Parece que você confundiu os conceitos então, porque está usando “esquerda” no sentido atual, não…
Sérgio Schüler
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Sérgio, vamos lá. As pessoas misturam muito, mesmo, estes conceitos.

Liberais tendem a ser favoráveis à legalização do aborto, das drogas, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, pelo simples motivo de que o Estado não tem o direito de se impor sobre decisões individuais. Pessoas de direita, não.

Liberais tendem a ser contrários a estatais, a impostos, a qualquer tipo de política do Estado que lhe permita interferir demasiadamente ou orientar os rumos da economia. Pessoas de esquerda costumam ser a favor disto.

O ponto, aqui, é que a escala que vai do libertário ao autoritário trata de medir qual o tamanho da participação do Estado na sociedade. Quanto das decisões devemos deixar para cada indivíduo por si ou quanto devem ser decisões coletivas, da sociedade, feitas através de seus representantes políticos.

A escala entre direita e esquerda mede outra coisa. À esquerda, você procura ampliar a voz dos setores com menos poder da sociedade, mesmo que ao custo da perturbação da ordem. Quando a esquerda olha para questões econômicas, os mais pobres, ela precisa que o Estado se imponha mais para garantir-lhes vantagens. Aí, ela não é liberal. Quando a esquerda olha para questões sociais — drogas, casamento homoafetivo — aí ela quer que o Estado não se meta na vida das pessoas. Aí, é liberal. Poderíamos fazer comparações similares à direita.

Dizer que o movimento liberal é de “direita” ou de “esquerda” não faz qualquer sentido. Dou um exemplo simples que vc imediatamente reconhecerá. A revista Economist, bastião da tradição liberal no mundo. Na cobertura econômica, nos EUA, ela é republicana. Na cobertura social, é democrata.

Outra maneira de falar sobre esquerda e direita é usar uma escala que trata da espectativa de mudanças sociais que uma pessoa tem: revolucionário, progressista, centro, conservador, reacionário. De gente que quer mudar muito, e radicalmente, até gente que não quer mudar nada, reage a qualquer mudança. Um liberal não consegue se encaixar neste esquadro. Porque ele quer um objetivo fixo: liberdade individual. Se há plena liberdade individual numa área, o liberal não quer mudar nada. Se, por outro lado, o Estado se impõe demais, aí o liberal desejará mudar muito.

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