O chamado do retorno à essência

Só que dessa vez é pra valer, você também sente?

Eu pensava que 2017 já estava definido.

Já tinha tudo planejado, era só continuar com o que estava fazendo no final do ano passado, focar em finalizar e lançar meu primeiro livro, simples né?

Mas mesmo quando temos as direções apontadas, a vida sempre dá espaço pra mudanças e surpresas, pois a lei da vida é que o amor e a essência sempre fluem para o novo, só que há um pequeno detalhe:

Nem sempre o novo e a mudança que precisamos é a que nosso ego quer, ou é a mais confortável, e muitas vezes, as mudanças mais importantes são justamente aquelas que nos deixam confusos e perdidos, quebram algumas certezas, seguranças e partes da personalidades que achávamos que era quem somos.

Não foi um processo fácil, foi terrível, pra ser sincero, essa parte minha que estava morrendo preferia até que o meteoro do fim do mundo realmente tivesse acabado com nossa imatura humanidade.

São nesses momentos que percebemos o quanto somos falíveis e pequenos, e isso não é ruim, pois esse choque coloca nosso pé no chão, resgata nossa humanidade.

Quebra o padrão inconsciente de nos sentirmos superiores aos outros, por acreditar no que acreditamos, viver do jeito que vivemos, na ilusão que nossas ideologias são as fucking bests.

É nobre querer muda nossos hábitos e estilo de vida na tentativa de melhorar a si e ao mundo, não questiono e nem pretendo parar de fazer isso.

Só quero compartilhar que eu aprendi na minha recente crise existencial, a consciência que as vezes essa jornada de busca e desenvolvimento pessoal pode estar contaminada pela vaidade e uma necessidade oculta de se sentir superior.

E foi justamente o que aconteceu comigo, e falo isso sem vergonha, nem orgulho.

Depois de uma série de vivências e reflexões, percebi que grande parte do sentido e da motivação da minha busca por evolução espiritual estavam contaminadas por essa arrogância sorrateira.

Perceber isso não foi bonito, caí numa crise feia, o ego metido a zen ficou mimimi ao perceber que ele não tinha se tornado melhor do que ninguém, pois é justamente o fato dele se achar melhor que alguém que diz que na verdade temos muito a aprender.

Esse chá de realidade me fez perceber que eu estava no caminho errado ao alimentar um ego espiritualizado que se acha “o evoluidão”. (risos)

No auto de sua superioridade, quer ensinar e ser guru dos outros pobres mortais que não conhecem a verdade, que não meditam e nem fizeram 10 anos de terapia, mas ao mesmo tempo ainda tem dificuldade de manter a casa bem organizada.

Não tenho a ilusão que todo esse processo foi o suficiente para acabar com a arrogância e vaidade que estava contaminando a verdadeira essência da minha vida e missão.

Pelo contrário, sei que um novo ciclo recém começou, mas pelo menos agora estou mais consciente da minha sombra, mais humilde para perceber que eu também caí nessa armadilha, e agora vou buscar estar atento para não cair novamente, o que eu não garanto ainda.

Sigo em frente com menos certezas e seguranças, mas com mais simplicidade e humanidade, buscando me reaproximar mais das pessoas, sem julgar e me isolar no topo de uma torre de suposta superioridade.

Como disse numa conversa recente com Kal Reis, um novo amigo que apareceu no momento certo, não tenho mais medo das pessoas que reconhecem e assumem suas sombras e imperfeições, eu tenho medo dos que se acham que já estão iluminados ou na frente dos outros numa estúpida corrida pra ver quem se ilumina primeiro, pure bullshit.

Sem mais enrolações, termino com uma frase que criei há muitos anos, que agora vale mais do que nunca:

As imperfeições constituem uma parte essencial da perfeição.

Sou Silvano Ozyrys, nem melhor, nem pior, mas especial e único como você, prazer em estar ao seu lado nessa jornada da vida =)