O melhor livro sobre empreendedorismo que você pode ter em mãos nesse momento

Meu primeiro contato com a Perestroika se deu no ano passado na época em que escrevia para o Hypeness. Fui até a unidade da Vila Madalena e tive uma conversa deliciosa com a Fernanda Baffa de onde destaco alguns trechos para evidenciar melhor a proposta deles:

– Qual seria a metodologia de vocês?

Basicamente, são três passos: sintetizar o conteúdo, transformá-lo numa metáfora e, em seguida, criar uma experiência que ajude a fixar essa metáfora.

– Por que a opção por profissionais do mercado como docentes?

Acreditamos no valor da prática, da experiência. Nosso lema é ‘vai lá e faz’ e, nesse sentido, nada melhor do que aprender com quem já fez.

– Como você vê hoje a equação trabalho e prazer?

Saímos da era dos workaholics para a era dos worklovers. As pessoas querem trabalhar com o que gostam e, como muitas vezes não encontram isso nas empresas, resolvem empreender. Foi assim, inclusive, que nasceu a própria Perestroika.

Enfim, fiquei de fato muito bem impressionado com a proposta da Perestroika e, desde então, passei a acompanhar à distância tudo o que eles faziam. Até que me deparei há cerca de um mês com o lançamento do livro VLEF (vai lá e faz), do Tiago Mattos, um dos fundadores da escola. O livro foi financiado no final de 2013 em um processo de crowdfunding via Catarse e está disponível agora para encomendas aqui

Sou empreendedor há mais de dez anos — tenho sociedade em uma agência de comunicação chamada VIRTA, com sede em SP — e já li bastante coisa sobre gestão, liderança, inovação e quetais, mas esse livro é, na minha humilde opinião, a melhor obra sobre o tema que tive em mãos nos últimos tempos.

Vai lá e faz

O título, que é o próprio mantra da Perestroika, diz muito sobre a essência da obra:

Não sou contra planejamento. Pelo contrário. Acho planejamento uma ferramenta fundamental para qualquer negócio. Só sou contra planejamentos estáticos. Há uma frase que repito muito que é: quanto mais você mexe na rede, mais a rede se mexe. Quanto mais você mexe no sistema, mais o sistema reage à sua ação… É um jogo de tabuleiro em que, quanto mais você avança, mais quadrados surgem. Para um gerente, isso é assustador e angustiante. Para um empreendedor, isso é simplesmente natural.

Propósito e legado

Depois de traçar um belo panorama do contexto em que estamos — uma era em que prevalece um pensamento digital não linear, multidisciplinar, conectado e exponencialmente imprevisível -, Tiago conceitua e caracteriza cada passo, característica e desafio na vida do empreendedor, com ênfase, sobretudo, no legado (o que você quer deixar para o mundo) e no propósito (por que você quer atingir esse legado).

Acredito que só existe sentido na vida profissional quando você dedica oito horas por dia, cinco dias por semana, onze meses por ano, durante décadas, se essa atividade responder ao seu propósito. Qualquer outra coisa é egoísmo, alienação ou pura perda de tempo.

A metáfora do equilibrista

Uma das muitas metáforas poderosas que sintetizam a proposta da obra é a do equilibrista. Todo mundo sabe como funciona: o artista sobe até uma determinada altura, e, com o rufar dos tambores, começa a caminhar sobre um fio de aço. A única ferramenta que dispõe para se equilibrar é uma vara, que serve para contabalancear o peso. De resto, ele conta com uma rede de segurança para socorre-lo no caso de uma queda. A analogia, que vale não apenas para empreendedores, mas para todo mundo que atua direta ou indiretamente com educação, consiste em saber se o nosso papel é ser a vara — aquela que vai garantir a passagem de um lado para o outro do fio de aço em segurança — ou a rede — ‘Faça do seu jeito. Se você errar, estaremos aqui para ajudar. Mas, arrisque-se!’

Comece pelo porquê

Entre as várias referências da obra, cabe mencionar aqui o famoso Golden Circle de Simon Sinek. Segundo a teoria, marcas e líderes comuns costumam se apresentar de fora para dentro. Primeiro, falam quem são e o que fazem, depois explicam como fazem, e, por fim, convocam a algum tipo de ação (compra, voto, engajamento). Sinek explica que marcas e líderes inspiradores usam o raciocínio inverso: falam primeiro do porquê, depois do como, e, só lá no final, dizem o quê.

Em vez de interpretar a teoria sob o viés da comunicação do projeto/negócio/empresa como muitos fizeram, Tiago propõe o uso do Golden Circle para nortear montagem do negócio em si.

Quando um empreendedor e suas respectivas iniciativas começam pelo porquê, e daí nascem statements calcados nos valores primordiais do indivíduo, o negócio tem grandes chances de nascer com impacto positivo.

Diretor de Whatever

A última parte do livro é composta por sugestões de ferramentas que o próprio autor usa para tirar suas ideias do papel. Uma sacada interessante é a hierarquia fluida em contrapartida à hierarquia rígida e aos cargos convencionais adotados nas empresas em geral. Depois de descrever dois experimentos emblemáticos do mundo da psicologia que vão de encontro ao fenômeno da despersonalização do indivíduo — o Obedience Study de Stanley Milgram e o Stanford Prison Experiment do professor Philip Zimbardo — Tiago, cujo cargo na Perestroika é diretor de whatever, descreve em cinco tópicos seu conceito de liderança:

- Líder não é um cargo

- É uma postura

- Líder é uma forma de enxergar a si mesmo

- Líder é uma forma de enxergar o outro

- Mas, principalmente: é uma forma de enxergar a si mesmo com relação ao outro

“Eu não quero trabalhar para os outros. Mas também não quero que os outros trabalhem para mim. Quero que as pessoas trabalhem comigo”.

Obviamente, qualquer texto sobre um livro profundo como esse, tende a ser raso e superficial, porém espero que você o tenha como uma dica/indicação/sugestão de uma obra maior que trará mais sentido e estímulo para a sua veia empreendedora, assim como fez comigo.

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