O vírus da depressão: II- A propagação do vazio.

O que é mais fácil de entregar para alguém, uma mala comum e pesada ou uma mala da moda e vazia? É um exemplo até simples pro assunto que pretendo tratar aqui, que continua a falar do vírus da depressão, a propagação do vazio, o compartilhamento de conteúdo vazio e atitudes de viés negativo e fútil é preocupante e esta se proliferando de forma inesperada, para mim é a maior forma de contaminação do mal do século e se não dermos atenção, tende a piorar. O vicio em redes sociais já é um problema da geração atual e das futuras, a depressão e ansiedade já são reconhecidas há um tempo como mal do século e vejo essas coisas conectadas.

Como já dito no texto “A internet e o jovem influenciado”, o jovem atualmente esta sujeito ao bombardeamento de mensagens negativas e sátiras ao terrível problema psicológico da depressão. Há um claro aumento do assunto e talvez um reconhecimento dado de forma errada, mas dentro disso vemos o crescimento de uma sensação comum ao mundo contemporâneo, o vazio. O que quero dizer é que a relação da internet com a sensação de vazio é dada pela dependência e pela influencia do meio, quanto mais jovens compartilharem dor apenas por fazer rir, quanto mais pessoas cederem à influencia digital e se adaptar para se destacar, mais o vazio vai se espalhar. Pois a composição de todos os memes, comentários, vídeos, nudes e grupos envolvem pessoas e pessoas são frágeis, quando falamos de jovens, isso se torna ainda visível devido a busca por um grupo e o descobrimento de si mesmo. Sendo mais direto, pessoas tendem a seguir comportamentos e comprar verdades que não são suas, fingir e atuar com personagens que não os representam e isso não faz bem, pois quanto mais se dedica a ser o que quer que vejam, menos se é você mesmo. Já ouviu falar de alguém que ficou famosa nas redes sociais por algum motivo simples e mudou seu modo de vida? Já vivenciou o caso de alguém se apresentar de uma forma na internet e pessoalmente não ser aquilo? Isso acontece quando se esquece de que existe uma vida fora da tela, quando troca-se o que é na verdade, por aquilo que chama atenção ou parece satisfazer uma necessidade momentânea.

Cada vez mais pessoas passam mais tempo na internet e parece que as coisas evoluem para sua dependência do celular ou computador, mas já notou alguma vez estar rindo sozinho ou ignorar tudo ao seu redor para focar no celular? É como se nos tornássemos maquinas de compartilhar, assistir os mesmos vídeos, repetir as mesmas conversas, visitar as mesmas publicações e perdemos até mesmo um dia inteiro onde não mudamos em nada, não resolvemos problema algum, não aprendemos nada e parece que, de fato, foi um dia vazio. Essa pra mim é a melhor forma de notarmos algo errado. Por trás dessa criação de outro “eu” nas redes sociais, existe alguém que se perde de si mesmo e busca características em um lugar que não é tão seguro. Para adolescentes que ainda estão descobrindo quem são, apologia à drogas e suicídio são um risco, o compartilhamento de ideias pessimistas e brincar com coisas sérias só porque “todo mundo zoa” não é tão legal assim e muito menos criar alguém agradável à um publico e depender de outros para se sentir bem pode significar um total desentendimento do que você sente e do que realmente te faz bem, e essas horas que passou com a cara no celular, jamais seriam repetidas pensando sobre si e de fato mudando o que te incomoda na vida. A futilidade se alimenta do seu caráter ao fazer consumir produtos que não gosta de verdade, mas precisa seguir a tendência que viu na internet, ao rir de uma situação que não acha verdadeiramente engraçada e se unindo a pessoas que não agregam nada. E num oceano vasto como a internet, num mundo de tecnologia e avanços à cada segundo, uma infinidade de variáveis a todo instante, vemos o crescimento do sentimento de insignificância. Talvez fique mais comum pessoas sem um próprio senso de gosto ou cultura, pessoas padronizadas e a internet se torne um lugar cada vez mais nocivo pra quem não sabe usar e se deixa ser usado. Temos cada vez mais vidas plastificadas e identidades em crise que ficam escondidas por uma grande máscara feita da modernidade impiedosa. E o fato de estarmos todos sujeitos a esse uso deixa a situação mais preocupante, aquilo que é compartilhado atinge diversas pessoas de formas diferentes e a interpretação pode servir como arma de propagação de conteúdo que ao invés de entreter e ajudar a humanidade, colabora para sua auto destruição, mas eu não me salvo da contaminação do vazio, afinal, quando acabar de escrever, vou estar sozinho com o computador num quarto escuro.