Nêutrons

Vivo ou morto? 
Reconhecendo o vazio 
Me preenchendo do empírico 
A importância do fuzil 
e o ativismo sínico

Lidando com conseqüências 
sem o peso na consciência 
Possível inocência 
A frieza da inteligência, 
irrelevância das tendências.

Tudo é tudo 
Nada é nada 
Insignificante a importância, 
o sentimento é petulância. 
Controle, em toda circunstancia.

A clareza da escuridão, 
a estabilidade da solidão. 
Do desespero à compreensão, 
da dor à adaptação. 
A certeza do sim ou não.

Mundo de extremos, 
alta polaridade. 
Há pureza e crueldade, 
doce mentira e dura verdade. 
Talvez perfeita a neutralidade.

Montanha-russa infinita. 
Paz e insanidade, 
suavizam a realidade, 
desafiam a tranqüilidade. 
Todos na mesma gravidade.

Imparcial. 
Talvez muito humano ou muito exato. 
Talvez o mais legal e o mais chato. 
Talvez de tristeza, um grande lapso. 
Talvez a solução de um colapso.

É o que é. 
Mais próximo do equilíbrio. 
Concordando com o suicídio. 
Simplificando o mais difícil. 
Todo final é um inicio.

Considere-se louco. 
Veja o mundo são. 
Muitos não sabem quem são 
O que fazem quando se vão? 
Não nota o que fazes em vão?

Amor fati. 
Entendimento do que é sabedoria 
Se tudo caísse, o que faria? 
Se só tivesse essa vida, viveria? 
Se só dependesse de você, escolheria?

Átomos. 
Tudo se constrói. 
Tudo se destrói. 
O próprio vilão e próprio herói. 
Nem sempre há cura, nem sempre se dói.

Existencialismo. 
Religião, ideias e culturas. 
Competição, misérias e farturas. 
Evolução, cancelas e aberturas. 
Reflexão, puras e impuras.

Neutro.
Divina praga que se expande.
Positivo e negativo, nada mais é grande.
Interpretação, onde nada se garante.
Todo significado é insignificante.

Neutralizante.
Melhor, maior, pior, talvez melhor antes.
Um inútil levante de fato relevante.
No final resta o centro.
Dor com objetivo reconfortante.