apostei num caminho, mas ele só foi bem sucedido porque o trabalho, o talento e a dedicação da equipe técnica e do elenco foram fundamentais para que isto acontecesse. Eles acreditaram e quando muita gente talentosa se junta para produzir algo em que acredita surge algo bom.

2.) A série além de retratar de forma inédita o cotidiano intenso e ardiloso dos conselheiros tutelares, revela ao público a existência da instituição, da sua importância social e as lacunas estruturais que corroem o funcionalismo público. Como foi o processo de criação da série e como as equipes de roteiro, direção e produção trabalham para manter uma unidade narrativa entre as três temporadas?

Sim, este é um mérito do seriado. Apresentar este trabalho constante e heroico dos Conselheiros que dedicam o seu tempo para enfrentar este sério problema, o da violência física e psicológica contra as crianças. Os roteiristas tiveram a consultoria e assessoria de conselheiros tutelares (encabeçados pelo ex-conselheiro tutelar Heber Boscoli) que contaram suas experiências para que as histórias tivessem veracidade, fossem críveis. A partir da redação dos scripts o trabalho de produção foi de pesquisa. O pessoal de cenografia visitou locais onde funcionam conselhos tutelares e assim por diante. No início foram escritos 13 episódios que seriam uma temporada. Mas então decidiu-se começar com uma temporada mais curta, de cinco episódios para ver se a série emplacava, o que acabou acontecendo. Então os oito episódios restantes foram desdobrados em dez. Por isto, eles têm uma unidade narrativa.

3.) O conselho tutelar é uma instituição criada conjuntamente ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e isso faz com que os casos reais retratados na série envolvam atores mirins. Como é o trabalho de direção e preparação cênica com as crianças? Há uma preocupação com o estado psicológico e emocional dos pequenos atores envolvidos nos mais diversos e hediondos casos de violências e agressões?

Sim, as crianças têm um acompanhamento profissional e também da família durante todo o processo. As crianças ensaiam com preparadores profissionais. É importante frisar que nenhuma criança participa de alguma cena que a exponha a algum tipo de constrangimento ou violência. Tudo é feito na base do “faz de conta”. O talento da equipe e do elenco adulto é fazer com que o público acredite que está assistindo algo que na verdade não está acontecendo ali na hora da gravação. Para isto, existem técnicas e truques para dar veracidade ao que se vê.

4.) Antes de iniciar os trabalhos de “Conselho Tutelar” você integrou a equipe de direção das novelas “Os Dez Mandamentos”, “Escrava Mãe” e “A Terra Prometida”, e fará sua estreia como diretor geral em “Topíssima” (a próxima das 19h) escrita pela ótima Cristianne Fridman. Do ponto de vista técnico e artístico, quais as diferenças e peculiaridades de dirigir três produtos de temáticas, horários e públicos distintos na TV aberta? Qual sua expectativa e desafios em assinar a direção geral de uma novela?

A gravação da novela foi adiada para o segundo semestre. Então deixo para falar do tema em hora mais oportuna.

5.) Quais as novidades dessa 3ª temporada de “Conselho Tutelar” e o que podemos esperar das novas histórias que os conselheiros irão encarar nesses novos episódios?

O seriado continua com a mesma estética e dramaturgia, ou seja, todo gravado em tecnologia de ponta, em 4 k, com equipamento cinematográfico e praticamente todo gravado em locações. A diferença é que nesta temporada há um caso que começa no primeiro episódio e atravessa toda temporada de cinco episódios porque ele tem relação com a trajetória de um dos conselheiros. Há a participação de um elenco maravilhoso novamente. Além do elenco fixo já conhecido do público: Roberto Bomtempo, Paulo Vilela, Paulo Gorgulho, Petrônio Gontijo, Cassia Linhares, Gaby Haviaras, Andréa Neves, Francisco Carvalho, Dudu Varello, Luiza Curvo e Claudio Gabriel, temos nesta temporada, entre outros, a participação de Fernando Pavão, Beth Goulart, Juliana Boller, Roberto Birindelli, Caetano O’Maihlan, Marcela Muniz, Bel Kutner, Roberto Bataglin e um grupo maravilhoso, entre crianças e novos talentos, que a produtora de elenco Cibele Santa Cruz trouxe para o projeto. Espero que o público goste do nosso trabalho e o prestigie.