O “BOOM” do talk e as tendências do “SHOW”
Texto publicado em 23 de julho de 2014 no www.ambrosia.com.br e no e no livro “Griphos Meus — Cinema, Literatura, Música, Política e Outros Gozos Crônicos”.
“BOOM do face to face”.
É o fenômeno que resume a overdose de programas de entrevistas que de uns tempos pra cá tem batido ponto nos meios de comunicação de massa (alguns não tão ‘massudos’ assim).
Da TV aberta, o tradicionalismo cult, às vezes excessivamente sádico no ‘Programa do Jô’ — Globo (hoje, extinto!); os autênticos e ácidos ‘Agora é Tarde’ de Rafinha Bastos — Band (hoje, extinto!) e ‘The Noite’ de Danilo Gentili — SBT; o mais temático e conciso ‘Roberto Justus +’ — Record (hoje, extinto!), aos canais não tão fechados como já foram um dia — tamanha é a quantidade de antenas de TV a cabo que brotam nos telhados das humildes residências — (a sempre marcante e contundente — em dose dupla — ‘‘Marília Gabriela Entrevista’ — GNT e “De Frente com Gabi’ — SBT (extintos!) e chegando à internet (o irreverente‘Na Lata’ com Antônia Fontenelle — Youtube). O cardápio de programas do segmento é diversificado, heterogêneo — em todos os gêneros — e tendencioso em algumas sabatinas.
“Do roll de sofás e poltronas, destaco a presença feminina da Marília Gabriela que sempre sabe perguntar e instigar na hora certa; a Antônia Fontenelle recém-chegada no gênero — mas não menos provocativa — ela revela um lado B pouco ou nunca visto do entrevistado; e a clássica e eterna Leda Nagle, que desde 1994 brinda-nos com o ‘Sem Censura’ — TV Brasil que consegue extrair o melhor de cada um dos seus convidados”. Atualmente o programa é apresentado por Vera Barroso.
Preferências à parte, a entrevista — seja ela gravada ou escrita — é um documento vivo que nos permite adentrar os poros do seu entrevistado (ainda que em alguns casos a epiderme possa vir um tanto que carregada no make up) — anônimo ou famoso — expondo o que muitas vezes não é vendido no seu rótulo de produto midiático.
Nesse ‘gripho’ tecerei meus sinceros comentários sobre duas entrevistas, feitas por estímulos instigadores distintos, ao mesmo fenômeno cultural musical e feminista que atende pelo nome de Valesca Popozuda.
Uma escrita e a outra no HD das polegadas.
No cenário simples, a jornalista considerada por muitos a melhor entrevistadora do país, Marília Gabriela.No sofá da redação da Revista TPM, a atriz, ex-saia justa, escritora e entrevistadora a convite da publicação Maitê Proença.
Após assistir e ler — nessa ordem –percebi certas nuances na estreita relação do de — para, e como essas sutis equalizações de tons tem como objetivo direcionar as respostas do entrevistado e conseqüentemente decalcar o resultado final da entrevista.

Na época, vi o ‘De Frente com Gabi’ pelo Youtube (link no final do texto).
É necessário lembrar que a entrevista foi feita em 05/02/12, mais de dois anos já se passaram e Valesca não mudou da água pro vinho em essência. Não existe Valesca pré e pós Beijinho no Ombro. A espontaneidade continua, a autenticidade continua, e a naturalidade com que responde as mais inconvenientes — como assumiu a própria Gabi — continuam as mesmas.
Minha análise sobre duas perguntas — desnecessárias — da entrevista:
– Como é que é a cabeça desse menino por ser filho da Valesca Popozuda? Que apareceu na Playboy, que dança dentro de uma gaiola e blá blá blá…
Quando a ‘cabeça’ de uma criança é aberta e educada em casa, essa mesma cabeça dificilmente será enquadrada. (@griphosmeus)
– Mas não tem uma idade para parar de fazer isso (andar nua em casa)?
Ah… Só podemos ficar pelados no nascimento? Até para as traças somos jogados embrulhamos no algodão. (@griphosmeus)

Na manchete feita pelo Twitter da Revista TPM (@revista_tpm) senti uma leve ‘ironicidade’ no predicado atribuído ao vocativo:
“Valesca Popozuda: a moça que virou feminista involuntária”.
Fui tirar a provas dos nove da minha pulga, rolei a moviola do mouse…
E fiquei incomodado com algumas perguntas, provavelmente concebidas pela própria Maitê, direcionadas a entrevistada pelo conteúdo ‘ingenuamente’ ambíguo, o falso moralismo de algumas equações rasas e a tão desejada polêmica.
“Tô olhando a tua piroca e tô vendo uma anaconda”
“Minha boceta é o poder/ mulher burra fica pobre”
– O que você canta é o que você pensa?
Todo cantor, seja de funk ou não, só canta sua ideologia? (@griphosmeus)
– Não existe contradição entre o que você faz no palco e suas crenças religiosas?
Como assim? A crença religiosa é firmada pela nossa expressão artística? Funkeira (o) não pode ser católica (o), espírita, do candomblé e vice-versa?
Fé e arte é como água e azeite. ‘Santas Putas!’. Só sei que o mundo está cheio — ambivalência de significados — delas.(@griphosmeus)
– Você tá sugerindo que as mulheres façam isso (se prostituam)?
Cartilha do falso moralismo. Canto uma realidade, logo faço apologia a ela. Retrato uma realidade, logo faço apologia a ela…
Mostrar não é induzir a nada, é permitir que as pessoas tenham consciência do que está ao seu redor. Entrevistar não é comercializar aspas é permitir ao outro lado da moeda mostrar seus próprios pensamentos. (@griphosmeus)
– Você acha que o que você faz é arte? O que é arte?
Pra mim é! Mas confesso que gostaria de fazer essa pergunta à entrevistadora…(@griphosmeus)
– Essas pessoas que acontecem (com quem ela se relaciona), quando cabe nessa agenda… Você apresenta pro seu filho?
A resposta da Valesca frustrou o propósito da desproposita pergunta. (@griphosmeus)
Assistam/Leiam as entrevistas, depois analisem as perguntas e as respostas e formem suas próprias constatações.
Vídeo do ‘De Frente com Gabi’:
https://www.youtube.com/watch?v=dDb4QbxEG3A
Dias atrás li a notícia de que a Maitê Proença foi eleita ‘A Musa da Copa’ (?) e declarou que “Não precisa de silicone para ser musa”.
“Mas, precisa de imparcialidade e astúcia para entrevistar…
E não precisa de talento para ser atriz. (Infelizmente!)”.
@griphosmeus
