Vida de Equilibrista — mãe e profissional. — By Rita Michel

Quando veio a ideia de escrever sobre ser mãe e profissional tendo em vista a proximidade com o Dia das Mães, lembrei de um livro, Vida de Equilibrista — Dores e Delícias da Mãe que Trabalha, de Cecilia Russo Troiano, que trata dos dramas e alegrias das mulheres que optaram, para quem pode, por seguir trabalhando após se tornarem mães. Um de nossos principais dilemas, já que também sou mãe, chama-se conciliar papéis. Não raro, sempre vem acompanhado da sensação de estar devendo alguma coisa para alguém.

No meu caso, por exemplo, me tornei mãe tardiamente e, embora já estivesse usufruindo de uma carreira que me permitisse administrar parte do meu tempo, o sentimento de retornar ao trabalho era uma condição para a minha própria saúde mental e do meu filho, e não apenas uma questão de opção. A possibilidade de ser mãe em tempo integral, não fazia parte de meus planos nem mesmo no universo dos sonhos.

O fato é que — optantes ou não — todos passamos por uma série de dúvidas, renúncias, ansiedades, medos que tem início muito antes da decisão de retornar ou não ao trabalho. A mais alta executiva do Facebook, Sheryl Sandberg em seu livro Faça Acontecer lembra que desde muito cedo as meninas escutam que terão de escolher entre ter sucesso no trabalho e ser boa mãe. Quando ingressam na universidade sofrem antecipadamente pelas renúncias que terão de fazer de um lado para conquistar do outro, considerando seus objetivos pessoais e profissionais. Embora já faça algum tempo que a escolha por ter filhos esteja ocorrendo tardiamente para boa parte das mulheres ou homens, a insegurança e a preocupação seguem povoando nossos pensamentos.

Concordo com a autora quando diz que não se deve tecer críticas sobre decisões que são estritamente pessoais. Do ponto de vista das empresas, Sheryl comenta que depois de ver tantas mulheres de talento recusarem oportunidades sem explicar as razões, começou a abordar diretamente a questão de ter filhos durante as entrevistas de contratação. Profissionalmente tenho tido a oportunidade de constatar junto as executivas que acompanho em processos de coaching, os ganhos oriundos da maternidade em termos de maturidade, administração do tempo e tomada de decisão, entre outros. Além de aprimorar competências como empatia, escuta ativa, feedback. Ganhos ainda pouco percebidos e valorizados pelas empresas, em detrimento, do que ainda consideram como perdas provenientes da maternidade.

Minha experiência como mãe oportunizou traçar um comparativo entre minha versão antes e depois. Não tenho dúvida de que esta última tornou-se exponencialmente superior. Uma experiência que nos coloca frente a escolhas que envolvem nossos afetos mais caros, assim como valores e propósito de vida apenas para citar os mais importantes. Trata-se do que chamo de aspecto transformacional. Ou seja, mudamos a forma como definimos a nós mesmos, nossas prioridades e a noção de certo e errado. Uma experiência que pode ser, ao mesmo tempo, a mais gratificante e a mais dura e desafiadora.

Vamos nos tornando craques na arte de equilibrar pratinhos tal qual o malabarista no circo e, muitas vezes, arrancamos risos e olhares de surpresa e admiração da plateia. Outras vezes, damos show no trapézio e ficamos tão perplexas quanto o público com nossa capacidade de tomar risco transitando numa linha tênue entre os vários papéis que assumimos. Nossa atuação não se limita ao público pagante. Também no circo da “vida” as atividades se estendem desde a manutenção da estrutura e da lona até a sobrevivência dos animais que, quase sempre, ficam sob o nosso cuidado. A auto exigência do treino diário para manter e aperfeiçoar a performance e assim garantir que o espetáculo repita o sucesso de público e de bilheteria é absorvido com alegria e administrado com paciência.

Vida de equilibrista. Sejam bem-vindos!

Rita Michel — Idealizadora da Parallax — Move to Change

Informações: www.parallaxinstitute.com ou pelo e-mail: hello@parallaxinstitute.com