RESENHA: “Ela Prefere as Uvas Verdes” e Os novos frutos da nossa Literatura.

Felipe Ferreira
Aug 9, 2017 · 3 min read

Texto publicado no www.ambrosia.com.br e no livro “Griphos Meus — Cinema, Literatura, Música, Política e Outros Gozos Crônicos”.

“Apreciei até o fim…

Abocanhei todo o fruto, chupei toda a polpa, que de tão gostosa, fez minha boca aguar e a garganta desejar engolir até o caroço”.

Nesse fruto — diferentemente daquele robusto e tentador que acerta em cheio a cereja do bolo — confesso minha queda pela cor verde. Tenho um aflorado fetichismo literário por uvas dessa pigmentação.

Sou leitor assíduo das brochuras que começam a ecoar e dessa nova linguagem que faz reverberar os novos epílogos da nossa frutífera Literatura Popular Brasileira (algumas não tão pop’s assim) .

Vinhos brancos, e não por isso menos suculentos, afrodisíacos, pulsantes…

Não que devemos deixar as frutas clássicas apodrecerem no pé. Pelo contrário. As calejadas de experiência são fundamentais para o autoamadurecimento. Uma dicotomia daltônica entre a fundamentalidade do vermelho e a essencialidade do “de vez”.

Representando em estatísticas, dos três últimos livros que li, os três são assinados por escritores verdes — ainda que em alguns casos já maduros no lote de fabricação.

O último deles foi “ela prefere as uvas verdes” do jornalista, ex-bancário e lâmpada da publicidade e atual escritor/editor do site Papo de Homem, Jader Pires. “Colhi” o Jader na masculinidade do papo, e a partir daí me vi instigado a decifrar as páginas do primeiro fruto de sua plantação crônica de perdas e encontros (em ordens, doses e personagens cotidianos).

O título da publicação por si só, já é um chamariz, mas não fica restrito apenas na afirmativa que ilustra a capa. O leque de possibilidades — como disse o próprio autor no vídeo promocional que fiz questão de ver no site do livro — perpassa signos, significados e me acompanhou desde o minuto inicial do primeiro encontro.

O que são as uvas? São elas apenas uvas? Por que verdes? O que é esse verde?

Ao todo, são treze contos. Entre viciado em crack, mágico de circo, um casal apaixonante de idosos e um casal de jovens não tão apaixonado assim, cada história possui um início, meio e fim (felizmente, nem sempre felizes).

Apesar da independência narrativa de cada uma delas, é possível perceber a existência de uma voz uníssona nas perdas e nos encontros que acometem cada uma das personagens ali reveladas.

Das treze uvas contadas, sete me foram tão íntimas, me remeteram a encontros que tive e às minhas próprias perdas.

São eles: (“Filho do Carnaval”, “Tô chegando amor”, “Ela era ela, Eu era Eu”, “Fortuna”, “A Única Verdade”, “Amores a distância” e “O último conto”).

“Voltarei a cair de boca nesse cacho de uvas verdes (…)

Saciador de apetites vorazes por nostalgia e memórias, como o dela, como o meu! “

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